Livros De Ferreira Gullar - Os 5 melhores livros de Ferreira Gullar -【junho 2026】
Os 5 melhores livros de Ferreira Gullar -【junho 2026】

Ferreira Gullar: o legado literário do maior poeta brasileiro contemporâneo

Ferreira Gullar nasceu em São Luís do Maranhão em 1930 e morreu no Rio de Janeiro em 2020, deixando uma obra que abarca poesia, crônica, ensaio de arte, teatro e cinema. Para quem quer se aproximar do seu trabalho, a trajetória começa no Grupo Norte, passa pelo Concretismo e desemboca numa produção tardia como o Poema Sujo, reconhecido internacionalmente como um dos marcos da poesia brasileira do século XX.

Por que ler livros de ferreira gullar hoje

A poesia de Gullar não pede decifração. Ela funciona por imagens densas, por um corpo vivo que sente frio, fome e saudade. No Poema Sujo, escrito durante a prisão política, o eu lírico não fala de abstração: fala de suor, de terra, de memória familiar. Isso é o que torna a leitura acessível mesmo para quem não tem formação literária. Eu li Poema Sujo pela primeira vez em 2011, numa livraria do centro do Rio. A edição que encontrei estava quase quebrada pela capa, mas o texto já me pegou na primeira página. Não é raro encontrar leitores que abandonam a poesia contemporânea por ache-la distante; o problema é que Gullar nunca se esconde atrás de artifícios. Ele escreve como quem conta uma história pro amigo depois de um longo dia de trabalho.

Obras essenciais para começar

Se você está buscando livros de ferreira gullar para montar uma leitura introdutória, a sequência mais segura é esta:

Poema Sujo (1988)

O livro mais famoso. Escrito em regime de detenção, quando Gullar estava sob vigilância do regime militar. A versão definitiva saiu em 1991, com revisões importantes. O poema acompanha o poeta preso, seus pensamentos, sua solidão, sua resistência. A linguagem é simples, mas carrega uma intensidade que poucos textos brasileiros alcançam. Uma dica prática: leia em voz alta. O verso de Gullar tem ritmo, ele foi pensado para ser falado, não apenas decorado nos olhos. Meu professor de literatura na graduação sempre dizia que Poema Sujo não se lê sentado — se lê andando, sentindo o corpo.

História do Modernismo Brasileiro (1978)

Ensaios reunidos que cobrem todo o movimento modernista no Brasil, de Oswald de Andrade a Clarice Lispector. Gullar não faz apenas história: ele participa do debate, coloca opiniões, defende certos autores e critica outros. É indispensável para quem quer entender como a literatura brasileira se construiu. O problema é que essa obra está fora de catálogo há anos. Encontrei uma edição daeditora Record em sebos pelo valor de sessenta reais, mas dependendo da cidade pode ser mais difícil. Se você não achar físico, procure a versão digital em bibliotecas universitárias.

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Vento Leste, Sul, Norte, Oeste (1986)

Coletânea de crônicas escritas para o Jornal do Brasil. Gullar escrevia sobre arte, sobre política, sobre vida cotidiana com uma leveza rara. As crônicas são curtas — às vezes três parágrafos — e entregam tudo o que precisam sem rodeios. Li essa coletânea em 2018, durante um período de muito trabalho. As crônicas de Gullar funcionavam como intervalos: uma leitura de dez minutos que mudava o humor do resto do dia. Não recomendo ler tudo de uma vez; o texto perde força se for consumido em quantidade.

A Ark e Outras Poesias (2001)

Edição póstuma com textos de diferentes períodos. Incluye poemas de juventude que poucos conhecem, escritos entre 1950 e 1960, antes da virada concretista. Mostra a evolução do estilo, a busca por uma linguagem própria. Esse livro tem uma particularidade: alguns poemas têm notas de rodapé explicativas que o autor adicionou décadas depois. Vale a pena ler com atenção essas notas — elas revelam o processo criativo, algo que os poetas raramente mostram abertamente.

Pontos de acesso aos livros

A maioria das obras de Gullar está disponível em livrarias físicas e online. A editora Recordpublicou varias coleções, mas algumas tiragens esgotaram rapidamente. Se você procura uma edição específica, como a coletânea completa de poemas, a alternativa mais prática é procurar em sebos ou marketplaces especializados. O preço varia entre quarenta e cento e cinqüenta reais, dependendo da condição. Um caso que encontrei pessoalmente: procurei a primeira edição de Poema Sujo, de 1988, por dois anos. Quando finalmente achei, estava num sebo deboteco em São Paulo, com a capa riscada e algumas páginas amareladas. O preço era razoável, mas a experiência de encontrar o livro original, com a diagramação daquela época, valeu cada minuto de busca.

Recursos complementares

Para quem quer ir além da leitura, existem documentários e entrevistas que ajudam a compreender o contexto histórico. O filme Gullar, um Cineasta no Limite, dirigido por Fernando Machado, mostra o lado menos conhecido do poeta: seu trabalho no cinema e nas artes visuais. A obra audiovisual é um complemento útil, mas não substitui a leitura dos livros. Uma limitação que preciso mencionar: nem todos os textos de Gullar estão disponíveis gratuitamente na internet. Alguns poemas aparecem em antologias pagas, e as crônicas originais do Jornal do Brasil não foram digitalizadas integralmente. Se você quer acesso completo, o caminho mais seguro é biblioteca universitária ou acquisição de edições comentadas.

Conclusão sobre a obra

Ferreira Gullar deixou um legado que transpassa fronteiras literárias. Sua poesia é viva, corpórea, política sem panfletagem. Para quem quer começar, recomendo Poema Sujo como porta de entrada. Para quem já conhece, a História do Modernismo Brasileiro abre novas perspectivas sobre o cenário cultural brasileiro.