Música Para Filho Que Cresceu - Musica Gospel para Homenagear Filhos - Eyshila | Canção para meu Filho ...
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Por que a gente escolhe certas músicas quando o filho cresce

Eu tenho uma lista no Spotify que chamei de "trilha do Pedro". Meu filho fez dezessete anos mês passado, e eu ouvi aquela fita K7 de 1998 que eu gravava pra ele quando era pequeno. A fita era toda desgastada, o som tinha aquele chiado grave de fita velha. Eu tava tentando passar pro computador e o motorzinho do drive tá errado, então o som ficou deslizando pra frente e pra trás. O que eu fiz foi colocar uma borracha embaixo da tampa pra fazer pressão e aí funcionou. Não sei por quê, mas funcionou. Existe uma categoria que muita gente não nomeia direito: música para filho que cresceu. Não é playlist de bebê, não é trilha sonora de infância com cantigas de roda, e muito menos aqueles hits adolescentes que a gente ouvia quando eles estavam na escola. É outra coisa. É a música que você ouve e pensa que seu filho já não é mais criança, mas ainda sente falta daquela versão dele que existia.

O problema das playlists genéricas

A maioria das pessoas quando vai montar um álbum ou playlist pro filho adulto cai no básico demais. Coloca as músicas da infância do filho, coisas como "Baby Shark", "E a Mochila do Pedro", ou aquelas paródias que tocavam no rádio. Isso não funciona bem porque o filho já cresceu. Ele ouve isso e não se conecta. Ele pode até sorrir, mas a conexão emocional não é real. É obrigação, não sentimento. O que eu descobri depois de testar com meu próprio filho foi que a música certa não é necessariamente aquela que ele gostava quando criança. É aquela que você ouve e reconhece um pedacinho de vocês dois. Pode ser uma música sertaneja dos anos 2000, uma batida que tocava no carro quando a gente viajava, um rock que eu cantava mal no chuveiro. A pessoa que ouve vai sentir algo. Não precisa ter letra sobre família ou crescimento. Pode ser qualquer coisa.

Eu tenho uma lista assim há uns quatro anos. Começou sem planejarmenot. Meu filho tava estudando fora da cidade e a gente conversava por vídeo todo domingo. Um dia eu enviei um áudio com uma música. Era "As Rosas Não São Vermelhas", do Legião Urbana. Ele respondeu: "Pai, essa música aqui era a nossa." Eu não tinha lembrado que tinha tocado isso pra ele quando ele tinha doze anos. A gente estava no carro, voltando da escola, e eu coloquei no CD player. Ele cantou junto. Eu esqueci completamente. Mas ele lembrou.

Como eu monto essa seleção

Não tem receita. Eu já tentei criar um sistema, uma fórmula, e não funcionou. Cada família é um caso. Meu pai tinha uma coleção de discos de vinil que eu ouvia desde pequeno. eram coisas como MPB dos anos 70, bossa nova, alguns rock nacional. Eu nunca imaginei que aquilo tinha influência. Quando ele cresceu, percebe-se que aquilo fazia parte da identidade dele. Ele ouvia e cantava sem saber o porquê. O processo que eu uso hoje é simples. Eu sento com papel e caneta e escrevo tudo que eu lembro de músicas que eu ouvia com meu filho. Não seleciono pelo gosto dele. Seleciono pelo que eu sinto quando ouço. Eu abro o Spotify e coloco o título. Se tiver mais de uma versão, eu escolho a que eu ouvia na época. Eu anoto o ano, o artista, o álbum. Depois eu ouço e vejo se a memória bate. Se não bater, eu tiro da lista. Isso leva cerca de uma hora pra uns trinta a quarenta músicas. Eu já fiz isso duas vezes. A segunda vez levou trinta minutos porque eu já sabia o padrão.

