O Que É Concordancia Nominal E Verbal - Concordância Verbal e Nominal: o que é, exemplos e exercícios ...
Concordância Verbal e Nominal: o que é, exemplos e exercícios ...

A regra básica (e por que todo mundo erra)

O assunto aparece todo ano em processos seletivos, edições e revisões de texto. A maioria das pessoas acha que concordância é só um monte de regra chata pra decorar. Na prática, é muito mais sobre sentido e estrutura do que sobre memória. Quando eu revisava contratos e manuais técnicos, o erro mais comum não era grafia — era a pessoa não perceber que o sujeito tinha mudado no meio do período. Vou começar explicando o que na verdade importa primeiro, e depois volto pra definição formal. O fundamental é: o verbo concorda com o sujeito em pessoa e número, e o adjetivo (ou nome) concorda com o substantivo em gênero e número. Simples assim. O problema é que o português tem armadilhas óbvias que parecem regras à parte, mas são só consequências da estrutura. Exemplo clássico: "Fazem dois anos que não o vejo." Isso está errado porque "fazer" no sentido de tempo é impessoal. O correto é "Faz dois anos que não o vejo." Já vi gente levar horas num texto pra encontrar esse erro porque o cérebro ignora verbos irregulares em construções temporais.

O que é concordancia nominal e verbal: a definição prática

Concordância nominal é o ajuste de palavras que acompanham um substantivo — adjetivos, artigos, pronomes, numerais — para que combinem em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural). Concordância verbal é o ajuste do verbo em relação ao sujeito em pessoa (1ª, 2ª, 3ª) e número (singular/plural). Isso soa como coisa de livro didático. Mas o que acontece no dia a dia é bem diferente. Na revisão de um relatório técnico, por exemplo, me deparei com uma construção do tipo "A equipe e o coordination estão comprometidos." O erro aqui é de concordância nominal disfarçado: "coordination" é estrangeiro e o adjetivo deveria estar no masculino por padrão, mas o mais grave é que a estrutura "A equipe e o coordination" cria um sujeito composto que exige o plural "comprometidos" no verbo, não no adjetivo que já estava no plural por acaso. Corrigi para "A equipe e o coordination estão comprometidos," mantendo o plural nos dois, mas a lição foi que o olho treinado identifica o problema pela leitura em voz alta, não pela regra decorada.

Outro ponto que ninguém ensina direito: a concordância pode ser ideológica, não apenas gramatical. Quando você tem sujeito colectivo como "a população," o verbo pode ficar no singular ("A população votou") ou no plural ("A população votaram"), dependendo se você enxerga o colectivo como uma unidade ou como indivíduos. Ambos são aceitos, mas a inconsistência dentro do mesmo texto é o que realmente chama atenção negativa. Em documentos formais, eu recomendo escolher um padrão e manter até o final.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

As armadilhas que realmente importam

Tem três situações em que até revisores experientes tropeçam. A primeira é a questão do "goza" e verbos similares na terceira pessoa. "Ele goza de boa saúde" — aqui o "de" é parte da regência, não do sujeito. Muita gente tenta fazer o verbo concordar com algo que não é sujeito e acaba confundindo a estrutura toda. A segunda armadilha envolve expressões partitivas como "um dos que." "Ele é um dos que mais trabalham." O verbo fica no plural porque o relativo "que" se refere a "os que," não a "um." Já vi editores deixarem no singular por intuição errada, achando que o sujeito seria "um." A lógica é: quem trabalha são vários, não um só.

A terceira é a concordância com "mais de um." Quando o significado é reciprocidade, o verbo vai pro plural: "Mais de um participante se entreolharam." Quando é simplesmente quantidade, fica no singular: "Mais de um participante chegou atrasado." A diferença é sutil mas decisiva, e só se pega lendo com atenção ao sentido, não à forma. Na prática editorial, o que eu faço é uma técnica simples: isolar o núcleo do sujeito. Se o sujeito é "os resultados da pesquisa realizada," o núcleo é "resultados" (plural), então o verbo vai pro plural, independentemente de tudo o que vem no meio. Isso resolve cerca de 80% dos erros de concordância verbal que aparecem em textos técnicos. O restante geralmente envolve casos mais específicos que exigem consulta a gramáticas de referência.

Quando a concordância falha (e o que fazer)

Não existe regra que cubra tudo. O português tem exceções suficientes pra qualquer manual ficar grosso demais pra consultar. Um caso real que enfrentei: num edital de concurso, a banca considerou errado "A maioria dos candidatos nãocompareceu" porque some insistia que deveria ser "nãocompareceram." Na verdade, ambas as formas são aceitas — "a maioria" pode ser singular ou plural. A banca estava simplesmente equivocada, e não havia como recorrer baseado apenas na gramática normativa. O que eu fiz foi anotar o padrão da banca e ajustar futuros treinos de acordo com essa preferência específica, mesmo sabendo que linguisticamente ambas estavam corretas. Em contextos profissionais, às vezes a correção não é sobre o certo ou errado — é sobre o que o avaliador espera. Outro limite importante: concordância nominal com adjetivos que variam de gênero. Palavras como "médico/medica," "estudante" (bisexo), "vítima" — essas não seguem padrão claro. A solução prática é verificar no dicionário antes de escrever, especialmente em textos formais onde um erro desses pode comprometer a credibilidade do documento inteiro. Leva talvez trinta segundos por palavra, mas evita correções posteriores que levam minutos ou horas dependendo do tamanho do texto.

Se você precisa de um resumo rápido pra consultar enquanto trabalha, o melhor é ter uma gramática de referência aberta numa aba separada. Recomendo a do Cegalla ou a do Bechara, dependendo do seu nível de detalhe necessário. Não adianta decorar regras — adianta saber onde procurar quando o caso não é óbvio. A maioria dos erros de concordância que vejo no dia a dia são de pessoas que tentaram aplicar uma regra decorada num contexto que não se encaixa. A solução nunca foi decorar mais; foi entender menos e consultar mais.