O Que E Sujeito Inexistente - Exemplos De Sujeito Inexistente - FDPLEARN
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O que é e como lidar com sujeito inexistente na prática

Achei que isso era tranquilo até começar a revisar redações e contratos em série. A regra de sujeito inexistente parece simples no papel, mas na hora da escrita gera uma quantidade absurda de erros de concordância que passam despercebidos até alguém com olho treinado apontar. Vou explicar do jeito que funciona no dia a dia, com os casos que realmente importam. Sujeito inexistente, ou construção impessoal, acontece quando o verbo não se liga a nenhum sujeito nem explícito nem oculto. O verbo fica na terceira pessoa do singular e pronto. Não existe ninguém realizando a ação, não há ninguém implícito. É diferente de sujeito determinado oculto, que é aquele "eu" ou "nós" que dá para inferir pelo contexto. Aqui não dá. Não tem quem faça a ação. Simples assim.

O que e sujeito inexistente: os verbos que nunca terão sujeito

Os principais casos são os verbos naturais e os verbos haver com sentido de existir. Chover, nevar, trovejar, amanhecer, fazer com referência a clima ou tempo atmosférico. Quando eu digo "chove muito aqui em São Paulo", não tem sujeito. O verbo fica no singular e não se flexiona. É a mesma coisa com "faz dois anos que não o vejo". O "fazer" aqui é impessoal, indica tempo decorrido, e nunca vai para o plural. Esse é um dos erros mais frequentes que vejo: "fazem dois anos". Errado. Não tem sujeito para pluralizar. O verbo haver no sentido de existir também é impessoal. "Havia muitas pessoas na sala" está certo. "Houveram muitos problemas" está errado. Nunca usei o haver como auxiliar de existir no plural porque simplesmente não existe sujeito. Já vi gente corrigindo texto e colocando "houveram" achando que estava aprimorando a redação. Na verdade estava piorando.

Outro ponto que muita gente confunde: o verbo fazer com significado de tempo decorrido. "Faz cinco meses que trabalho aqui." Singular. Sempre. Não importa se o complemento é plural. O "fazer" aqui não tem sujeito e não vai flexionar. Vi muito material didático ensinando o contrário e gera uma confusão danada.

O erro mais comum que eu encontrei nos meus revisões

Revisando um contrato de prestação de serviços, me deparei com a frase "devem haver prazos para entrega". Alguém tinha pensado que o sujeito seria "prazos" e conjugado o "haver" como se fosse auxiliar. Erro duplo. Primeiro, o "haver" no sentido de existir é impessoal. Segundo, mesmo que fosse auxiliar, a Concordância estaria comprometida porque o sujeito viria depois. corrigi para "deve haver prazos para entrega". Singular, sem sujeito, como deve ser. O problema é que essa construção cola. Quando a pessoa aprende que "haver" pode ser sinônimo de "existir", o cérebro automaticamente tenta achar um sujeito para o verbo. Não existe. É uma armadilha cognitiva. O verbo fica sozinho e pronto.

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Verbos que enganaram até eu

Tem um caso que sempre me pega desprevenido: o verbo "gostar". Não, espere. "Gostar" tem sujeito normal. Mas o "precisar" sim. "Precisa-se de funcionários." Nesse caso, a partícula "se" é índice de indeterminação do sujeito, não sujeito inexistente. São coisas diferentes. Precisa-se não é impessoal. Tem sujeito indeterminado. Já "Necessita-se de experiência" tem a mesma estrutura. O "se" indetifica o sujeito, não o elimina. O verdadeiro sujeito inexistente aparece com verbos como "bastar", "suficiar", "alcantar" quando usados impessoalmente. "Basta de conversa." "Suficiente." "Alcança." Aí não tem sujeito mesmo. Se você adicionar um complemento e flexionar o verbo, já mudou a natureza da construção. "Bastam duas páginas." Agora o sujeito é "duas páginas". Mudou tudo.

Quando a coisa fica confusa de verdade

O verbo "ser" com horas é um campo minado. "É uma hora" ou "São horas"? Tradicionalmente, responde-se à pergunta "que horas são?" e o sujeito seria o numeral. Mas quando se fala "É uma hora da tarde", o sujeito não é óbvio. Alguns gramáticos modernos defendem que não há sujeito aqui, outros dizem que o numeral funciona como sujeito. Na prática, o que importa é a concordância: "São duas horas", "É uma hora". O uso consolidado resolve, mesmo que a teoria discuta. Outro caso: verbos que indicam fenômenos naturais usados figuradamente. "O vento uivava entre as árvores." Vento é sujeito. "Uivavam os ventos." Sujeito é ventos. Agora: "Choveu na cidade toda." Não tem sujeito. A confusão surge quando alguém vê "ventos uivavam" e acha que "choveu" também deveria ter sujeito. Não tem. Um é pessoal, o outro não.

O que funcionou para mim

Para identificar sujeito inexistente de forma rápida, eu uso três testes práticos. Primeiro, tento transformar a oração na voz passiva analítica. Se não dá, provavelmente é impessoal. Segundo, pergunto "quem é que fez a ação?". Se não consigo responder de forma coerente, é sujeito inexistente. Terceiro, verifico se o verbo pode ser substituído por um sinônimo pessoal. "Haver" no sentido de existir vira "existir", que é transitivo direto e tem sujeito. Mas a construção original permanece impessoal. Na revisão de textos, eu marco todos os verbos impessoais com uma cor e verifico se estão no singular. Se está no plural, erro. Se tem sujeito identificado na oração, tiro a marca. Esse processo reduz o tempo de identificação de concordância impessoal de uns quinze minutos para cerca de três em textos médios.

Limitações que ninguém comenta

Não existe solução perfeita para esse tema porque as próprias normas gramaticais brasileiras têm divergências. A norma culta tradicional é firme em classificar certos verbos como impessoais, mas variações regionais e registros informais frequentemente ignoram essa regra. Em discursos oratórios, é comum ouvir "fazem dez anos" e "houveram problemas" sem qualquer reprovSocial. Isso não significa que está certo para fins formais, mas significa que você vai encontrar essas construções o tempo todo e precisa saber quando se importar e quando deixar passar. Para escrita formal, concursos, redações e documentos jurídicos, a recomendação é clara: mantenha o singular nos verbos impessoais. Para o dia a dia, entenda a regra mas saiba que a língua viva segue seu caminho. O importante é não misturar os registros sem consciência disso.

Resumindo o essencial: sujeito inexistente é quando o verbo não tem sujeito nenhum, fica na terceira pessoa do singular, e pronto. Haver com sentido de existir, fazer com tempo decorrido, verbos de fenômenos meteorológicos. Teste rápido: não dá para perguntar quem faz a ação. Se o verbo está no plural nesses casos, provavelmente está errado.