O Que Fazer Em Macapa - O que fazer em Macapá: 10 passeios imperdíveis » Turismo de Natureza
O que fazer em Macapá: 10 passeios imperdíveis » Turismo de Natureza

Macapá na prática

A maioria dos guias trata Macapá como se fosse uma cidade-turma, algo que você visita em um dia e vai embora. A realidade é bem diferente, e começar com a ideia errada já te coloca nos trilhos errados. O clima é quente o dia todo, sim, mas a umidade absoluta chega a 95 por cento em certos meses, o que faz qualquer caminhada parecer um treino de função terminal. Eu aprendi isso na marra quando fui visitar o Marco Zero em fevereiro e voltei para o hotel com uma bolha no calcanhar e uma crise de calor.

O que fazer em macapa: o básico que ninguém conta

O Marco Zero está na orla, perto da Praia do Marco. Você pega o bondinho gratuito que sai do centro e tem uma vista que não compensa especialmente, mas serve para entender o tamanho do lugar. A linha do equador passa mesmo ali, existe uma placa e uma pequena estrutura turística. Dá para tirar a foto e seguir em frente. O forte de São José de Macapá, também conhecido como Fort de San Jose, fica na mesma região e foi construído no século dezoito. Ele está preservado, com uma coleção razoável de canhões antigos. Não espere um museu interativo, é um forte velho com paredes grossas e silêncio demais. O mercado do Ver-o-Peso não é um produto de importação, é o principal centro de abastecimento da cidade. Frutas locais como cupuaçu, bacaba e babaçu aparecem lá com frequência, e os vendedores costumam aceitar dinheiro vivo em notas pequenas. Se você for à tarde, o lugar fica abarrotado e quente. Eu recomendo ir pela manhã, entre seis e oito horas, quando os barcos de pesca ainda estão retornando e a coisa tem mais vida.

Problemas que eu encontrei e como resolvi

Quando fui pela primeira vez, minha maior dificuldade foi transporte. Uber funciona no centro, mas a cobertura diminui drasticamente fora da região metropolitana. Eu tentei usar o aplicativo para ir até a Serra do Navio, uma área distante, e o app simplesmente não encontrou motoristas. O que funcionou foi chamar um motorista de cooperativa no Mercado do Ver-o-Peso. Eles cobram um valor fechado por corrida, então negotiate antes de entrar no carro. Em média, uma volta ao centro sai entre quinze e vinte reais, mas depende do horário e da demanda. Outro problema: a alimentação. Restaurantes turísticos na orla são caros e a qualidade média é ruim. Eu descobri que os melhores sanduíches naturais da cidade estão em barracas no bairro do Sabondá, perto do açude. Um sanduíche de carne seca com mandioca custa entre oito e doze reais e costuma ser preparado na hora. Eu passei três dias seguidos comendo lá e nenhum incidente gastrointestinal, o que é raro nessa cidade.

O que não vale a pena

O passeio de barco pelo rio Amazonas só tem sentido se você tiver pelo menos três dias. Um roteiro de meia hora não mostra nada além de água barrenta e algumas margens desmatadas. Os operadores turísticos vendem pacotes de quatro horas por centena e meia de real por pessoa, mas o tempo gasto em entretenimento a bordo é muito maior do que a navegação em si. Se você quer ver o encontro das águas, o destino correto é Manacapuru, a duzentos quilômetros de Macapá, e o melhor horário é entre junho e agosto, quando o volume do Rio Negro está no pico. A trilha até o Pico da Negrinha também não compensa para turistas casuais. São onze quilômetros de subida em terra batida, sem infraestrutura de hidratação ou sinalização. Eu conheço alguém que tentou fazer o trajeto sozinho e precisou ser resgatado por bombeiros por desidratação. Se você realmente quer subir, contrate um guia local registrado na associação de guias de Macapá, que cobra cerca de cento e cinqüenta reais por pessoa e inclui água, lanche e suporte logístico.

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Dicas técnicas que ninguém menciona

A energia elétrica em Macapá é fornecida pela Eletrobrás Eletronordeste, e a estabilidade é boa na maior parte da cidade. Mas em bairros mais afastados como o Campo do Marte, quedas de energia ocorrem com frequência durante a estação chuvosa, entre março e maio. Leve um power bank de pelo menos dez mil ampères-hora e considere um carregador solar portátil se você pretende ficar mais de dois dias fora do centro. A conectividade 4G funciona bem no centro urbano, mas em áreas rurais e na serra o sinal cai para 3G ou simplesmente desaparece. Eu usei o mapa offline do Google no trajeto até o Parque Estadual do Capeuri e ele salvou minha vida quando perdi a conexão. Baixe o mapa antes de sair e deixe o GPS no modo economizador de bateria.

Outro ponto: a moeda. Alguns estabelecimentos pequenos, especialmente barracas e quitandas, não aceitam cartão e cobram ágio em dinheiro vivo. Eu sempre mantenho nota de cinco, dez e vinte reais no bolso, porque sacar em caixas eletrônicos fora do centro pode significar filas de trinta minutos ou, pior, caixas desligados. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal têm agências confiáveis no centro, mas o Banco Itaú às vezes fica sem dinheiro para saques grandes.

Quando ir e quando evitar

A temporada seca vai de julho a dezembro, e é o período mais confortável para atividades ao ar livre. A temperatura média é de vinte e oito graus, com umidade relativa abaixo de oitenta por cento. A temporada chuvosa, de janeiro a junho, traz chuvas intensas que duram horas e podem alagar ruas inteiras. Eu vi a rua Visconde de Rio Branco ser inundada até metade da calçada durante minha segunda visita, em abril, e o trânsito ficou parado por duas horas. Se você tem alguma condição respiratória, evite a estação chuvosa. A umidade alta combinada com a poluição urbana gera crises de sinusite que duram dias. Eu sofri com isso na minha terceira visita e perdi dois dias inteiros sem conseguir caminhar mais de quinhentos metros sem falta de ar.

Alternativas se Macapá não for o seu estilo

Se o clima e a infraestrutura turismo não forem o que você procura, considere Lapa, a trinta quilômetros de Macapá, onde existem grutas com formações de estalactitas e estalagmites que são acessíveis e gratuitas. Ou então Santarém, a quatro horas de ônibus, onde o encontro das águas é visível de forma muito mais dramática e a hospedagem custa metade do preço. Macapá tem seu charme, mas não é o destino mais óbvio para quem busca aventura ou conforto turístico. O que se pode afirmar é que a cidade funciona melhor como ponto de partida do que como destino final. Eu levei quatro dias para entender isso, gastando dinheiro à toa com passagens de bondinho e jantares caros na orla. Na quinta visita, passei dois dias apenas no centro, três manhãs no Mercado do Ver-o-Peso e uma tarde inteira parado num bar do bairro do Igarape, tomando açaí e conversando com pescadores. Foi quando a cidade começou a fazer sentido.