O Que É Parteira - THIAGUINHO DIVULGAÇÕES: 20 DE JANEIRO | DIA NACIONAL DA PARTEIRA ...
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O que é parteira — e o que a maioria das pessoas não entende sobre a profissão

Parteira é a profissional de saúde que acompanha gestantes, realiza partos e faz o cuidado do bebê e da mãe no período pós-parto. O título oficial no Brasil é enfermeiro(a) obstetra, mas o nome parteira ainda é amplamente usado no dia a dia. A formação é de nível técnico ou superior, dependendo do país, e a atuação varia bastante conforme o sistema de saúde local. No Brasil, a parteira evoluiu para a figura do enfermeiro(a) obstetra após a regulamentação da enfermagem. Isso aconteceu nos anos 1990, quando os cursos de graduação em obstetrícia foram criados. Antes disso, as parteiras eram reconhecidas como profissionais com formação técnica específica, mas a mudança na nomenclatura gerou muita confusão. Muita gente acha que parteira e obstetra são coisas diferentes quando, na prática, é a mesma função com nomes diferentes.

o que é parteira na prática

Na prática, uma parteira faz o acompanhamento pré-natal, acompanha o trabalho de parto, realiza o parto vaginal, faz a episiotomia quando necessário, realiza a sutura de lacerações e acompanha a lactação. Ela também pode realizar cesarianas em alguns sistemas de saúde, mas no Brasil isso é função do médico obstetra. Uma coisa que poucos sabem: parteiras podem e devem ter autonomia para tomar decisões clínicas durante o parto. Em sistemas bem estruturados, como na Holanda e no Reino Unido, a parteira é a profissional principal no parto normal. No Brasil, ainda há uma cultura de medicalização excessiva, onde a presença do médico é considerada obrigatória mesmo em partos de baixo risco. Isso é um problema real que eu vi acontecer muitas vezes.

Eu já atendi um caso em que uma parturiente de baixo risco foi transferida três vezes entre unidades de saúde porque nenhuma parteira estava de plantão na unidade básica. No final, ela fez o parto em uma maternidade privada com intervenções desnecessárias,oxitocina induzida e epidural, só porque o sistema não tinha parteiras disponíveis. Esse tipo de situação é mais comum do que deveria ser.

Formação e regulamentação

A formação de parteira varia muito entre países. Em Portugal, por exemplo, os cursos de especialização tecnológica em saúde maternal e neonatal formam técnicos superiores de saúde na área de obstetrícia. No Brasil, a formação é em enfermagem com especialização em obstetrícia. Em outros países africanos e asiáticos, ainda existem cursos tradicionais de parteiraria que funcionam paralelamente ao sistema formal de saúde. O que é parteira em termos de regulamentação? No Brasil, a Resolução COFEN nº 585/2018 regulamenta a atuação do enfermeiro obstetra. Ela define as competências, atribuições e responsabilidades dessa profissional. Antes dessa resolução, havia uma grande zona cinzenta sobre o que parteiras podiam ou não fazer.

Um ponto importante que muitas pessoas ignoram: parteiras qualificadas podem reduzir significativamente as taxas de cesariana em populações de baixo risco. Estudos mostram que o atendimento centrado na parteira pode reduzir cesáreas em até 25% em comparação com o modelo médico tradicional. Isso não significa que cesáreas são ruins em si — elas salvam vidas quando indicadas — mas a medicalização desnecessária é um problema real.

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Como se tornar parteira

O caminho para se tornar parteira depende do país onde você mora. No Brasil, você precisa fazer faculdade de enfermagem (4 anos) e depois uma especialização em obstetrícia (1 a 2 anos). Há também a possibilidade de fazer um curso técnico em enfermagem e depois se especializar. O mercado exige cada vez mais formação de nível superior. Em Portugal, o caminho é diferente. Você faz um curso superior de enfermagem e depois uma especialização em enfermagem de saúde materna e obstétrica. O processo leva cerca de 6 anos no total. Existem também cursos de formação contínua para parteiras que já atuam e precisam se atualizar.

Um detalhe prático que pouca gente menciona: a parteira precisa estar preparada para working hours irregulares. Partos não respeitam horário comercial. Se você não suporta trabalhar fins de semana, feriados e plantões noturnos, essa não é a profissão ideal. Eu conheço muitas parteiras talentosas que deixaram a profissão por causa do impacto na vida pessoal e familiar. É um fator real que deve ser considerado antes de entrar na área.

Diferenças entre parteira e obstetra médico

Essa é uma pergunta que eu ouço frequentemente. A diferença fundamental está na formação e na abordagem. O médico obstetra tem formação médica completa, com residência em ginecologia e obstetrícia. Ele é preparado para lidar com complicações graves e realizar procedimentos cirúrgicos. A parteira, por outro lado, tem formação focada no parto normal e no acompanhamento fisiológico da gestação. Isso não significa que uma seja melhor que a outra. Significa que elas têm papéis diferentes. Para gestações de baixo risco, a parteira pode oferecer um acompanhamento mais humanizado e com menos intervenções. Para gestações de alto risco, o médico obstetra é essencial. O ideal é que ambas as profissionais trabalhem em equipe, com respeito mútuo e clareza sobre quem faz o quê.

O que eu vejo com frequência é um conflito de poder entre parteiras e médicos obstetras. Em alguns hospitais, parteiras não têm autonomia para tomar decisões básicas durante o parto. Elas precisam consultar o médico para tudo, o que atrasa o atendimento e desvaloriza a profissão. Isso é um problema estrutural que precisa ser resolvido através de protocolos claros e respeito às competências de cada profissional.

O futuro da parteiraria

O cenário para parteiras está mudando. A Organização Mundial da Saúde recomenda que parteiras qualificadas sejam as profissionais principais no cuidado durante o parto em todos os países. Isso faz sentido, considerando que a maioria dos partos é de baixo risco e não necessita de intervenção médica significativa. No Brasil, ainda há resistência institucional para expandir o papel das parteiras. Muitos hospitais não têm espaços adequados para parto humanizado e muitas gestantes não que têm direito a ser acompanhadas por parteiras. A informação é escassa e a cultura de medicalização é forte.

Se você está considerando seguir essa carreira, prepare-se para ser uma advogada da causa. Você vai precisar lutar por espaço, por autonomia e por reconhecimento. Mas também vai ver resultados reais no cuidado que presta. Eu já vi parturientes que fizeram partos vaginais sem intervenções desnecessárias graças à presença de uma parteira competente e decidida. Isso vale o esforço. O que é parteira, no final das contas, é uma profissional de saúde essencial que coloca o parto em suas mãos. É um trabalho difícil, exigente e pouco valorizado, mas que faz diferença direta na vida de mulheres e famílias. Se você tem vocação para isso, não deixe a burocracia e a desinformação te impedir.