Escolhendo livros de desenhos: o que realmente importa na prática
A grande maioria das pessoas compra cadernos de desenho por causa da capa ou do preço baixo. O problema é que o papel define tudo. Se você gasta duas horas num desenho e o papel enrola, mancha ou repele a pressão do lápis, esse trabalho foi desperdiçado.
O que considerar antes de comprar livros de desenhos
O gramatura do papel é o fator mais ignorado. Livros com menos de 80g/m² quase sempre permitem que a ponta do grafite rasgue a fibra durante traços repetidos. Eu recomendo partir de 100g/m² para lápis e carvão, e subir para 160g/m² se for usar aguarela ou tinta nanquim. O que eu descobri na prática foi que 120g/m² é o ponto ideal para a maioria dos desenhos diários — aguenta esfuminho sem amassar e permite camadas moderadas de sombreamento. A textura do papel também importa demais. Papel virgem (como Saffiano ou Canson Mi-Teintes) tem grão perceptível que funciona bem para paisagens e traços expressivos, mas dificulta desenho realista de retrato. Já o papel liso, tipo Bristol, permite detalhes finos mas não aceita bem camadas grossas de pastel. Eu tenho um bloco Canson de 120g texturizado que uso para sketchbook de rua desde 2019, e ele aguenta ser riscado com HB, 2B e 4B sem formar sulcos profundos. Já comprei livros de desenho genéricos de papelaria barato e em dois meses o papel estava todo encrespado — parece que a cola do encadernado libera umidade com o tempo.
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Outro detalhe prático que ninguém menciona: o tamanho da espiral ou colagem. Um livro com encadernação perfeita (sem fio) tende a não abrir plano em superfícies lisas, e isso irrita bastante quando você está desenhando algo que precisa de apoio reto. Espaços em branco nas contracapas também são úteis — eu sempre deixo as últimas 4 páginas de um livro em branco só para anotações rápidas sobre técnica ou referência de cor.
Erros comuns que vejo todo dia
Pessoas compram livros com papel muito fino e tentam usar caneta piloto ou marcador por cima. O resultado é mancha irregular e o traço escorre. Para marcadores, o papel precisa ter pelo menos 160g e ser tratado para receber pigmento líquido. Se o caderno não especificar a gramatura na embalagem, desconfie. Eu testei uma marca genérica que vinha com 70g — depois de três usos com marcador, o verso já estava ilegível. Outro erro é não verificar a opacidade. Alguns livros baratos têm papel branco mas com baixa densidade, então o verso aparece através da página. Isso é especialmente problemático se você desenha nos dois lados. Minha regra simples: se o texto impresso do verso da primeira página for visível, o papel é muito fino para desenho sério.
Alternativas se orçamento for apertado
Se não dá para investir em marcas consagradas, compre blocos de papel soltos de 100g e empilhe-os com grampos. Funciona quase tão bem quanto um livro pronto, e ainda permite trocar folhas individualmente. Eu fiz isso por quase um ano antes de comprar um bloco profissional, e aprendi muito sobre como diferentes papéis respondem ao mesmo traço. O mercado brasileiro oferece boas opções como o Canson Academy, o Smudge e alguns importados da Faber-Castell. Todos acima de 100g. Evite marcas desconhecidas com preço abaixo de R$ 20 o bloco — raramente valem a pena a longo prazo.