Origem Do Xaxado - Histórias e Cenários Nordestinos: Xaxado
Histórias e Cenários Nordestinos: Xaxado

O que é o xaxado e de onde ele veio

Xaxado é um estilo musical e dançante do Nordeste do Brasil, com raízes que ficam na zona rural de Sergipe, especialmente na região do Vale do São Francisco, e também em partes da Bahia. A dança tem passos bem característicos: batidas de pés, giros, e aquele movimento de "arrastar" que dá nome ao gênero. A música acompanha com sanfona, zabumba, triângulo e violão, num ritmo que mistura toadas regionais com influências africanas e indígenas. O termo xaxado vem da palavra "xaxar", que no sertão significa arrastar os pés no chão de terra. Quando as pessoas começaram a dançar com esse movimento de deslizar os pés, o nome foi ficando. É uma descrição literal do que acontece na dança.

A origem do xaxado

A origem do xaxado está ligada aos tropeiros e vaqueiros que circulavam por Sergipe e Bahia entre os séculos XVIII e XIX. Eles levavam sanfonas para tocar nas festas de vila e nos arraiais. O ritmo evoluiu dessas reuniões camponesas, misturando cantigas de trabalho com compassos de ritmos de origem africana trazidos pelos escravizados. Luiz Gonzaga foi fundamental para popularizar o gênero no resto do Brasil a partir dos anos 1940, mas o xaxado já existia como tradição oral muito antes disso.

Como o xaxado funciona na prática

Se você for aprender xaxado, o primeiro problema que encontra é que existem várias correntes. Tem o xaxado mais rápido, de feira, que é praticamente uma cavalgadura com os pés. Tem o xaxado lento, de salão, que parece um forró enguiçado. E tem o xaxado de brega, que muita gente confunde com o gênero original. O passo básico é simples de ver mas difícil de fazer direito. Você começa com o pé da frente batendo no chão num ritmo 2/4, desliza para o lado e volta. O segredo não é a perna, é o quadril. A maioria dos iniciantes fica prendendo o ar todo o tempo e fazendo movimentos isolados dos joelhos, o que deixa a dança travada e visualmente feia. O quadril segue o peso do corpo naturalmente quando você deixa o joelho levemente flexionado e não trava a coluna.

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Um detalhe que quase ninguém ensina: o sanfoneiro que toca xaxado precisa saber ajustar o balanço do arranjo conforme o número de dançarinos no salão. Se tem pouco pessoal, o ritmo acelera. Se o salão enche, o sanfoneiro segura o compasso. Eu já vi sanfoneiros estragarem a dança por não perceberem isso e continuarem num andamento que não combinava mais com o espaço disponível. A solução é manter contato visual com o grupo de dançarinos antes de cada virada, não confiar apenas no metrônomo interno.

Erros comuns e como evitar

Gravadores e estudantes de música folclórica frequentemente tentam transcrever o xaxado para partitura ocidental padrão. Isso funciona mal. O ritmo do xaxado depende de síncopes que não se encaixam bem no compasso binário convencional. A batida real fica entre o primeiro e o segundo tempo, numa microdefasagem que partitura formal quase sempre perde. Para capturar o ritmo corretamente, use gravação de áudio e faça uma transcrição rítmica aproximada, prestando atenção nos acentos da zabumba e não apenas na métrica escrita. Outro erro é tratar o xaxado como um subgênero do forró. Ele tem parentesco, sim, mas é distinto. O forró pé-de-serra tem outro andamento e outra relação com o par. Xaxado nasceu como dança de rua, de festa de vila, muitas vezes solteira ou em roda. Forçar o xaxado para caber no esquema do forró institucionalizado remove a essência do ritmo.

Onde encontrar material autêntico

As melhores gravações antigas de xaxado estão em discos de 78 rotações dos anos 1950 e 1960, muitos deles em acervos da Rádio Nacional de Sergipe e da Fundação Cultural João Pedro de Xavier e Souza. O Arquivo Sonoro do Nordeste, mantido pela UFS, tem boa parte desse material digitalizado. Para quem quer aprender os passos, os vídeos mais confiáveis são os de mestres da região de Propriá e Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe. Evite tutoriais genéricos de YouTube que misturam xaxado com forró universitário; a técnica é outra e o resultado final parece artificial. O xaxado é uma tradição viva que ainda se pratica em festas juninas e encontros regionais pelo Vale do São Francisco. Se você tem interesse genuíno, o caminho é ir até lá, assistir os mais velhos dançarem, e pedir para ensinar. A teoria sozinha nãoResolve nada.