LINDO DE MAIS OU DEMAIS
O uso correto de "de mais" e "demais" é uma daquelas dúvidas que todo falante do português encontra ao escrever, mas pouca gente para de analisar até perceber que a coisa é bem simples. Vamos ao que importa.
De mais é formado por duas palavras — a preposição "de" e o advérbio "mais". Ele indica excesso em relação a algo concreto, uma quantia, um grau mensurável. Quando você diz que algo está "caro de mais", está dizendo que o preço ultrapassou um limite aceitável. Pode-se usar a contração "demais" como substituto, mas o sentido muda ligeiramente.
Demais, por sua vez, é uma única palavra. Funciona como advérbio de intensidade no sentido de "em excesso", "em demasia", "para além do que convém". Também serve como pronome indefinido: "os demais colegas" significa "os outros colegas".
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Na prática, a diferença se resume a isso: se você pode colocar uma vírgula entre "de" e "mais", usa-se de mais. Se não der para separar, é demais.
Veja um exemplo que me ocorreu num projeto recente de revisão de textos. Tinha um documento com dezenas de frases usando "lindo demais" e "lindo de mais" de forma intercambiável, sem critério. A regra que apliquei foi a seguinte: quando "lindo" vinha antes de um adjetivo expressando qualidade estética sem referência a padrão mensurável, eu padronizava com "demais". Exemplo: "a paisagem estava lindo demais" — aqui não se compara com nada concreto, é uma intensidade absoluta. Já em "o preço estava de mais", o excesso tem base comparável (um orçamento, uma faixa de preço).
Um pitfall que quase passei despercebido: algumas pessoas confundem "demais" com "de mais" em contextos onde a preposição é obrigatória por regência verbal. O verbo "gostar" exige "de": "gosto de mais chocolate". Nesse caso, o "de" pertence ao verbo, não ao advérbio. É fácil errar escrevendo "gosto demais chocolate", que soa errado para o ouvido treinado.
A conclusão é que a diferença entre "lindo de mais ou demais" não exige memorização de regras gramaticais complexas. Basta notar se há uma preposição sendo exigida pelo contexto (nesse caso, "de mais" com espaço) ou se se trata de um advérbio de intensidade solto (nesse caso, "demais" junto). Na escrita cotidiana, ambos aparecem com frequência, e o uso consensual tende a favor de "demais" em contextos formais, enquanto "de mais" sobrevive em construções onde a preposição é sintaticamente necessária.