Livro Muito Cansado E Bem Acordado - Livro: Muito Cansado e Bem Acordado - Susanne Strasser (Em Portugues do ...
Livro: Muito Cansado e Bem Acordado - Susanne Strasser (Em Portugues do ...

O que é esse livro e por que as pessoas falam dele

livro muito cansado e bem acordado é um romance brasileiro que ganhou tração principalmente pelo boca a boca em comunidades literárias online e sessões de livro clubs. O tom não é pretensioso. É uma narrativa que acompanha o dia a dia de personagens comuns lidando com exaustão emocional, rotina pesada e aquelas pequenas decisões que parecem insignificantes até você perceber que mudaram tudo. O autor constrói a trama sem floreios desnecessários. Os capítulos são curtos, muitas vezes com menos de quinze páginas. Isso pode parecer uma vantagem, mas na prática funciona como uma faca de dois gumes. A leitura avança rápido demais para as cenas que precisam de mais tempo para respirar, e ao mesmo tempo a estrutura fragmentada impede que você se perca na rotina dos personagens. É exatamente o equilíbrio que o livro propõe: algo entre o sonho e o vigília, cansaço e clareza.

Como conseguir o livro muito cansado e bem acordado

Você encontra a versão impressa em livrarias físicas menores, especialmente em cidades com cena literária mais ativa como São Paulo, Porto Alegre e Recife. A versão digital está disponível nas principais plataformas, mas há uma pegadinha que pouca gente menciona. A formatação do e-book original deixa bastante a desejar. Os diálogos aparecem sem a quebra de linha padrão em algumas plataformas, o que torna a leitura cansativa mesmo quando o texto já é sobre cansaço. Passei por isso pessoalmente na primeira vez que li. A solução foi baixar a versão PDF da editora diretamente do site oficial deles, que mantém uma formatação limpa, e usar um leitor como o Moon+ Reader ou o Apple Books importando o arquivo. Se estiver no Kindle, a opção de importar por email funciona, mas desative o modo de ajuste automático de fonte porque ele quebra a intenção estilística do autor nos trechos em itálico.

O preço da versão digital gira em torno de vinte e cinco a trinta reais, dependendo da plataforma. A capa dura sai por cerca de cinquenta e cinco reais. Nada de absurdo, mas também não é barato para um livro de médio porte com capa simples.

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Por que o livro funciona no jeito que funciona

A estrutura não-linear é o que mais diferencia essa obra de outros romances contemporâneos brasileiros. Em vez de começar do início e ir até o fim, o livro alterna entre três linhas temporais diferentes: o presente de um personagem que acabou de chegar a uma cidade pequena, o passado de outro personagem que está deixando essa mesma cidade, e intercalações de third person que parecem observações externas, quase documentais. O problema que todo mundo subestima na primeira leitura é a dificuldade em mapear quem é quem. Eu anotei nomes e relações numa folha durante as primeiras trinta páginas. Não é algo que o autor peça, mas é praticamente necessário para não se perder. Depois de passadas as primeiras cinquenta páginas, o cérebro acostuma e as conexões começam a fazer sentido sozinhas, mas vale a pena antecipar esse esforço.

Outro ponto que os resenhistas costumam pular é a questão dos diálogos internos. O autor escreve pensamentos sem usar travessão ou itálico em vários momentos, deixando o texto plano propositalmente. Isso faz com que você tenha que ler com atenção redobrada para distinguir o que é fala exterior do que é fluxo de consciência. A primeira vez que passei por isso achei que era falha de formatação. Voltei três páginas, reli e entendi que estava certo. Essa é uma das características mais marcantes do estilo do autor e aparece consistentemente em todo o livro.

O que não funciona no livro

Não vou disfarçar: há pontos fracos reais. A terceira parte do livro, que abrange aproximadamente dos duzentos aos duzentos e sessenta páginas, perde o ritmo de forma perceptível. Os personagens secundários ganham destaque demais sem desenvolvimento suficiente, e o desfecho de várias tramas fica vago de propósito. O autor sabe disso e não se importa, mas se você é do tipo que quer respostas fechadas, vai sair frustrado. Uma alternativa para quem não gostou do final aberto é buscar a entrevista longa que o autor deu para a revista Cult em 2023, onde ele detalha as intenções por trás dos desfechos e explica por que escolheu não fechar certas narrativas. A entrevista está disponível gratuitamente no site da revista e complementa bem a experiência de leitura.

Pra quem esse livro realmente serve

Funciona bem para leitores que já consumiram muita literatura contemporânea brasileira e querem algo que não seja apenas entretenimento superficial. Não recomendo para quem lê livro como hobby relaxante sem querer prestar atenção. A escrita exige presença. Também não serve para quem tem pressa, porque a primeira metade é propositalmente lenta, construída para criar uma sensação de peso que só se resolve parcialmente no final. Se você quiser ler sem surpresas ruins, fuja de resumos. O livro inteiro se sustenta na experiência da leitura em si, e qualquer informação adicional sobre o enredo estraga a sensação de desorientação controlada que o autor pretende. Apenas comece a ler sem expectativa e veja o que acontece.