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Eu tenho uma exceção que eu gostaria de compartilhar. Meu filho não gosta de sertanejo. Eu pensei que isso ia ser um problema. Mas quando eu coloco aquelas músicas que eu ouvia com ele quando ele era pequeno, ele para e escuta. Ele não diz nada. Mas ele escuta. A conexão não é pelo gênero. É pela memória. Eu já tentei explicar isso pra minha esposa e ela não entendeu. Ela disse que era coincidência. Eu disse que não era. Foi uma combinação de acaso e memória. Eu não sei explicar melhor.

O que funciona na prática

Eu já testei diversas abordagens. A primeira foi criar uma playlist cronológica. Música do ano em que ele nasceu, música do ano em que ele fez cinco anos, música do ano em que ele fez dez. Isso não funciona bem porque a criança não se lembra. Ela ouve e não conecta. O que funciona é o oposto. Música que você ouvia com ela, independente da idade. Música que estava no carro, música que tocava na cozinha, música que você cantava no banho. Isso gera reconhecimento imediato. Eu tenho uma dica que pode parecer contra-intuitiva. Não use as músicas que ele gostava quando adolescente. Ele pode ouvir e não gostar. Ele pode até torcer o nariz. A música certa é aquela que você ouvia quando ele era pequeno, mesmo que naquela época ele não prestasse atenção. Ele se lembra sem saber o porquê. Isso é estranho, mas funciona.

Eu já fiz isso com meu próprio filho. Ele tava em casa e eu coloquei uma música. Era "Águas de Março", do Elis Regina com Tom Jobim. Ele parou e disse: "Essa música aqui era a nossa." Eu não tinha lembrado. Mas eu tava ouvindo no carro, voltando da escola, e ele cantou junto. Eu esqueci. Mas ele lembrou. Isso aconteceu há sete anos. Eu ainda não entendi por quê. Mas eu sei que funciona. O problema é que isso não serve pra todo mundo. Eu já tentei explicar pra amigos e eles não entendem. Eles dizem que é nostalgia. Eu disse que não é. É memória afetiva. Eu não sei explicar melhor. Mas eu sei que funciona quando você ouve e sente algo. Não precisa ser grande coisa. Pode ser um pedacinho. Pode ser um instante. Pode ser uma música.

Download e acesso

Eu não tenho um link pronto. Eu sempre disse que não vou colocar link porque não tenho como garantir que funcione. Eu já tentei outras vezes e deu erro. O que eu faço é simplesmente enviar o áudio. Eu uso WhatsApp, eu mando o áudio com a música. Se não funcionar, eu mando de novo. Eu já fiz isso umas dez vezes. Funciona nove vezes. Uma vez não funcionou porque o som estava cortado. Eu refiz e funcionou. Se você quiser fazer algo parecido, eu recomendo que você comece pequeno. Trinta músicas é suficiente. Não exagera. Eu já fiz listas com cem músicas e ficou ruim. A pessoa ouvia e não conectava. O ideal é entre vinte e cinquenta músicas. Isso leva cerca de duas horas pra montar. Eu já fiz isso em um sábado. Achei que ia demorar mais, mas não demorou. Euparei quando eu senti que tinha chegado no ponto certo. Não tem como explicar melhor. É instinto.

Eu gostaria de finalizar dizendo que isso não é para todo mundo. Eu já tentei forçar e não funcionou. Eu tenho um amigo que fez isso com a filha e ela não gostou. Ele disse que era culpa dela. Eu disse que não era. Era falta de conexão. Eu não sei explicar melhor. Mas eu sei que funciona quando você ouve e sente algo. Não precisa ser perfeito. Pode ser imperfeito. Pode ser natural. Pode ser simples. O que eu aprendi depois de anos trabalhando com isso é que música para filho que cresceu não é playlist. É memória. É algo que você ouve e sente que seu filho ainda é pequeno, mesmo ele já sendo adulto. Isso é estranho, mas funciona. Eu já vi pessoas chorarem ouvindo essas músicas. Eu já vi pessoas sorrirem. Eu já vi pessoas não sentirem nada. Isso é normal. Cada pessoa é um caso. Eu não posso garantir que vai funcionar pra você. Mas eu posso garantir que vale a pena tentar.