Lesao De Kennedy - Kennedy Terminal Ulcer Stages at Elmer Holt blog
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O que é e como funciona na prática

A classificação de Kennedy, proposta por Arthur H. Kennedy em 1848, é o sistema mais usado no mundo para categorizar arcos parcialmente edentulados. O objetivo é dar uma linguagem comum entre prosodontistas, protéticos e cirurgiões para descrever onde faltam dentes e como isso impacta o planejamento de uma prótese removível. Não é complicado, mas tem nuances que todo mundo erra na primeira vez.

Entendendo a lesao de kennedy passo a passo

A classificação divide os casos em quatro classes principais, baseada na posição das áreas edentulas em relação aos dentes remanescentes. A regra básica é simples de lembrar, mas a aplicação clínica exige atenção aos detalhes. Vou explicar direto, sem rodeio. Classe I — Bilateral. Os espaços edentulos ficam de ambos os lados da arcada, atrás dos dentes posteriores remanescentes. É o caso clássico de paciente que perdeu os molares inferiores e superiores. O dente mais distal presente age como referencial. A prótese tem dois campos de apoio posterior, o que gera desafios de estabilidade por causa do movimento de alavanca durante a mastigação.

Classe II — Unilateral. Um espaço edentulo está de um só lado, também na região posterior. Do outro lado, os dentes estão presentes. Aqui o ponto crítico é o equilíbrio entre os dois lados. Se o suporte do campo livre não for bem planejado, a prótese gira em torno do eixo dos dentes de apoio e compromete a fisiologia periodontal desses dentes remanescentes. Já vi caso em que um clasp inadequado gerou mobilidade progressiva num molar que ainda tinha bom prognosis, tudo por falta de consideração do eixo de rotação. Classe III — Espaço edentulo rodeado por dentes em ambos os lados, tanto mesial quanto distalmente. É o caso mais previsível. A prótese tem apoio dental bilateral ao redor da lacuna, o que confere boa estabilidade. O problema real aqui não é a classe em si, mas a tendência de subestimar a quantidade de tecido de apoio necessária quando o espaço é largo. Um dente anterior com corona larga e raiz curta não compensa sozinho a ausência de um molar.

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Classe IV — Espacos anteriores que cruzam a linha mediana. Dentes da região frontal ausentes, com comunicação entre os dois lados da arcada. É a classe mais crítica esteticamente, mas funcionalmente é mais simples porque os dentes posteriores restantes dão suporte. O desafio principal é a retenção e a estabilidade no pré-maxilar, que tem mucosa mais fina e menos resistência. Já lidei com um caso em que a barra intracoronária foi indicada no lugar do design convencional e resolveu um problema de retenção que nenhuma armação simples conseguiria resolver sozinha. Além dessas quatro classes, existe o subgrupo. Quando há mais de um espaço edentulo na mesma arcada, a classe é determinada pelo espaço mais posterior. Os demais espaços viram subdivisões numeradas. Por exemplo, um paciente com espaços bilaterais posteriores E também um espaço unilateral anterior será Classe I, Subdivisão. Isso muda completamente o plano de tratamento porque cada subdivisão adiciona complexidade mecânica.

O que muita gente não considera é a modificação de Ackerman. Ela propõe dividir as classes em subgrupos baseados na localização exata, não apenas na presença de múltiplos espaços. Em arcos inferiores com perda de caninos bilaterais, por exemplo, a biomecânica é drasticamente diferente de um arco com perda apenas de pré-molares, mesmo que ambos sejam tecnicamente Classe III. O planejamento protético precisa levar isso em conta, senão você termina com uma armação que funciona no papel e falha na boca. Na prática clínica, o erro mais comum é aplicar a classificação de forma rígida sem considerar a condição dos dentes abutment. A classificação diz onde estão os espaços, mas não diz nada sobre a saúde periodontal, a presença de restaurações, a inclinação dos dentes remanescentes ou a oclusão. Eu já tive um Classe III que vira um pesadelo porque um dos dentes de apoio tinha perda óssea de 60% e uma oclusão traumática. A classificação sozinha não avisa disso. Você precisa fazer o diagnóstico completo antes de decidir qualquer coisa.

Outro ponto que passa despercebido é a relação entre a classe e o tipo de armação metálica. Classes I e II frequentemente requerem design com apoio tecidual extenso e conectores maiores para distribuir forças. Classes III e IV podem usar designs mais conservadores. Fazer o contrário é pedir para ter problemas de estabilidade e desconforto. Eu já vi protéticos insistirem em armações rígidas demais para Classes I, resultando em dor de tecidos moles e rejeição do paciente no primeiro mês de uso. Se você precisa consultar rapidamente a classificação, existem tabelas e apps que resumem as classes com exemplos radiográficos. A maioria dos livros de prótese dentária, como o Prosthodontic Treatment for Edentulous Patients de Zarb e Bolender, ou o Craig's Restorative Dental Materials, trazem os diagramas completos. A classificação em si é domínio público, então não tem restrição de uso.

O que funciona no dia a dia é ter o hábito de radiografar todo paciente antes de classificar. Uma Classe III que parece simples na boca pode esconder uma fratura radicular ou peri-implantite em andamento. O diagnóstico visual isolado falha em cerca de 20% dos casos quando comparado à radiografia periapical. Investir 5 minutos a mais com a imagem evita reprovações e retrabalhos que custam muito mais tempo depois. Resumindo sem resumir: a classificação de Kennedy é uma ferramenta de comunicação e planejamento, não um fim em si mesma. Ela estrutura o raciocínio, mas o resultado final depende de variáveis clínicas que vão muito além da posição dos espaços edentulos. Aprender a aplicar corretamente leva tempo e casos reais, mas uma vezinternalizada, se torna o fundamento de todo projeto protéticoremovível.