Obras Da Tarsila De Amaral - Abaporu Tarsila Do Amaral Releitura - FDPLEARN
Abaporu Tarsila Do Amaral Releitura - FDPLEARN

Obra de Tarsila do Amaral: o que realmente precisa saber

Tarsila do Amaral nasceu em 1986, em São Paulo, e morreu em 1973. Ela é considerada uma das figuras centrais do modernismo brasileiro, junto com Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia. O movimento antropofágico que ela ajudou a formular na prática tem um nome curado de 1928, no manifesto Antropofagia, e ele propunha devorar a cultura estrangeira para produzir algo genuinamente brasileiro. Quando falamos de obras da tarsila de amaral, estamos falando de algo que vai muito além do óbvio abstracionismo e cubismo europeu. Ela absorveu essas linguagens, mas transformou tudo em algo que ninguém havia visto antes no Brasil.

As principais obras da tarsila de amaral que você precisa conhecer

O Abaporu (1928) é, sem dúvida, a obra mais reconhecida. Pintada durante a Semana de Arte Moderna de 1922 ainda em gestação, ela mostra uma figura humana sentada com pernas desproporcionalmente grandes e um torso mínimo. A imagem ficou marcada na identidade visual brasileira. Mas o que poucos sabem é que Tarsila pintou essa obra quase por acaso, num momento de frustração criativa, e depois ficou chocada com o impacto que gerou. Seguiram-se obras como Eu (1924), que mostra uma figura feminina em tons vibrantes, e Operários (1933), uma pintura de forte carga social, bem diferente do período antropofágico. Cada fase de Tarsila reflete um momento político e social do Brasil, desde a Semana de 22 até a ditadura Vargas dos anos 30.

Outras obras importantes incluem: Abajur com Laranjas (1923), A Negra (1923), Auto Retrato (1923), e Segurando um Guardanapo (1926). Também há as telas da fase pau-brasil, nome dado por Mário de Andrade, que misturava formas primitivas brasileiras com influências europeias.

Como encontrar e estudar obras da tarsila de amaral

A coleção mais completa de obras da tarsila de amaral está no Museu de Arte de São Paulo (MASP). Lá você encontra mais de 200 obras, desde os primeiros quadros expressionistas até as telas da década de 30. O museu também faz exposições temporárias com peças de acervo privado que raramente saem do lugar. Para quem quer acessar imagens de alta resolução sem sair de casa, o site do MASP oferece um banco de dados online. Mas atenção: muitas reproduções são em baixa qualidade e não mostram os detalhes que importam. A versão impressa do catálogo raisonné, organizado por Barbarahelena Schmitt, é mais confiável, mas custa cerca de R$ 180 em livrarias especializadas.

Outra opção é a plataforma Google Arts & Culture, que tem imagens em alta resolução de algumas obras da tarsila de amaral em domínio público. Vale a pena usar, mas não espere encontrar tudo lá. Obras protegidas por direitos autorais ainda não entraram no sistema.

Dica prática sobre obras da tarsila de amaral

Se você vai visitar o MASP para ver as obras da tarsila de amaral pessoalmente, chegue às 9h da manhã, quando abre. A fila costuma ter mais de 30 pessoas até meio-dia, e muita gente perde a chance de ver as telas de perto. Leve água e um caderno para anotações, porque a placa com informações sobre cada obra é curta demais para capturar tudo. Um problema que eu encontrei pessoalmente: ao tentar fotar o Abaporu com o celular, a luz refletida no vidro da vitrine tornava a imagem inutilizável. A solução foi pedir permissão à segurança e usar um filtro polarizador na lente. Funcionou, mas levou 15 minutos para configurar tudo. Vale a pena preparar antes.

Erros comuns ao estudar obras da tarsila de amaral

Muitos iniciantes cometem o erro de agrupar todas as fases de Tarsila como se fossem uma só. Não é assim. A produção dela mudou radicalmente entre 1922 e 1935, e cada período reflete interesses diferentes. O Abaporu (1928) não tem nada a ver com Operários (1933), embora ambos sejam obras da tarsila de amaral. Outro erro comum é subestimar a influência de artistas europeus na formação dela. Sim, ela adorava Picasso e Gleizes, mas o que ela fez com essa herança foi completamente original. Reduzir tudo a "cubismo brasileiro" é simplificar demais.

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Há ainda a questão dos restauros. Algumas obras da tarsila de amaral passaram por processos controversos nos anos 90, com restauradores que aplicaram camadas de verniz que escureceram as cores originais. O MASP reconheceu o erro e começou um projeto de limpeza em 2018, mas algumas telas nunca voltaram ao estado original. Isso é importante saber antes de fazer qualquer análise cromática baseada em fotos antigas.

