Meu Primeiro Dia Das Maes - Mensagem Primeiro Dia Das Maes - FDPLEARN
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Quando eu fiz meu primeiro dia das maes, não esperava que fosse assim

Eu ia fazer as dezessete quando minha mãe me ligou dizendo que estava chorando porque as crianças da escola tinham feito cartão pra ela. Mas eu não tinha feito nenhum. Não tinha pensado em nada. A verdade é que eu me esqueci completamente do calendário naquela semana, e só lembrei meia hora antes dela sair do trabalho. Eu corri pra uma papelaria próxima, comprei um buquê de rosas brancas que pareciam murchas porque estavam expostas ao sol na vitrine, e um chocolate meio amargo que eu não sabia se ela gostava. Quando cheguei em casa, ela estava sentada na poltrona da sala com os olhos vermelhos, ainda de pijama, porque havia passado mal na madrugada anterior. Eu entreguei as flores e o chocolate, ela abraçou minha mão e disse que tinha sentido saudade de mim durante a semana. Nós não falamos sobre o Dia das Mães por mais de três minutos. Depois ela foi fazer café.

Como eu organizei meu primeiro dia das maes sem estragar tudo

A primeira coisa que eu fiz foi pedir desculpa pelo esquecimento, e ela disse que não era importante. Eu senti que estava sendo injusto comigo mesmo, porque na verdade eu tinha planejado algo melhor semanas antes, mas a ansiedade de entregar algo perfeito me paralisou. Eu passei quatro dias inteiros remoendo se devia fazer um almoço, comprar um presente ou simplesmente ligar. No final, eu escolhi ligar. O problema é que quando você tem um único dia pra expressar algo que deveria ser constante, qualquer gesto parece insuficiente. Eu tentei escrever uma carta, mas saiu genérica demais. Eu tentei fazer um almoço, mas queimei o arroz na primeira vez. Eu tentei comprar um presente, mas tudo que eu vi parecia comprado por obrigação, não por afeto. No final, eu apenas sentei com ela na varanda, tomei café morno, e ouvimos música alta que ela não gostava mas que eu gostava. Foi isso.

Eu descobri que o Dia das Mães funciona melhor quando você para de tratar como evento e começa a tratar como oportunidade. A maioria das pessoas compra presente porque sente culpa. Eu comprei flores porque senti que precisava preencher um vácuo. Minha mãe preferiu o tempo em silêncio do que qualquer objeto na prateleira. Eu levei dois anos pra entender isso, e ainda assim me atrapalho todo ano.

O que eu fiz diferente no segundo ano

No segundo ano, eu não comprei nada. Eu apenas fui até a casa dela num sábado qualquer, cozinhei algo queimado de novo, e ficamos conversando sobre coisas aleatórias enquanto ela lavava a louça. Eu percebi que a presença física vale mais do que qualquer gesto elaborado, porque quando você está presente, você percebe detalhes que antes ignorava. Como o jeito que ela coloca o cabelo pra trás quando está pensando, ou como ela suspira antes de dormir. Eu li em algum lugar que o Dia das Mães é uma data comercializada pelo capitalismo, e talvez seja. Eu li também que a gratidão deve ser diária, e também talvez seja. A verdade é que eu só consigo fazer algo significativo uma vez por ano, e isso já diz muito sobre mim, não sobre ela. Eu tento melhorar, mas a maioria dos anos eu falho no mesmo ponto: a procrastinação me consome, e eu deixo pra última hora tudo que deveria ser feito com calma.

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Eu conheço outras pessoas que fazem coisas grandiosas no Dia das Mães, e eu sinto inveja. Eu também gostaria de fazer algo memorável, mas a maioria dos meus esforços sai morno demais. Eu prefiro a honestidade simples do que a perfeição vazia, e ainda assim me esforço demais pra parecer perfeito. Meu erro é tratar cada ano como se fosse o último, quando na verdade eu deveria tratar cada dia como se fosse o primeiro.

O que eu aprendi sobre meu primeiro dia das maes

Eu não sabia que o Dia das Mães era sobre reconhecer o esforço constante, não sobre fazer algo extraordinário uma vez por ano. Eu não sabia que a gratidão é prática, não sentimento. Eu não sabia que a presença é moeda corrente, não luxo. Quando eu finalmente entendi, já tinha passado três anos, e minha mãe já tinha esquecido minhas falhas anos atrás. Eu escrevi este texto pra lembrar a mim mesmo o que eu aprendi, e talvez pra ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo. Eu não sei se isso vai funcionar pra você, mas funcionou pra mim. Eu recomendo que você faça algo simples, mesmo que pareça pequeno. Eu recomendo que você não se cobre perfeição, porque ela não existe. Eu recomendo que você simplesmente esteja presente.

Este é o meu primeiro dia das maes registrado, e talvez seja o último que eu escrevo sobre o tema. Eu não sei o que vem depois, mas eu sei que eu farei diferente no próximo ano. Ou talvez eu faça igual, e esteja tudo bem. O importante é que eu tente, e que eu não desista. O importante é que eu lute pra ser melhor, mesmo que falhe. O importante é que eu ame, mesmo que não saiba como. Eu termino aqui, porque não tenho mais nada pra dizer. Eu agradeço a você por ter lido até aqui, mesmo que tenha sido acidental. Eu espero que este texto tenha sido útil, mesmo que não tenha sido. Eu desejo que você tenha um bom Dia das Mães, mesmo que não comemore. Eu desejo que você encontre significado no que faz, mesmo que não encontre. Eu desejo que você viva, e que eu viva junto, mesmo que sozinho.

Este foi meu primeiro dia das maes. Eu sobrevivi. Eu aprendi. Eu cresci. Eu continuarei tentando, porque é isso que eu faço. É o que eu sei. É o que resta.