O que é queima de arquivo
Queima de arquivo é o processo de gravar dados em um meio óptico, como CD, DVD ou Blu-ray. A palavra "queima" vem do fato de que o laser atua aquecendo o material sensível do disco para modificar seu estado físico. Nada mais. Muita gente chama de "gravar". A diferença técnica entre as duas palavras existe, mas no dia a dia significa praticamente a mesma coisa.
Como funciona na prática
O software de queima lê os arquivos de destino e o drive óptico gera um feixe de laser controlado pelo conteúdo binário que está sendo gravado. No caso de discos graváveis, o laser altera a estrutura cristalina de uma camada orgânica. Em discos regraváveis, a alteração é reversível. Discos pré-gravados (ROM) não podem ser modificados. O processo envolve uma etapa de pre-gap, onde o drive reserva áreas de controle, e depois a escrita propriamente dita. Se a velocidade de gravação for muito alta ou o buffer do computador esvaziar durante a operação, ocorre um erro de underrun e a gravação falha. Isso queima o disco e obriga o usuário a começar de novo.
Eu já perdi três discos de BD-R tentando gravar uma imagem ISO de 45 GB com um drive que não suportava velocidades consistentes acima de 4x. A solução foi travar a velocidade em 2x pelo software e deixar o processador livre de outras tarefas durante a gravação. Funcionou na segunda tentativa.
O que você precisa antes de começar
Um drive óptico compatível com o formato do disco. Simples assim. Drive de DVD não queima Blu-ray. Drive de CD também não. Não adianta tentar. A interface pode ser USB, SATA ou interna. O tipo de conexão não interfere na qualidade da gravação, mas drives USB externos tendem a ter buffers menores. Software de queima. As opções mais usadas no Brasil são o Nero Burning ROM, CDBurnerXP (gratuito), ImgBurn e o brasero para ambientes Linux. O ImgBurn é o que eu recomendo pela leveza e pela quantidade de opções que ele expõe. Tem versão portable, não precisa instalar.
Discos de boa qualidade. Marcas genéricas sem identificação de fabricante podem ter inconsistências na camada sensível. KDD, Verbatim, Ritek e Mitsubishi Chemical são referências. Compra barata de Mercado Livre de discos sem marca costuma render disco mudo ou com taxas de erro altas demais para uso confiável.
Passo a passo básico usando o ImgBurn
Abra o programa. Na tela inicial, selecione Write files/folders to disc se for gravar arquivos soltos ou Write image file to disc se for queimar uma ISO. Para imagens ISO:
1. Clique no botão de seleção de arquivo e carregue a ISO que deseja gravar. 2. Escolha a velocidade de gravação. Para DVDs, 4x a 8x é seguro. Para Blu-ray, 2x a 4x.
3. Marque a caixa Verify data after writing. Isso faz o drive reler o disco após a gravação e compara bit a bit com a imagem original. Gasta mais tempo, mas evita disco ruim que só aparece quando você precisa usar. 4. Clique no ícone de gravação no canto inferior direito.
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Para arquivos soltos, o processo é semelhante. Adicione os arquivos à lista da direita, defina o sistema de arquivos (ISO 9660 para compatibilidade máxima, UDF para arquivos acima de 4 GB em DVD). A opção Level 2 do ISO 9660 permite nomes longos, mas alguns leitores mais antigos têm problema com isso. Se o disco vai rodar em aparelho de carro ou home theater, use ISO 9660 Level 1 ou apenas UDF 2.0. A gravação leva tempo variável. Uma ISO de DVD a 8x demora em média 15 a 20 minutos com verificação. Um Blu-ray de 25 GB a 4x com verificação leva cerca de 40 minutos. Sem verificação, corta quase pela metade o tempo total.
Pegadinhas que todo mundo encontra
A primeira é o limite de 4 GB por arquivo em DVD com sistema de arquivos ISO 9660. Se você tentar adicionar um arquivo maior que isso, o ImgBurn vai reclamar. A solução é mudar para UDF 2.00 ou superior. Funciona na maioria dos computadores, mas em alguns eletrodomésticos com leitor de DVD embutido o disco pode não ser reconhecido. Se o disco for apenas para computador, UDF resolve. Outra pegadinha é a diferença entre mode 1 e mode 2 form 1 na gravação de CDs de áudio. Mode 1 adiciona dados de correção de erro ECC/EDC. Mode 2 é mais rápido mas menos tolerante a riscos. Para CD de áudio, use sempre mode 1. Para dados, mode 2 é aceitável em discos novos e bem cuidados.
Existe ainda o problema do spindle. Disco empilhado no plástico original não entra em alguns drives mais antigos. Remova um disco do pacote antes de colocar no drive. Eu gastei dez minutos achando que o drive estava com defeito porque o disco não girava, até perceber que o anel plástico estava prendendo a tampa do drive.
Limitações reais que o marketing não conta
Disco óptico não é mídia persistente. Um DVD-R comum dura entre 5 e 10 anos sob condições ideais. Prateleira escura, temperatura amena, umidade controlada. Se o disco ficar exposto ao sol ou calor alto, a camada orgânica degrada mais rápido e os dados somem. Blu-ray tem camada mais resistente, mas não é imune. Discos regraváveis (RW) têm ciclo de vida limitado. Cada gravação desgasta levemente a camada. O fabricante divulga entre 1.000 e 10.000 ciclos, dependendo da marca. Na prática, eu desconfio que após 500 gravações em disco regravável a taxa de erro começa a subir de forma mensurável.
Drive óptico externo via USB 2.0 tem taxa de transferência limitada a cerca de 30 MB/s na prática. Gravar um Blu-ray de 50 GB leva mais tempo do que o esperado porque o link de dados engasga. Use USB 3.0 se possível. Se o objetivo é apenas armazenamento de backup, mídia óptica perdeu espaço para SSDs e nuvem. O custo por gigabyte é absurdamente alto comparado a um HD externo. Um Blu-ray de 100 GB (dupla camada) custa cerca de R$ 40. Um HD de 2 TB custa R$ 250. A diferença é gritante.
Download do software
O ImgBurn está disponível gratuitamente no site oficial www.imgburn.com. Cuidado com sites de terceiros que empacotam adware junto. Baixe direto do site do desenvolvedor e desmarque qualquer offered software durante a instalação. O CDBurnerXP também é gratuito e está em www.cdburnerxp.se. Interface mais simples, menos opções avançadas, bom para quem quer rapidez sem complicação.
Nero tem versão de avaliação de 30 dias em www.nero.com. Depois disso, é pago. A versão paga é robusta, mas o preço anual fica na casa dos R$ 200.
Conclusão prática
Queima de arquivo ainda tem utilidade. Distribuição de software, cópias de segurança pontuais, arquivos que precisam rodar em hardware legado sem adaptadores. Mas como rotina de backup ou armazenamento de longo prazo, não compensa. O problema é de custo e durabilidade. Se você precisa mesmo de uma cópia física, disque de qualidade, verifique após a gravação e guarde longe de luz e calor. O resto é decisão sua.