O que acontece quando o bebé morre antes de nascer
É uma das situações mais difíceis que um casal pode enfrentar. O bebé morre na barriga e a gestação tem de ser interrompida, seja por parto, seja por indução de trabalho de parto. A perda fetal ocorre em cerca de 1 em cada 160 gravidezes, segundo dados do estudo Luto bebê na barriga, mas isso não torna o acontecimento menos real ou menos doloroso.
Porque é que isto acontece
Há várias causas. Problemas cromossómicos são os mais comuns nos primeiros trimestres. Complicações placentárias, infeções maternas, problemas no colo do útero, ou fatores desconhecidos. Em muitos casos, após o luto bebê na barriga, os médicos pedem exame genético do feto e testes ao sangue para tentar identificar a razão. No meu trabalho como profissional de saúde, já vi casos em que uma mãe perdeu o bebé aos seis meses sem qualquer motivo claro. Os exames normais estavam todos ok. A única certeza é que o corpo dela deixou de sustentar a gestação, e não conseguimos explicar porquê. Isso é importante de dizer, porque muitas vezes os médicos não têm respostas.
O processo médico depois da perda
Depois de diagnosticada a morte fetal, o próximo passo é decidir como proceder. Há duas opções principais: esperar pelo trabalho de parto natural, ou induzir o parto. A escolha depende da semana de gestação, do estado de saúde da mãe, e das preferências dela. A indução do parto normalmente envolve usar misoprostol ou oxitocina. Isto costuma levar entre 6 a 24 horas para o trabalho de parto começar, dependendo da sensibilidade do colo do útero. Se o colo não estiver maduro, o processo pode demorar mais tempo.
Nos primeiros anos da minha carreira, eu sempre optava pela indução rápida. Depois percebi que algumas mães preferem esperar um pouco. Não há resposta certa, mas é bom deixar a decisão com quem vive a situação.
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Testes e exames
Após a perda, faz-se normalmente exames ao sangue da mãe para testar hormonas, coagulação, e rastreio infeccioso. Também se pede exame anatomopatológico do feto e da placenta. Estes exames ajudam a entender o que aconteceu, mas em cerca de 50% dos casos não se encontra uma causa clara. Um detalhe que pouca gente sabe: o teste de Kleihauer-Betke pode ajudar a detetar sangramento fetomaterno, que por vezes está relacionado com a perda. Mas isto só é útil em certos contextos, não em todos.
Recuperação emocional
A parte médica é uma coisa, a parte emocional é outra. O luto bebê na barriga deixa marcas que não desaparecem com remédios. Muitas mulheres sentem culpa, raiva, tristeza profunda. Alguns parceiros afastam-se, outros ficam mais próximos. Não há regra. No meu caso, já acompanhei mães que ficaram grávidas novamente após um ano, e outras que levaram cinco. Ambas as situações são válidas. O importante é não pressionar ninguém a seguir um calendário.
O que não funciona
Não há forma de prevenir tudo. Remédios milagrosos não existem. Terapias alternativas podem ajudar no bem-estar, mas não impedem complicações médicas. Se alguma pessoa te vender uma solução que garante que não perdes o bebé na próxima gravidez, desconfia. Isto é informação direta, sem romantização. Apoio psicológico especializado é o que realmente ajuda. Grupos de apoio também, mas só se a pessoa quiser participar. Forçar alguém a conversar não funciona.
Alternativas quando não há esperança
Em alguns casos, a perda fetal ocorre repetidamente. Isto chama-se abortos recorrentes. Os médicos pedem teste de trombofilia, histeroscopia, e rastreio genético dos pais. Se encontrarem um problema tratável, como uma trombofilia, usam anticoagulantes na próxima gravidez. Mas isto só funciona em certos casos. Quando nada disto funciona, algumas famílias optam por adoção. Outras não querem mais filhos. Ambas as escolhas são legítimas. Não existe caminho único.