Linguagens No Enem - Figuras De Linguagem Que Mais Caem No Enem - FDPLEARN
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Como montar seu estudo de Linguagens para o ENEM

O caderno de Linguagens e Códigos é o segundo mais longo da prova, com 45 questões que misturam português, literatura, artes, educação física e língua estrangeira. Muita gente subestima essa parte porque acha que é "só interpretação de texto". A realidade é bem diferente. O ENEM cobra coisas específicas que a maioria dos cursinhos não ensina direito. A primeira coisa que você precisa entender é como a banca estrutura as questões. Cada questão tem um Texto-base — pode ser um poema, uma charge, um trecho de livro, uma letra de música, um artigo de opinião — seguido de quatro alternativas que testam sua capacidade de relacionar o texto a conceitos das várias áreas do conhecimento. O erro mais comum é ler o texto só para encontrar a resposta literal dentro dele. Isso não funciona. A prova quer que você faça conexões entre o texto e o contexto cultural, histórico ou artístico.

Sobre linguagens no enem, o que realmente diferencia quem tira nota alta de quem medeia é o domínio de repertório sociocultural. Não é ter decorado todos os autores do Romantismo. É saber quando e como usar uma referência. Eu já vi candidato perder pontos por citar um filósofo de forma vaga, sem conectar ao tema proposto. O correto é ser específico: se o texto fala sobre identidade, cite um autor que trabalhou esse conceito de forma concreta, e explique brevemente a ligação.

As 3 competências avaliadas em linguagens

Competência 1: Compreender os códigos linguísticos como instrumentos de comunicação. A banca quer ver se você entende que linguagem não é só gramática normativa. Um texto publicitário, uma piada de humor negro, um mangá — tudo isso é linguagem e carrega intenções comunicativas específicas. Competência 2: Posicionar-se diante dos textos de forma crítica. Aqui entram questões sobre intertextualidade, ironia, ambiguidade. O ENEM adora cobrar o efeito de sentido de uma escolha lexical. A palavra errada num anúncio pode mudar completamente a mensagem. A certa pode criar uma conotação política que o enunciado espera que você perceba.

Competência 3: Construir argumentos coerentes. Nas questões dissertativas, isso se traduz em escrever com clareza, coesão e coerência. Não precisa ser um texto literário. Precisa ser lógico e bem estruturado. A área de Literatura é onde mais vejo gente travar. O ENEM cobra autores como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, mas também exige conhecimento de movimentos literários e obras canônicas que aparecem em enunciados contextuais. Um erro frequente é confundir características de épocas diferentes. O Realismo não é o mesmo que o Naturalismo, embora ambos tenham surgido no século XIX. O ENEM já cobrou isso em questões sobre "Memórias Póstumas de Brás Cubas" versus "Vidas Secas". Um trata da ironia narradora, o outro da denúncia social. Misturar os dois te custa a questão.

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Eu tenho um caso específico que ilustra bem essa armadilha. Num simulado, uma questão pedia para analisar a função da primeira pessoa em "Memórias Póstumas de Brás Cubas". A alternativa correta não era a óbvia ("narração em primeira pessoa"), mas sim uma opção que falava sobre a irrealidade criada pelo narrador falecido. A banca testa se você entendeu que o recurso narrativo serve a um efeito específico. Se você só decorou que "Machado usa primeira pessoa", errou. A seção de Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol) também tem seus truques. As questões não são apenas de compreensão leitora. Elas cobram vocabulário técnico, expressões idiomáticas e até estruturas gramaticais embutidas em contextos naturais. Uma dica prática é treinar com textos autênticos — notícias da BBC, artigos da NASA, letras de música. Isso te habitua ao idioma real, não ao português disfarçado que os livros didáticos costumam usar.

Para Artes e Educação Física, a situação é ainda mais negligenciada. A prova pode cobrar obras de Tarsila do Amaral, Portinari, Hélio Oiticica, além de movimentos como o Modernismo, o Neoconcretismo e a Arte Conceitual. Educação Física aborda temas como cultura corporal, ginástica, lutas, esportes, danças. Não adianta estudar apenas o óbvio. A banca gosta de cobrar obras menos conhecidas, como as de Lygia Clark ou os conceitos de jogos de resistência propostos por Roger Caillois. Uma limitação séria que muitas pessoas ignoram é o fato de que o ENEM não avalia todo o conteúdo curricular do Ensino Médio. Ele seleciona tópicos específicos, e muitos desses tópicos são pouco abordados em sala de aula. Por exemplo, a relação entre literatura e cinema quase nunca é trabalhada nos colégios públicos, mas aparece frequentemente nas questões. O mesmo vale para a linguagem publicitária e sua relação com semiótica.

O tempo é outro fator crítico. Com 5 horas de prova, você tem cerca de 7 minutos por questão de Linguagens. Na prática, gasta-se muito mais tempo nas questões de interpretação, que exigem leitura atenta de textos longos. Minha recomendação prática é fazer simulados cronometrados desde o início, não apenas nas últimas semanas. Isso cria muscle memory para o ritmo da prova. Outro ponto que gera confusão é a questão da redação. A redação do ENEM não é parte de Linguagens, mas o desempenho nessa área influencia diretamente a competência 1 de Linguagens. Textos bem estruturados, com boa coesão e coerência, são avaliados separadamente. Ou seja, você pode ter uma redação nota 1000 e ainda assim perder pontos em Linguagens por não dominar conceitos básicos de literatura ou semiótica.

Para se preparar de forma eficiente, sugiro este roteiro prático: primeiro, resolva todas as provas de Linguagens dos últimos 5 anos (2020-2025), cronometrando cada seção. Segundo, identifique os temas que mais caem — interpretação textual, Literatura brasileira, Artes visuais e Educação Física. Terceiro, construa um banco de repertório com pelo menos 10 referências sólidas (autores, obras, artistas) que possam ser usadas em diferentes contextos. Quarto, pratique a escrita argumentativa semanalmente, pedindo correção de professores ou usando ferramentas de análise textual. O download dos materiais é simples. As provas completas estão disponíveis gratuitamente no site do INEP, na seção de provas anteriores. Os gabaritos também são oficiais. Não precisa pagar nada. O que faz diferença é a qualidade do estudo, não o preço do material.

Se você tem pouco tempo antes da prova, foque no que é mais provável de cair: interpretação de textos longos (contos, crônicas, artigos de opinião), autores do Modernismo brasileiro (1922 em diante), e obras de artes visuais do século XX. São os tópicos mais frequentes e que oferecem maior retorno em termos de pontuação.