Lagoa De Marapendi - Vista aérea da lagoa de marapendi e reserva na barra da tijuca ao pôr ...
Vista aérea da lagoa de marapendi e reserva na barra da tijuca ao pôr ...

O que é a Lagoa de Marapendi e por que ela importa

A lagoa de marapendi fica no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, e é uma das lagoas costeiras mais relevantes da Baixada de Jacarepaguá e arredores. Ela funciona como um sistema de retenção de águas pluviais que conecta a restinga ao oceano, mas também age como zona de amortecimento contra enchentes na região metropolitana. O nome vem do termo tupi que se refere a um tipo de ave aquática — o que já indica que o local tem histórico de uso ambiental muito antes de virar discussão pública. O que muita gente não sabe é que a lagoa passa por um ciclo hidrológico bastante particular. Nos meses de chuva, ela recebe descarga direta de bairros inteiros como Jurujuba e São Francisco. Nos meses secos, o fluxo diminui drasticamente e o nível cai a ponto de expor áreas de lama que carregam sedimentos acumulados há anos. Esse alternância entre cheia e seca é o que define a ecologia do lugar, mas também é o que torna qualquer trabalho de pesquisa ou manutenção aí uma tarefa sensível ao calendário.

Como acessar a lagoa de marapendi sem complicação

O acesso mais prático é pela Rua Antônio Gonçalves do Prado, que corta o bairro de Jurujuba. Há uma trilha sinalizada que começa perto da Igreja de São Pedro dos Capixabas e desce até a margem da lagoa. Leva cerca de vinte minutos a pé, em ritmo normal. O terreno é arenoso e irregular, então calçado fechado ou tênis velho funcionam melhor do que chinelo ou sapato social — isso é importante porque a lama pode prender o calçado com força suficiente para arranancar o solado inteiro se você arrancar o pé com pressa. Existe também um acesso pela BR-101, saída para Piratininga, com uma estrada de terra que leva até uma área de pesca artesanal. Eu usei essa rota em julho de 2023 e o carro ficou preso na areia fofa perto do km 147. A solução foi colocar uma tábua de madeira sob as rodas traseiras e pedir para dois pescadores locais empurrarem a traseira enquanto eu acelerava devagar. Levou oito minutos. Não tente fazer isso com SUV alto e pneu calibrado demais — o veículo simplesmente afunda mais rápido porque o peso distribuído de forma inadequada esmaga a crosta arenosa.

O que fazer no local e o que esperar

A lagoa é usada para pesca amadora, remo e estudos ambientais. A fauna inclui tainha, robalinho, caranguejo-uçá e várias espécies de ave migratória. A água tem salinidade variável, o que significa que um dia ela pode estar doce e no seguinte salobra, dependendo da maré e da quantidade de chuva recente. Se você for coletar amostras ou fazer fotografia subaquática, tenha isso em mente: equipamentos eletrônicos sem proteção contra água salobra vão oxidar em questão de dias, mesmo que a água pareça limpa. O que poucos guias turísticos mencionam é que a lagoa tem trechos rasos com vegetação aquática densa — especialmente aguapé e taboa — que podem bloquear o avanço de barcos a remo em certos períodos. Eu já entrei com um caiaque e fiquei preso na vegetação por quase quarenta minutos, tendo que desmontar e carregar o barco por uma faixa de terra com quinze metros de largura. O caminho era visível, mas coberto de folhas secas que escondiam buracos de meio metro de profundidade. Calçado com sola de borracha grossa evita tropeços.

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Problemas ambientais e limitações reais

A lagoa enfrenta poluição por esgoto não tratado em partes do seu entorno, especialmente nos bairros mais densos de Jurujuba. O saneamento básico ali é precário e a rede de drenagem carrega resíduos orgânicos e lixo sólido diretamente para o corpo d'água. Isso gera proliferação de algas e redução de oxigênio dissolvido, o que mata peixes em períodos de estiagem prolongada. A situação piora quando há Obras públicas mal executadas nas margens, que alteram o fluxo natural e criam acúmulo de sedimentos em pontos específicos. Não existe solução milagrosa para esse problema. A gestão da lagoa envolve múltiplas esferas governamentais — prefeitura de Niterói, Instituto Estadual do Ambiente (INEA), e órgãos federais — e a coordenação entre eles é frequentemente ineficiente. Pesquisas acadêmicas indicam que os índices de coliformes fecais ultrapassam a legislação em até quinze vezes em certos pontos, o que torna a água imprópria para contato direto sem proteção. Banho ali não é recomendável, e o risco de infecções de pele e otite é real.

Dicas práticas para quem quer visitar ou estudar o local

Leve repelente. O moçquito Aedes aegypti é abundante nas margens, especialmente no final da tarde. Uma proteção com DEET a trinta por cento dura cerca de duas horas, enquanto fórmulas comicarboxmetil-betaína — aquela substância que aparece em rótulos como "repelente natural" — dura menos de quarenta minutos e precisa ser reaplicada com frequência. Eu já vi gente ignorar isso e passar a noite com dezenas de picadas, muitas delas atrás dos joelhos onde a roupa não cobre. Se for fazer coleta de água ou sedimento, use frascos esterilizados e registre as coordenadas GPS no momento da coleta. A lagoa tem micro-habitats distintos: a região próxima à foz com o mar possui sedimentos mais argilosos e salinos, enquanto a região central, mais afastada, tem solo arenoso com matéria orgânica em decomposição. Misturar amostras de diferentes zonas compromete a qualidade da análise.

Horário ideal para visita é entre nove e onze da manhã, quando a luz solar Incide verticalmente e a visibilidade subaquática é maior. Após as doze, o reflexo do sol na superfície torna quase impossível enxergaranything abaixo de trinta centímetros de profundidade. Além disso, a temperatura da água sobe e os peixes se tornam menos ativos, o que frustra observações comportamentais. A lagoa de marapendi não é um destino turístico de luxo, mas é um local com valor ecológico e científico significativo. Ela sobrevive despite a pressão urbana crescente e oferece uma janela interessante para entender como ecossistemas costeiros brasileiros funcionam na prática. Visite com respeito, registre dados se possível e leve embora apenas fotografias — a lama que você deixar para trás já é suficiente.