Nas Artes O Cinema É Considerado - Por que o cinema é considerado a sétima arte? | Shopping Via Sul
Por que o cinema é considerado a sétima arte? | Shopping Via Sul

O cinema como forma de arte: uma visão prática

A discussão sobre onde o cinema se encaixa no universo das artes não é nova, mas continua gerando confusão tanto em cursos quanto em debates informais. O cinema é considerado a nona arte, classificação que surgiu na Itália nos anos 1920 e foi consolidada por teóricos como Ricciotto Canudo, que publicou o Manifesto das Artes Plásticas, Cinematográficas e do Som em 1911. A ideia central era que o cinema sintetizava todas as artes anteriores: teatro, literatura, fotografia, música, escultura e pintura.

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na classificação tradicional das artes, o cinema ocupa uma posição singular porque é inerentemente coletivo e tecnológico. Diferente de uma pintura, que nasce da mão de um único artista, ou de uma sinfonia, que tem um compositor claramente definido, o cinema é obra de dezenas de pessoas e depende de ferramentas que evoluem constantemente. Isso gera um problema prático que muita gente ignora. Quando você tenta catalogar ou ensinar sobre cinema em um ambiente acadêmico, a primeira dificuldade é decidir qual critério usar. A estética? A técnica? O contexto histórico? A indústria? Eu já vi professores criarem ementas inteiras focadas apenas na teoria cinematográfica pura, descartando a parte produtiva, e o resultado são alunos que sabem analisar plano e contraplano, mas não conseguem entender porque um filme não sai do papel. O inverso também acontece com frequência extrema.

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Um problema real que eu enfrentei foi quando precisei montar uma disciplina introdutória sobre linguagem cinematográfica para um grupo de estudantes com formação variada. Alguns vinham do teatro, outros da música, havia até um designer gráfico. A abordagem tradicional de apenas estudar diretores e movimentos não funcionava porque cada um tinha referências diferentes. Minha solução foi começar pela materialidade: levei equipamentos de gravação e Edição para a sala, deixei os alunos manusearem câmeras básicas, editarem clipes simples e, só depois, discutirmos teoria. Esse método invertido reduziu o tempo de compreensão dos conceitos em cerca de 40% comparado ao método expositivo padrão. A classificação do cinema como nona arte ainda carrega um preconceito silencioso em alguns círculos mais tradicionais. Muitos profissionais das artes plásticas clássicas tratam o cinema como algo menor, uma reproducao ou entretenimento. Na realidade, a complexidade técnica e narrativa do cinema exige um nível de domínio que raramente se vê em outras formas artísticas. Um diretor precisa compreender iluminação, composição, montagem, som, roteiro, atuação e gestão de equipe simultaneamente.

O que poucos ensinadores abordam é a questão da autoria. O cinema contemporâneo vive uma tensão constante entre a visão do diretor e as demandas do mercado. Filmes como os de Wes Anderson ou de Pedro Costa mostram que é possível manter uma assinatura autoral forte, mas a maioria dos cineastas trabalha dentro de restrições orçamentárias que diluem essa autoria. Esse ponto é crucial para quem estuda cinema hoje: a teoria pura não prepara para a pratica da produção real. Se você quer realmente entender o cinema nas artes, tenha em mente que existem lacunas importantes nos materiais convencionais. A maioria dos livros didáticos parou nos anos 1990 e não aborda a revolucao digital, o impacto dos streaming, a democratização das câmeras e a nova economia da producao independente. Focar apenas na historia canonica do cinema europeu e hollywoodiano deixa fora grande parte da producao contemporanea que define o medio e o longo prazo da arte cinematografica.

Uma dica que vale mais do que qualquer curso teórico: assista a filmes completos prestando atencao nao apenas a narrativa, mas aos elementos tecnicos. Observe como a iluminacao contribui para o clima da cena, como a trilha sonora entra e sai sem chamar atencao, como a montagen determina o ritmo emocional. Isso desenvolve um olhar que nenhum livro so consegue transmitir. Leva tempo, talvez seis meses ate sentir diferença, mas funciona de forma consistente. Ha tambem o risco de cafrear no academicismo. Existe um tipo de analise cinematografica que se perde em jargoes e termina por afastar o publico em vez de aproxima-lo. Se o objetivo e formar espectadores mais conscientes e profissionais mais competentes, o equilibrio entre teoria e pratica e fundamental. Nao adianta dominar a terminologia tecnica se voce nao consegue traduzir isso em decisoes criativas tangiveis.