Entendendo coordenadas geográficas na prática
A altitude é a distância vertical de um ponto em relação a um nível de referência, geralmente o nível médio do mar. A latitude é a distância angular, medida em graus, de um ponto qualquer sobre a superfície terrestre até o plano do equador. Tudo bem, essas são definições de livro didático. O que acontece no campo é diferente. A gente costuma confundir os dois conceitos porque ambos usam a palavra "altitude" em contextos diferentes. Altitude geométrica, altitude ortométrica, altitude elipsoidal... cada uma delas tem um referencial distinto e usar a errada pode te dar um erro de vários metros, dependendo do tipo de projeto.
o que é altitude e latitude
Latitude varia de 0 graus no equador até 90 graus nos polos, norte ou sul. É uma medida angular simples, mas a coisa complica quando você começa a trabalhar com coordenadas reais. O sistema WGS84 é o padrão mais comum, aquele usado pelo GPS. Ele define um elipsoide como referência, não uma esfera perfeita. A Terra não é redonda. Já sabia disso, mas na prática esquecemos. Altitude também parece simples até você medir. O problema é que "nível do mar" não é uniforme. O geóide, que é o modelo do nível médio do mar estendido sob os continentes, tem irregularidades. Na Amazônia, a diferença entre o geóide e o elipsoide pode chegar a perto de 100 metros. Se você pega uma altitude elipsoidal e acha que é altura acima do nível do mar real, seu projeto de drenagem ou construção pode sair errado.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
No meu trabalho, já perdi um dia inteiro corrigindo levantamento topográfico porque usei altitude elipsoidal como se fosse ortométrica. O GPS do colega dava valores no referencial WGS84, eu tratava como se fossem cotas reais de terreno. A vala de drenagem ficou num lugar completamente errado no mapa. A correção foi aplicar a deflexão do vertical, que basicamente é a diferença entre o geóide e o elipsoide naquela coordenada específica. Hoje em dia isso entra direto no software de processamento, mas antigamente fazia-se manualmente com grades de separação do geóide do IBGE. O ponto chave que muita gente não pega é que latitude e longitude dão posição horizontal, mas não dizem nada sobre a altura. Um drone que voa a 100 metros de altitude elipsoidal pode estar voando a 40 metros ou a 140 metros acima do terreno real, dependendo de onde você está no Brasil. Isso importa muito para mapeamento aerofotogramétrico, planejamento de voo e coisas do tipo.
Também tem a questão dos sistemas de referenciais. O SAD69 e o SIRGAS2000 não são a mesma coisa, mesmo que as coordenadas parecidas. A diferença entre eles pode ser de até 80 metros em algumas regiões. Se você misturar dados de uma base com coordenadas no SAD69 e outra no SIRGAS2000 sem fazer o datum transform, o resultado final vai ter descontinuidade. Já vi documento técnico onde os imóveis apareciam sobrepostos porque uma planta era de 1987 no SAD69 e a outra era recente no SIRGAS2000, e ninguém havia convertido. Para quem precisa só de uma resposta rápida: latitude indica quão perto ou longe você está do equador, altitude indica quão alto você está em relação a um referencial. Mas na prática, o importante é saber qual referencial está usando e se ele é compatível com o resto dos dados do projeto. Sem isso, qualquer coisa que dependa de posição exata — desde uma obra civil até uma sobreposição de camada SIG — vai apresentar erros que podem ser silenciosos e caros.
Se o seu uso é mais simples, como navegação ou localização em app, o GPS com WGS84 resolve e a altitude geralmente não é crítica. Se é para engenharia, topografia ou geoprocessamento, trate altitude e latitude como grandezas independentes que precisam de referencial explícito, não como valores prontos que você copia e cola de uma ferramenta para outra.