Opressor E Oprimido - Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o ...
Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o ...

Entendendo opressor e oprimido na prática

Quando você trabalha com temas de desigualdade, dominação e conflito social, logo se depara com o conceito de opressor e oprimido. É um daqueles termos que todo mundo usa mas pouca gente explica direito. A questão central é simples: existe uma relação entre quem tem poder e quem não tem, e essa relação se sustenta por meio de estruturas, não apenas por ações isoladas.

O conceito de opressor e oprimido

O conceito descreve a dinâmica entre dois polos de uma relação desigual. O opressor é aquele que detém poder — seja econômico, político ou social — e mantém essa posição. Oprimido é quem está subordinado por essa estrutura. O ponto importante é que não se trata apenas de pessoas ruins cometendo atos ruins. É um sistema que produz esses papéis. No meu trabalho com análise social e estudos sobre poder, já vi muita gente confundir isso. Acham que é sobre identificar indivíduos individualmente. Não é. É sobre entender estruturas que produzem certos comportamentos. Um chefe abusivo num escritório não é o mesmo tipo de opressão que um sistema educacional que repele alunos da periferia. Ambos têm elementos de dominação, mas operam em escalas diferentes.

Como a teoria funciona no concreto

A ideia principal é que o opressor e oprimido precisam um do outro para existir nessa relação. Sem alguém oprimido, não há opressor no mesmo sentido. O opressor depende da submissão alheia para manter sua posição. E o oprimido, inicialmente, acaba internalizando parte dessa lógica. Isso é o que Paulo Freire chamou de consciência ingênua — a pessoa oprimida começa a ver a opressão como algo natural, como "o jeito que as coisas são".

O problema prático que eu vejo frequentemente é que as pessoas tentam resolver a opressão apenas promovendo os oprimidos ao status dos opressores. Isso não funciona porque não muda a estrutura. Já vi programas de inclusão que só criavam uma nova elite idêntica à anterior. A diferença é o rosto das pessoas, não o mecanismo de poder.

Aplicando o conceito

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Para usar essa análise de forma útil, você precisa primeiro mapear onde estão os mecanismos de poder. Não basta olhar para cima e abaixo, olhe também para os lados. Relacionamentos horizontais podem ter dinâmicas opressivas. Irmãos mais velhos controlando irmãos mais novos. Colegas de trabalho isolando uns aos outros. O poder não só desce verticalmente. O que eu recomendo como ponto de partida é simples: identifique quem toma decisões, quem dita normas e quem sofre as consequências quando as coisas dão errado. Se o mesmo grupo sempre decide e o mesmo grupo sempre perde, você encontrou um padrão de opressão. Não confunda isso com competição saudável ou merecimento individual. A questão é sistêmica.

Limitações que ninguém conta

A ferramenta conceitual de opressor e oprimido tem pontos fracos importantes. Ela tende a criar divisões binárias rígidas que não capturam a realidade complexa das identidades múltiplas. Uma pessoa pode ser oprimida em um aspecto e opressora em outro simultaneamente. Mulher negra em contexto racista e patriarcal carrega essas camadas diferentes. O modelo simples não resolve isso bem.

Outro problema é a armadilha da culpabilidade. Aplicar essa lente de forma ingênua pode levar pessoas a se sentirem pessoalmente culpadas por estruturas das quais elas se beneficiam sem querer. Isso gera rejeição ao conceito, não entendimento. A análise funciona melhor quando focada em mudar estruturas, não em apontar dedos. Se o seu objetivo é ação prática, o conceito puro precisa ser combinado com ferramentas concretas de mudança. Análise sem mecanismo de transformação vira apenas teoria confortável. O que funciona na prática é cruzar essa leitura estrutural com dados reais — estatísticas de acesso, índices de mobilidade, relatos documentados. Sem dados, você fica no terreno da suposição.

O conceito de opressor e oprimido segue sendo uma das lentes mais úteis para ler conflitos sociais, desde que você não trate como resposta final, mas como ponto de partida para perguntas mais específicas sobre como poder opera no cenário que você está analisando.