O Que É O Choro - População pode se manifestar sobre o Choro como Patrimônio Cultural do ...
População pode se manifestar sobre o Choro como Patrimônio Cultural do ...

O que realmente é o choro

O choro é um gênero instrumental brasileiro que nasceu no Rio de Janeiro na década de 1870. As origens estão ligadas às sessões de música de salão que se popularizaram depois da abertura dos portos e da influência da música europeia, especialmente polcas, valses e habaneras. Os músicos brasileiros pegaram essas formas e adaptaram com sincopação e uma sensibilidade rítmica própria que deu origem ao que chamamos de choro hoje. O nome vem do verbo chorar. A expressão "chorar o defunto" era usada para descrever a intensidade emocional da música. Não é chorar no sentido literal de tristeza, mas sim uma característica expressiva que os instrumentistas desenvolveram, especialmente nos solos de flauta e cavaquinho.

O que é o choro e como ele funciona na prática

A estrutura melódica do choro segue padrões harmônicos bem definidos. A maioria das músicas usa progressões em tom maior com subdominantes e dominantes secundárias. O padrão típico é o esquema AABB, onde cada parte tem 16 compassos. Isso parece simples até você tentar tocar de verdade e perceber que as variações melódicas sobrepostas exigem coordenação diferente do que se encontra em outros gêneros brasileiros. O cavaquinho é o instrumento central. Ele não acompanha no sentido tradicional. O cavaquinho toca o que os músicos chamam de "violão 7ª" ou simplesmente linha rítmico-harmônica, fazendo a contra-melodia enquanto o grupo toca a melodia principal. A flauta transversal geralmente leva o tema. O violão faz a base harmônica com batidas características chamadas "chorinho" — aquele dedilhado rápido com palheta que tem um ataque bem marcado.

A diferença entre choro e samba é uma das coisas que mais confunde quem está começando. No choro, a batida é mais fluida, com andamento variável dentro da música. No samba de roda ou de terreiro original, o pulse é mais marcado no grupo. Com o tempo, o samba moderno absorveu elementos do choro, então a fronteira ficou borrada. Mas se você ouvir uma gravação dos anos 1930 de Pixinguinha, a diferença é clara.

Instrumentação e formação típica

A formação clássica do choro, a chamada "sessão", inclui flauta, cavaquinho, violão de 7 cordas, bandolim e clarinete. O piano às vezes substitui o bandolim ou o clarinete. O contrabaixo entrou na formação nas décadas de 1940 e 1950, substituindo o braguinha ou o violão baixo que eram usados antes. O violão de 7 cordas é específico do Brasil. A sétima corda é um dó grave que permite posições de acorde mais baixas e expande o alcance harmônico. Se você for montar uma sessão de choro, esse instrumento é obrigatório. Tentar tocar choro com violão de 6 cordas não funciona da mesma forma. As batidas do violão de 7 cordas criam uma sonoridade que o violão comum simplesmente não reproduz.

Principais compositores e obras de referência

Chiquinha Gonzara é a compositora mais importante dos primórdios do choro. Ela escreveu "A Flor que Era Inodora", uma das primeiras marchas-rancho que fundiram elementos do choro com outras formas. Pixinguinha, Flávio Guimarães e João Pernambuco formam a geração seguinte que consolidou o gênero nos anos 1920 e 1930 com gravações da Rádio Nacional. Ernesto Nazareth é outro nome central. As polcas e fox-trots dele têm uma linguagem harmônica avançada que muitos chorões estudam para melhorar a improvisação. "Odeão" e "Carinhoso" (esta última com letra de Pandeiro) são padrões que toda sessão de choro toca.

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Como aprender choro de verdade

A principal dificuldade que os iniciantes encontram é o ritmo. O choro tem um swing interno que não se consegue da partitura. Você precisa ouvir. As gravações originais da Tapecar, o grupo de Pixinguinha dos anos 1930, são o ponto de partida. Depois, escute os discos do Yamandu Costa, do Flavio Freitas, do grupo Cartola, do Choro de Raiz. O aprendizado prático funciona assim: aprenda a música de ouvido, toque em repetição até o padrão rítmico entrar no corpo, e só então olhe a partitura para entender a harmonia. A maioria dos métodos tradicionais ensina o oposto, e isso cria músicos que leem bem mas não têm o "balanço" correto.

Um problema específico que eu encontrei quando estava aprendendo: a transposição para cavaquinho. O cavaquinho é instrumento transpositor em Ré, mas a maioria dos livros e partituras não avisa disso de forma clara. O resultado é que você acaba tocando uma oitava acima do que deveria, ou pior, na tonalidade errada se o livro estiver mal editado. Minha solução foi usar cifras e gravar cada música tocando junto com a gravação original para calibrar o ouvido antes de depender da partitura. Funcionou bem, economizou meses de frustração.

Pequenos grupos e cenas atuais

O choro contemporâneo tem dois ramos principais. O primeiro é o chamado "choro erudito", com bandas como Roda de Choro do Brasil, que levam o repertório clássico para grandes palcos. O segundo é o choro que mistura com jazz,MPB e outros estilos, feito por músicos como o grupo Mandinga do Choro e projetos individuais de jovens instrumentistas. As sessões de choro acontecem todos os dias em diversos pontos do Rio de Janeiro. A Lapa tem várias opções, mas também há sessões em Botafogo, Copacabana e na zona norte. Em São Paulo, o centro histórico concentra boa parte das sessões. A entrada geralmente é gratuita ou com consumo mínimo no bar.

O choro como ferramenta educacional

Se você é músico e quer melhorar leitura de PARTITURA, harmonia e técnica instrumental, o choro é um dos melhores gêneros para estudar. As melodias são construídas com variações sobre progressões harmônicas conhecidas, então você treina o ouvido harmonicamente sem esforço excessivo. O repertório é vastíssimo — milhares de composições disponíveis gratuitamente online em sites como Choros.com.br e no acervo da Biblioteca Nacional. O choro também expõe fraquezas técnicas rapidamente. Se você não tem solfejo, vai tropeçar nas partes de flauta. Se não domina o ritmo, o grupo inteiro sente. Isso pode ser frustrante no início, mas é exatamente o que força o desenvolvimento real.

Downloads e recursos

Não existe um único site oficial com partituras gratuitas e confiáveis. A melhor opção é o site Choros.com.br, que reúne cifras e algumas partituras escaneadas de edições antigas. A Fundação Cultural Externato também disponibiliza material digital. Para gravações, o YouTube tem sessões completas documentadas dos anos 1950 aos dias atuais. O que é o choro, resumindo, é uma tradição viva. Não é música de museu. Novas composições aparecem todo ano, e os músicos mais jovens estão expandindo a linguagem harmônica e rítmica sem abandonar a estrutura básica que define o gênero.