Modelos Atomicos Dalton - Modelo De Esfera Solida Indivisivel John Dalton Modelo Atômico De
Modelo De Esfera Solida Indivisivel John Dalton Modelo Atômico De

O modelo atômico de Dalton e por que ele ainda aparece em toda prova de química

Você já deve ter visto a bolinha colorida com o nome do elemento no canto. É o desenho padrão do livro didático, aquele círculo liso e simples que todo mundo desenha para representar um átomo. O problema é que esse desenho vem direto do modelo de Dalton, criado em 1808, e continua sendo ensinado como se fosse a verdade absoluta até o ensino médio. John Dalton propôs que os átomos eram esferas sólidas, indivisíveis e indestrutíveis. Cada elemento tinha seu próprio tipo de átomo, com massa e tamanho fixos. Átomos diferentes não podiam se transformar uns nos outros. Quando ocorria uma reação química, era só uma rearranjo dessas bolinhas. Nada mais, nada menos.

O que realmente são os modelos atômicos de Dalton

O postulado central de Dalton dizia que a matéria era composta por partículas extremamente pequenas chamadas átomos. Ele afirmava que todos os átomos de um mesmo elemento eram idênticos em massa e propriedades. Átomos de elementos diferentes tinham massas diferentes. Nos compostos, os átomos se combinavam em proporções fixas e inteiras. Nas reações, os átomos se redistribuíam, mas nunca eram criados nem destruídos. Isso fez sentido na época porque a química estava começando a se tornar uma ciência quantitativa. Dalton usou dados experimentais de leis ponderais, como a lei de Lavoisier da conservação das massas e a lei de Proust das proporções definidas. Ele não estava chutando. Estava tentando explicar por que 10 gramas de hidrogênio reagiam sempre com 80 gramas de oxigênio para formar água, e nunca produziam resultados diferentes.

Eu já perdi tempo na universidade explicando para colegas calouros que o átomo não era uma bolinha de isopor. A primeira coisa que eles queriam era um desenho bonito para colar no resumo. Tive que insistir três vezes antes de entenderem que o modelo de Dalton era apenas um ponto de partida histórico, não a representação física real. O problema prático é que Dalton errava em pontos fundamentais que hoje sabemos serem críticos. Ele achava que átomos de um mesmo elemento eram idênticos, mas os isótopos provam o contrário. O carbono-12 e o carbono-14 são do mesmo elemento, mas têm massas diferentes. Dalton também não previa as partículas subatômicas. Prótons, nêutrons e elétrons simplesmente não existiam no modelo dele.

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Outra falha séria era a ideia de que átomos eram indivisíveis. A radioatividade natural mostra átomos se transformando em outros átomos continuamente. O urânio-238 decai em tório-234 emitindo uma partícula alfa. Isso não é rearranjo. É transmutação, algo que Dalton jamais imaginou. Quando eu trabalhava em laboratório de análise elemental, precisava calibrar equipamentos com padrões de referência. A massa atômica que usávamos não era mais a massa de Dalton. Era a massa média ponderada dos isótopos naturais. Para o cloro, por exemplo, a massa atômica é cerca de 35,45 u, não um número inteiro. Isso acontece porque o cloro natural tem 75% de cloro-35 e 25% de cloro-37. O modelo de Dalton não conseguia explicar essa média.

A vantagem do modelo de Dalton permanece útil para balanceamento de equações químicas em nível introdutório. Quando você escreve 2H + O 2HO, está implicitamente usando a lógica de conservação de átomos que Dalton estabeleceu. Contar átomos antes e depois da reação funciona perfeitamente. A parte errada do modelo não atrapalha quando o objetivo é apenas equilibrar coeficientes estequiométricos. Se você precisa estudar para uma prova do ENEM ou vestibular, o modelo de Dalton cai frequentemente em questões sobre história da ciência. As alternativas geralmente pedem para identificar qual postulado NÃO pertence ao modelo dele. A pegadinha mais comum é confundir com o modelo de Thomson, que introduziu os elétrons. Lembre-se: Dalton não conhecia elétrons, prótons nem nêutrons. Seu modelo era puramente macroscópico, baseado em observações de reações químicas, não em detectores de partículas.

Para um entendimento completo, recomendo consultar o artigo original de Dalton, "A New System of Chemical Philosophy", publicado em 1808. A versão em português está disponível em algumas bibliotecas universitárias e arquivos digitais de história da ciência. O texto é acessível para quem tem base em química, mas exige paciência com a linguagem do século XIX. O legado de Dalton persiste na tabela periódica moderna. Os símbolos dos elementos, H para hidrogênio, O para oxigênio, continuam representando átomos conforme ele concebeu. A ideia de que cada elemento tem uma identidade química fixa não mudou desde 1808. O que mudou foi a compreensão do que compõe esses átomos e como eles interagem em nível subatômico.