O que são arados e como funcionam na prática
Arados são equipamentos agrícolas destinados ao revolvimento do solo. Eles cortam, levantam e fragmentam a terra para preparar o canteiro onde as sementes serão semeadas. Parece simples, mas existem nuances que todo operador precisa saber antes de colocar um nesses campos. A ideia por trás do arado é mecânica e antiga: você empurra uma lâmina contra o solo e ela vira a camada superficial. O resultado depende de vários fatores — tipo de solo, profundidade de trabalho, velocidade de operação e se o terreno tem pedras ou raízes. Um arado mal ajustado compacta o solo em vez de preparar ele.
Tipos principais de arados
O arado de aiveca (moldboard) é o mais tradicional. Ele tem uma superfície curva que corta o solo e o virá completamente para o lado. Ideal para solos argilosos e com pouca presença de palha. Esse é o que dá aquela aparência clássica de terra revolvida. Os arados de disco funcionam com uma ou mais lâminas côncavas de aço que giram livremente. São melhores para solos com mais resíduos vegetais, onde o arado de aiveca entope rápido. Disca melhor em terrenos secos e duros, mas deixa o solo menos bem fragmentado que o de aiveca.
Os arados de grade de discos ou arados rotativos trabalham o solo em camadas mais profundas, sem necessariamente virá-lo completamente. São úteis quando o objetivo é apenas fraturar a camada superficial e misturar resíduos à terra.
Como escolher e ajustar um arado
Antes de pensar em qual comprar, observe o seu solo. Se for arenoso e seco, qualquer arado funciona. Se for argiloso e úmido, evite arados de disco — eles entopem e não cortam direito. Nesses casos, o de aiveca é mais eficiente. A profundidade de trabalho varia de 15 a 30 cm para arados comuns. Para o de aiveca, 20 cm é um bom ponto de partida. Profundidade maior exige mais potência e não necessariamente traz benefício — pelo contrário, pode levar a camadas compactadas logo abaixo da superfície que prejudicam o crescimento das raízes.
O ajuste do nivelamento é crítico. Se o arado ficar inclinado, ele vai enterrar mais de um lado e raspar do outro. Isso causa trabalho irregular e aumenta o desgaste prematuro. Use os parafusos de regulagem e verifique com uma prancha nivelada apoiada no quadro de tração. A velocidade de transporte também importa. Arados trabalham normalmente entre 4 e 8 km/h. Ir mais rápido gera revolvimento superficial e deixa o solo mal preparado. Mais devagar consome combustível desnecessariamente sem ganhar qualidade.
Problemas comuns e soluções práticas
Um dos problemas que mais vejo é o entupimento de arados de disco em solos com muita palha. Já tive um cliente que estava perdendo 40% da capacidade do trator só porque o arado de disco estava enchendo de palha e travando. A solução foi trocar para um modelo com discos maiores (56 cm de diâmetro) e aumentar a distância entre as linhas de discos para 45 cm. O fluxo de palha melhorou drasticamente. Outro problema frequente é o desgaste desigual dos discos. Se o trator puxar sempre na mesma direção, um lado do disco gasta mais. Vire o arado a cada campanha e gire os discos quando possível. Isso estende a vida útil em pelo menos 30%.
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Arados antigos de aiveca sofrem com a corrosão interna da aiveca. O aço é fino ali e a umidade do solo desgasta rápido. A manutenção inclui lixar e aplicar verniz anticorrosivo na parte interna a cada duas campanhas. Custa pouco e evita a substituição antecipada.
Manutenção básica que faz diferença
Após o uso, limpe todo o resíduo de terra e palha. Deixe secar ao sol antes de guardar. Lubrifique os mancais dos eixos e dos discos pelo menos uma vez por semana durante a safra. Rolamentos secos são a principal causa de quebra inesperada no campo. Verifique os pinos de fixação dos discos. Quando folgados, os discos batem no quadro e causam trincas. Troque pinos gastos por novos e use arruelas de pressão se necessário.
O sistema de suspensão e tração precisa de atenção especial. Os buchas dos braços de suspensão desgastam com o tempo e geram folga. Folga aqui faz o arado puxar torto e desregular a profundidade. Troque buchas desgastadas e nunca use arruelas como compensação — isso só disfarça o problema até algo quebrar.
O mito do revolvimento profundo como regra
Existe uma crença de que quanto mais fundo o arado trabalhar, melhor. Não é verdade. Solo revirado demais perde estrutura, expõe camadas subsuperficiais estéreis e acelera a erosão. O ideal é revolver apenas a camada onde as raízes principais vão se desenvolver. Para a maioria das culturas, isso significa 15 a 20 cm, não 30 cm. Além disso, o revolvimento profundo em excesso mata a biologia do solo. Microorganismos e minhocas que vivem nas camadas mais profundas são levados para a superfície e morrem. O solo vivo é mais estruturado e retém mais água — algo que o arado mal regulado destrói em uma única passagem.
Em muitos casos, o subsolador (que fratura o solo sem virá-lo) é uma alternativa melhor que o arado convencional. Ele quebra a camada compactada sem misturar as camadas e preserva a matéria orgânica da superfície. Use subsolador quando o solo estiver compactado por tráfego repetido de máquinas, não quando simplesmente quiser "revolver mais".
Considerações finais sobre o que é arados
Entender o que é arados vai além de saber o nome do equipamento. É compreender como ele interage com o solo, como ajustar para o seu caso específico e quando realmente precisa usar um em vez de outra ferramenta. Não existe configuração universal — o que funciona num solo argiloso da região sul não funciona num solo arenoso do sertão. O investimento em um arado de qualidade com ajustes adequados paga-se em redução de consumo de combustível e maior produtividade. Um arado barato mal regulado pode aumentar o custo operacional em até 25% por safra devido ao excesso de passes necessários e ao desgaste acelerado dos componentes.
Se o seu solo é bem estruturado e você pratica rotação de culturas com cobertura vegetal permanente, considere reduzir o uso de arado. O plantio direto mantém a estrutura do solo e elimina a necessidade de revolvimento anual. O arado ainda tem seu lugar — especialmente em solos degradados que precisam ser recuperados — mas não é ferramenta obrigatória em todos os sistemas de produção.