O Que Fenda Palatina - Fenda palatina e Lábio Leporino. Vamos falar sobre? | Atual FM
Fenda palatina e Lábio Leporino. Vamos falar sobre? | Atual FM

O que é fenda palatina e o que envolve na prática

Fenda palatina é uma malformação congênita em que há uma abertura no palato — o teto da boca — que pode atingir o palato duro, o palato mole, ou ambos. Pode ser unilateral, bilateral, completa ou incompleta. A causa não é única, envolve fatores genéticos e ambientais interagindo durante a gestação, e muitas vezes não se identifica a origem exata no paciente. Tratamento cirúrgico costuma envolver a equipe de cirurgia bucomaxilofacial, odontopediatra, fonoaudiólogo e ortodontista. A cirurgia de palatoplastia é o procedimento principal, geralmente realizado entre os 9 e 18 meses de idade, para permitir desenvolvimento adequado da fala.

O que fenda palatina significa no dia a dia do paciente

No consultório, a diferença mais importante não é apenas a anatomia, é a função. Pacientes com fenda palatina tendem a ter disfonia, dificuldade em criar pressão intraoral, e problemas de mastigação e deglutição. Isso não é algo que se resolve só com cirurgia. A fonoaudiologia é essencial. Um detalhe que pouco se comenta: o palato mole funcional depende dos músculos que se inserem nele. Em alguns casos, a cirurgia restaura a estrutura anatômica, mas a coordenação muscular fica comprometida. Isso gera hipernasalidade residual. Já vi casos em que o paciente passou por duas cirurgias e ainda assim tinha refluxo nas por incompetência velofaríngea. Nesse cenário, um obturador palatino ou uma cirurgia de faringoplastia pode ser necessário.

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Aqui vai uma experiência específica. Há alguns anos atendi um paciente de 4 anos com fenda palatina bilateral completa, já submetido a palatoplastia na infância. A criança apresentava fala inteligível, mas com muita nasalidade e esforço respiratório. Ao avaliar, percebi que havia um sulco residual no velum que impedia o fechamento completo durante a deglutição e a fala. A solução foi uma faringoplastia em Y-V de Dorris, que melhorou significativamente o fechamento velofaríngeo. O ponto importante é que nem sempre o problema está na fenda em si, mas na dinâmica funcional que permanece mesmo após a correção anatômica.

Como funciona o acompanhamento multidisciplinar

O seguimento deve começar antes do nascimento, quando a fenda é detectada em ultrassom. Os pais precisam de orientação sobre aleitamento — bicos comuns não funcionam bem, são necessários bicos especiais ou mamadeiras com válvula. Logo após o nascimento, a avaliação auditória é urgente, pois crianças com fenda palatina têm alto risco de otite média com derrame, o que pode comprometer a audição e, consequentemente, a fala. A equipe de fenda precisa acompanhar desde a primeira consulta até a vida adulta. Cirurgia, ortodontia, fonoaudiologia, suporte psicológico. A cirurgia no palato duro geralmente é feita primeiro, seguida pela do palato mole, se necessário. Em casos mais complexos, pode-se usar distrator osteogênico para alargar o arco dental antes da cirurrugia.

Um aspecto que muitas famílias não antecipam: pacientes com fenda palatina têm maior predisposição a problemas periodontais na região do sulco, e a higiene dental precisa ser mais rigorosa. Isso não é opcional, é parte do tratamento. Para informações atualizadas e direcionamento para centros especializados, o Ministério da Saúde mantém um cadastro de serviços de referência em tratamento de fenda labiopalatina. O SUS oferece atendimento multidisciplinar gratuito. Consultar o cartão do SUS e buscar a unidade de saúde da família da região ajuda a iniciar o acompanhamento corretamente.