Os nomes dos dentes humanos: um guia prático
Quando eu comecei a estudar odontologia, achei que saber os nomes dos dentes seria coisa fácil. Dentes incisivos, caninos, molares... até que o professor pediu para identificar cada um num modelo e eu travou na hora. A nomenclatura técnica parece simples até você precisar usá-la no dia a dia clínico, seja na anotação de um prontuário ou na explicação para um paciente.
Nome dos dentes humanos: a numeração que todo mundo usa
Existem basicamente dois sistemas. O sistema FDI, que é o mais comum no Brasil, divide a boca em quatro quadrantes numerados de 1 a 4 no permanente e de 5 a 8 no decíduo (de leite). O dente 11 é o central superior direito, o 21 é o central superior esquerdo, e assim por diante. No decíduo, os centrais superiores são o 51 e 61. É fácil confundir na primeira vez, mas depois vira automática. O outro sistema, o de Palmer, usa um símbolo de cruz nos meios e números de 1 a 8 para os dentes posteriores, com letras A a E para os de leite. Ele é mais visual, mas depende muito da escrita à mão em fichas de papel. Eu mesma ainda uso Palmer em alguns cadernos porque facilita ver a arcada inteira de relance.
Quantos dentes temos e como se dividem
No adulto, são 32 dentes permanentes. Na criança, 20 dentes decíduos. Cada meio da boca tem 8 dentes permanentes ou 5 decíduos. A divisão por tipo funciona assim: dois incisivos centrais, dois incisivos laterais, um canino, dois pré-molares e três molares. No decíduo, não existem pré-molares nem terceiros molares; no lugar dos pré-molares vêm os primeiros e segundos molares de leite, identificados por letras. Achei estranho no início que os caninos recebessem esse nome, já que não têm nada a ver com presas de animais. O termo vem do grego kannē, que significa "o que marca", porque eles marcam a transição entre os dentes dianteiros e os posteriores. É uma curiosidade que os pacientes adoram saber quando você explica.
Incisivos: os dentes do corte
Os incisivos são os quatro dentes mais à frente em cada hemiarca. São dois centrais e dois laterais. Servem para cortar os alimentos. Os centrais são maiores e mais largos, os laterais um pouco menores. A borda livre tem três pequenos relevos chamados mamelões nos denteserptos, que desaparecem com o uso da mastigação. Se um adulto ainda mostra mamelões, pode indicar bruxismo ou contato prematuro. Um detalhe que muita gente não sabe: o incisivo central superior é frequentemente o maior dente da arcada. Em casos de discrepancies, ele que define a largura do sorriso. Quando fiz minha primeira restauração estética num paciente com fratura do 11, levou mais tempo do que o esperado só por causa da morfologia desse dente em específico.
Caninos: os pilares do sorriso
O canino fica logo após o incisivo lateral. É o dente com a raiz mais longa de toda a boca, o que o torna o mais firme. Por isso, os cirurgiões bucomaxilofaciais muitas vezes o usam como pino em próteses quando há perda óssea. A crown tem formato cônico e a borda oclusal pontiaguda. Na numeração FDI, os caninos superiores são o 13 e 23. Os inferiores são o 43 e 33. Lembre-se que o quadrante 1 é superior direito, 2 é superior esquerdo, 3 é inferior esquerdo e 4 é inferior direito. Isso evita confusão na hora de ler uma radiografia panorâmica.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Pré-molares: a zona de transição
Existem dois pré-molares em cada quadrante a partir do canino. O primeiro pré-molar tem geralmente duas cúspides e uma fossa central. O segundo pré-molar é um pouco mais arredondado. Eles substituem os molares de leite na troca dentária. É comum os pais confundirem quando o dente de leite cai e surge um pré-molar no lugar, achando que é outro dente de leite. No sistema FDI, os primeiros pré-molares superiores são 14 e 24, os segundos 15 e 25. Os inferiores são 44, 34, 45 e 35. Quando fiz minha primeira endodontia num primeiro pré-molar superior, fiquei impressionada com a complexidade radicular. Esse dente pode ter duas raízes ou até um canal em forma de C, o que exige cuidado extra no preparo e preenchimento.
Molares: os responsáveis pela mastigação
Os molares são os dentes mais posterior. Cada hemiarca permanente tem três: primeiro, segundo e terceiro molar. O primeiro molar permanente é frequentemente o mais importante clinicamente porque é o primeiro dente permanente a erupcionar, por volta dos 6 anos. Ele tem quatro ou cinco cúspides e uma superfície oclusal ampla. Os terceiros molares são os conhecidos como dentes do siso. Muitos pessoas nunca os desenvolvem ou eles ficam retidos. Na numeração FDI, o primeiro molar superior direito é o 16, o segundo 17, e o terceiro 18. Os inferiores seguem a mesma lógica nos quadrantes 3 e 4.
Um problema real que encontrei: o primeiro molar permanente é extremamente suscetível a cárie devido às fossas e fissuras profundas. A selagem dessas fissuras logo após a erupção pode reduzir o risco de cárie em até 80% nos primeiros dois anos. Isso não é apenas teoria; vi pacientes que não tiveram selagem desenvolverem lesões profundas em poucos meses.
Dentes decíduos: a diferença que importa
Os dentes de leite têm a mesma divisão em tipos, mas só existem 5 por quadrante. Não há pré-molares nem terceiros molares. Os molares de leite são identificados por letras A a E na notação de Palmer. No sistema FDI, a numeração vai de 5 a 8 nos quadrantes superiores e de 6 a 8 nos inferiores, mas os profissionais mais experientes ainda usam letras para evitar confusão. A cor dos dentes decíduos é mais esbranquiçada e opaca que a dos permanentes. O esmalte é mais fino, o que torna a sensibilidade mais comum. Quando um dente de leite causa dor, muitas vezes é porque a cárie já atingiu a polpa. Tratamentos conservadores nesse estágio são inviáveis; a extração ou tratamento endodôntico são as opções.
Códiigos de localização na prática clínica
Na hora de preencher uma ficha odontológica, a precisão da numeração é essencial. Um erro no quadrante pode levar a um procedimento no dente errado. Eu já vi casos assim em prontuários antigos de colegas, onde o número 26 foi anotado como 16. O tratamento foi feito no dente errado e só foi descoberto na revisão de imagem. O padrão recommendation é usar sempre a numeração FDI completa com dois dígitos. Escrever 11 em vez de 1 é uma abreviação perigosa. Em prontuários eletrônicos, muitos sistemas aceitam a numeração simplificada, mas isso deve serEvitado na comunicação entre profissionais.
Quando consultar o dentista sobre seus dentes
Uma consulta de rotina a cada seis meses permite identificar problemas precocemente. Câries iniciais, desgastes, problemas na gengiva e até lesões mucosas podem ser detectados antes de evoluir. Se você notar sensibilidade em um dente específico, dor ao mastigar ou sangramento gengival recorrente, não espere a próxima consulta marcada para o ano que vem. A prevenção é sempre mais barata e menos invasiva que o tratamento. Um preventivo com flúor dura minutos e custa uma fração de uma restauração. Selagem de fissuras é outro procedimento rápido que evita muito trabalho futuro. O investimento tempo e dinheiro é pequeno comparado ao que se evita.