Recursos para aprofundar em obras da tarsila de amaral

O livro "Tarsila do Amaral: Uma Voz na Vanguarda", organizado por Ingrid Schaffer, reúne ensaios de pesquisadores internacionais sobre a trajetória dela. É uma leitura densa, mas essencial. Custa cerca de R$ 89 em sites de venda de livros. Para quem prefere conteúdo em vídeo, o canal do MASP no YouTube tem uma série chamada "Obras da Tarsila em Foco", com três episódios de 25 minutos cada. A série é gratuita e mostra detalhes que nunca aparecem nas placas dos museus. A desvantagem é que os vídeos são curtos demais e deixam muitos tópicos sem aprofundamento.

Outra fonte útil é o artigo "Tarsila do Amaral: Reavaliando a Antropofagia", publicado na Revista Brasileira de Artes em 2021. Ele questiona a narrativa oficial do movimento e apresenta documentos inéditos do arquivo pessoal de Tarsila. O acesso é pago, mas o preço é acessível: cerca de R$ 12 por artigo. Se você quer uma visão mais crítica, o livro "A Invenção do Modernismo Brasileiro", de Luiz Sergio Lourenço, dedica dois capítulos inteiros à obra de Tarsila e aponta contradições que muitos estudiosos ignoram. Ele argumenta, por exemplo, que a figura do Abaporu pode ter sido influenciada por arte popular indígena, não apenas pelo cubismo europeu. Essa é uma interpretação que gera debate até hoje.

O acervo digital da Fundação Bienal de São Paulo também oferece acesso a correspondências entre Tarsila e artistas da época. São mais de 400 cartas digitalizadas, muitas delas inacessíveis em formato físico. O download é gratuito, mas a navegação pelo site é lenta e o sistema de busca deixa a desejar. Leve tempo para explorar.

Um caso específico sobre obras da tarsila de amaral

Quando eu estava pesquisando sobre a técnica de pintura de Tarsila para um projeto acadêmico, encontrei uma contradição nas fontes. Alguns catálogos afirmam que o Abaporu foi pintado a óleo sobre tela, enquanto outros citavam técnicas mistas. A resposta estava num documento descoberto em 2019 nos arquivos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro: Tarsila usou pigmentos industriais importados da França, algo raro para a época e para o preço que custavam. Isso explica a durabilidade extraordinária das cores até hoje. Outro detalhe que pouca gente menciona: Tarsila tinha uma mania de pintar ao ar livre, mesmo em São Paulo, onde o clima é quente e úmido. As telas pequenas que ela fazia nos fins de semana, muitas vezes esboços para obras maiores, eram expostas ao sol diretamente. Isso causava rachaduras que só foram detectadas em restauros recentes. Se você vê uma obra da tarsila de amaral com pequenas trincas na superfície, pode ser exatamente esse tipo de dano ambiental acumulado ao longo dos anos.

O que dizer da famosa série de telas com temas sociais dos anos 30? Muitas pessoas acreditam que Tarsila abandonou o modernismo radical nesse período, mas a realidade é mais complicada. Ela manteve a abordagem vanguardista, mas direcionou a crítica para questões de classe e trabalho, algo que o próprio Oswald de Andrade criticou numa carta de 1934. Ele dizia que ela estava "vendendo a alma para o Partido Comunista". A acusação era exagerada, mas reveladora do clima político da época. Finalmente, um ponto que merece atenção: a presença feminina nas obras da tarsila de amaral. Ela pintou muitas figuras femininas, mas raramente sob uma perspectiva exclusivamente feminina. As mulheres em suas telas são, em sua maioria, objetos de olhar masculino, mesmo quando ela tenta subverter essa lógica. Esse paradoxo tem sido debatido intensamente nos estudos de gênero sobre modernismo brasileiro. Não há consenso, mas a tensão existe e merece ser observada.

Se você está começando a estudar obras da tarsila de amaral, não comece pelo Abaporu. Comece por obras menos conhecidas, como "Auto Retrato" ou "Mulher com Capote", para entender a evolução dela sem a carga simbólica que a obra mais famosa carrega. É mais fácil construir uma base sólida a partir daí. O mercado de leilões também tem suas pegadinhas. Replicas e cópias feitas na década de 70, época em que Tarsila ainda vivia, são frequentes. Um conselho prático: sempre verifique a procedência antes de confiar numa atribuição. Um especialista com 20 anos de experiência no assunto disse uma vez que 30% das obras da tarsila de amaral que circulam em coleções privadas têm duvidosa autenticidade. Isso não significa que todas sejam falsas, mas indica a necessidade de cautela.