O que é resenha: uma explicação prática
A resenha é um gênero textual de caráter analítico e crítico que consiste na apresentação e avaliação de uma obra — livro, artigo científico, filme, peça teatral ou qualquer produção intelectual publicável. Diferente do resumo, que apenas sintetiza o conteúdo, a resenha exige posicionamento do autor, sustentado por argumentos extraídos da obra analisada. Em termos mais simples: você lê, interpreta e emite um juízo fundamentado sobre o que leu.
o que e resenha de um texto
Essa é uma pergunta que aparece com frequência em trabalhos acadêmicos, e a resposta direta é: resenha de texto é a análise crítica de um documento escrito específico — seja um artigo científico, um capítulo de livro, uma tese ou um ensaio. O foco aqui é estreito, porque o objeto da análise é um único texto, não uma obra inteira. Esse detalhe importa, porque muda completamente a abordagem. No meio acadêmico brasileiro, a resenha é amplamente utilizada em programas de pós-graduação como requisito de formação. Muitos grupos de pesquisa publicam resenhas em periódicos próprios, e existe até uma norma da ABNT (NBR 6034) que regulamenta como ela deve ser estruturada. A norma define elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais, mas na prática raramente alguém segue tudo isso à risca — e funciona.
A estrutura padrão gira em torno de três partes: identificação bibliográfica da obra resenhada, síntese do conteúdo e, principalmente, a crítica argumentada. A crítica é o cerne. Sem ela, você está fazendo um resumo disfarçado, e isso é um erro comum que corretores veem todo dia. Me deparei recentemente com um caso específico em que um orientando uma resenha que era, na prática, um resumo expandido com uma opinião pessoal no final. O problema era que a "crítica" consistia em frases como "acha-se interessante" ou "pode contribuir para o campo", sem qualquer confronto com os argumentos do autor ou com a literatura da área. Eu mostrei um jeito prático de corrigir: pedi que ele selecionasse três afirmações centrais do artigo e confrontasse cada uma com pelo menos dois autores citados na bibliografia. Esse exercício transformou a resenha em algo com densidade argumental real. Leva cerca de duas horas extras de leitura comparada, mas o resultado sai de intermediário para bom com frequência.
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Um ponto que muitos começam não consideram: a resenha não precisa ser negativa para ser crítica. "Crítica" aqui significa análise avaliativa, não necessariamente ataque. Uma resenha pode destacar méritos, apontar limitações e sugerir caminhos — tudo isso faz parte do gênero. O que mata uma resenha é a falta de opinião fundamentada, não o fato de ela ser positiva. Outra nuance que passam despercebida: o nível de aprofundamento da resenha deve ser proporcional ao público-alvo. Uma resenha para revista especializada exige domínio do vocabulário técnico e diálogo com a literatura do campo. Uma resenha para veículo de divulgação científica pode ser mais acessível, mas ainda assim precisa de juízo de valor claro. Trocar esses papéis é um erro frequente — resenhas acadêmicas escritas como se fossem para o grande público perdem precisão conceitual, e resenhas de divulgação cheias de jargão tornam-se ilegíveis.
Há também limites práticos que valem a pena mencionar. Resenha exige que o texto analisado seja de qualidade suficiente para merecer discussão crítica. Trabalhos muito frágeis, com problemas estruturais graves, muitas vezes geram resenhas que se resumem a listar deficiências — e isso não agrega muito ao leitor. Nesse cenário, prefiro recomendar que se opte por uma crítica direta em formato de artigo ou notação técnica, em vez de forçar uma resenha. O gênero não serve para tudo. O processo de escrita em si segue uma lógica que eu costumo dividier em etapas pragáticas. Primeiro, a leitura atenta do texto, com anotações das ideias centrais, dos argumentos principais e dos pontos que geram dúvida ou discordância. Segundo, a pesquisa de referências complementares — pelo menos dois ou três autores que discutam temas similares. Terceiro, o esboço, organizando a síntese e a crítica em seções coerentes. Quarto, a redação propriamente dita, com atenção ao tom: seco, preciso, sem rodeios.
A identificação bibliográfica no início da resenha segue o padrão da ABNT: autor, título, edição, local, editora, ano e, quando for artigo, volume, número e páginas. Esse detalhe parece bobo, mas uma referência mal formatada pode comprometer a credibilidade do texto inteiro antes mesmo de o leitor chegar à crítica. Em resumo prático, fazer uma resenha boa pede tempo de leitura, familiaridade com a área e coragem para dizer algo concreto sobre o que foi lido. O que se vê com frequência são resenhas genéricas, escritas apressadamente, que não dizem nada que o leitor já não soubesse. Evitar isso é a diferença entre cumprir uma obrigação acadêmica e produzir algo que realmente valha a pena ler.