Quando usar o infinitivo na prática
O infinitivo impessoal é basicamente a forma do verbo que não se flexiona em pessoa e número. Ele aparece quando o sujeito não está determinado ou quando a oração funciona como substantivo — objeto direto, complemento nominal, sujeito abstrato. O jeito mais rápido de identificar é testar a substituição por um pronome oblíquo ou pelo "isso". Se a frase mantém o sentido, tá sendo usado como substantivo, e a regra vale. Na prática, ele se liga a preposição na maioria das vezes. Verbos como pôr, mandar, fazer, obrigar, permitir costumam regê-lo. "Fizemos os meninos saírem cedo" — aqui tem sujeito determinado ("os meninos"), então vira infinitivo pessoal. Troque para "Foi necessário sair cedo" e não tem quem realize a ação explicitamente, o verbo fica impessoal.
O que é infinitivo impessoal e por que causa confusão
A confusão acontece porque o português tem duas formas de infinitivo que se parecem mas funcionam de modo diferente. O impessoal é invariável: "é preciso chegar", "antes de partir". O pessoal flexiona: "é preciso que se chegue", "não vi os alunos chegarem". Muitos estudantes misturam porque a gramática tradicional ensina as regras de forma isolada, sem mostrar quando uma ou outra é necessária pela estrutura sintática. Um detalhe que raramente explicam: o infinitivo impessoal pode funcionar como sujeito de orações com verbos de ligação ou existenciais. "Correr faz bem à saúde." "É necessário estudar." Em ambos os casos, o verbo no infinitivo ocupa função nominal. Quando você traduz para o inglês mentalmente, aparece o "to + verb", mas essa equivalência engana porque o inglês não tem essa divisão entre impessoal e pessoal do jeito que o português tem.
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Me deparei uma vez com um cliente traduzindo um documento jurídico que continha "Fica determinado o comparecimento dos interessados, sob pena de multa, para efetuar o pagamento da taxa no prazo de cinco dias". A pergunta era onde entrava o infinitivo. A resposta está em "efetuar o pagamento" — é um infinitivo impessoal regido por "para", funcionando como adjunto adverbial de finalidade. Tentei aplicar a regra do sujeito determinado primeiro, mas não havia sujeito explícito nem implícito ligável diretamente ao verbo. A solução foi tratar "para efetuar" como uma unidade sintática independente, o que cortou o tempo de análise em uns 40%. Outro ponto que gera erro recorrente: orações iniciadas por "se" com infinitivo. "Não se deve faltar." "Não se deve tocar." Às primeira vista parece impessoal, mas o "se" aqui é partícula apassivadora ou indeterminadora do sujeito, e isso muda tudo. O infinitivo permanece no singular porque concorda com o sujeito passivo ou porque o "se" indetermina. Errei isso em um laudo técnico e precisei refazer três páginas inteiras.
O limitante real é que o infinitivo impessoal não carrega informação temporal por si só. Ele ganha tempo a partir do contexto ou de conectores. "Antes de sair" indica anterioridade. "Para obter resultados" indica finalidade. Mas "Chegar amanhã" pode significar ordem, previsão ou desejo, dependendo de tudo ao redor. Por isso, na análise sintática apressada, dá para subestimar a carga semântica que esse uso transmite. Se o texto exige precisão temporal, o recommended é usar o subjuntivo ou uma oração subordinada explícita em vez de confiar no infinitivo sozinho.