Paises Da Antiga Urss - URSS: história, países e o fim da União Soviética - Toda Matéria
URSS: história, países e o fim da União Soviética - Toda Matéria

O que são os países da antiga URSS

Os países da antiga URSS são os quinze estados que se tornaram independentes depois que a União Soviética deixou de existir em dezembro de 1991. A dissolução não foi um evento único com data marcada no calendário de todo mundo, mas sim um processo que levou meses, com declarações de independência espalhadas entre 1990 e 1991, e o colapso final ocorrendo nas primeiras semanas de dezembro daquele ano. O grupo mais conhecido é o dos três países bálticos — Estônia, Letônia e Lituânia — que foram os primeiros a declarar independência, em 1990, e que mais tarde se tornaram membros da União Europeia e da OTAN. Depois vêm os três países caucasianos: Geórgia, Armênia e Azerbaijão, cada um com conflitos regionais que ainda repercutem hoje. Em seguida temos os cinco países da Ásia Central, chamados de "stões", que eram repúblicas soviéticas com governos muito mais fechados e que mantiveram estruturas autoritárias após a saída de Moscou.

Paises da antiga urss: lista completa e contexto prático

Aqui está a lista dos quinze países, organizada por região geográfica para facilitar a visualização: Bálticos: Estônia, Letônia, Lituânia

Caucaso: Geórgia, Armênia, Azerbaijão Ásia Central: Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão, Uzbequistão

Europa Oriental: Rússia, Ucrânia, Bielorrússia, Moldávia Essa divisão geográfica não é só didática. Ela reflete realidades muito diferentes em termos de economia, relações com a Rússia e nível de desenvolvimento. Os bálticos são ricos e integrados ao Ocidente. A Ásia Central é pobre, fechada e dependente de remessas e de contratos com a China e a Rússia. A Europa Oriental tem uma mistura — a Ucrânia brigando entre ocidente e Rússia, a Bielorrússia praticamente um estado fantoche, a Moldávia tentando não afundar completamente.

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Uma coisa que muita gente não leva em conta é que a ex-URSS não era apenas um país grande com várias repúblicas. Era um sistema econômico integrado onde as cadeias de suprimentos cruzavam fronteiras de formas que nenhum planejador central conseguiria mapear direito. Quando o sistema acabou, as fábricas ficaram órfãs. Um fabricante de caminhões na Bielorrússia que dependia de peças da Ucrânia e de motores da Rússia simplesmente parou de funcionar. Isso criou desemprego em massa em algumas regiões e migração forçada em outras. Eu trabalhei com logística para uma empresa de exportação nos anos 2000 e tive um problema específico com uma rota que passava por Cazaquistão e Quirguistão. As documentos alfandegários precisavam ser traduzidos para russo e para o idioma local de cada ponto de fronteira, e os funzionários cobravam taxas informais que nunca estavam escritas em lugar nenhum. A solução que funcionou foi contratar um despachante local em Alma-Ata que conhecia cada posto de fronteira da rota e tinha relações estabelecidas com os funcionários. Isso reduziu o tempo de traversia de cerca de cinco dias para dois dias e meio, e eliminou quase completamente os atrasos imprevisíveis. Sem essa adaptação prática, o projeto teria ido por água abaixo.

O uso do russo como língua franca ainda é real nesses países, especialmente na Ásia Central e no Cáucaso. Mas a situação varia muito. Na Lituânia, por exemplo, menos de 10% da população fala russo como segunda língua, e há uma aversão pública forte a qualquer coisa que lembre a ocupação soviética. No Cazaquistão, o governo está substituindo gradualmente o cirílico pelo latim no alfabeto oficial, um processo que vai levar décadas. Na Ucrânia, a guerra de 2022 acelerou drasticamente a remoção do russo da vida pública. Outro ponto que as pessoas ignoram: as moedas. Todos esses países criaram suas próprias moedas após a independência, e a história cambial de cada um é bastante diferente. O rublo russo ainda é usado como moeda de fato em partes da Transnístria e em algumas regiões do Cáucaso. O manat do Turquemenistão passou por uma redenominiação em 2009 que praticamente zerou os preços em números, o que confundiu qualquer visitante ou empresa estrangeira. O tenge cazaque é livremente conversível e um dos mais estáveis da região.

Há também a questão das minorias étnicas. A Rússia tem cerca de 20 milhões de falantes de russo vivendo fora de suas fronteiras, muitos deles em cidades que agora estão em outros países. Na Estônia, os estonianos étnicos são só cerca de 60% da população; o resto é majoritariamente russo-falante, e muitos não têm cidadania estoniana. Isso cria tensões políticas reais que afetam relações bilaterais e até acordos comerciais. A Comunidade dos Estados Independentes (CEI) foi criada em 1991 como uma tentativa de manter alguma cooperação entre os ex-estados soviéticos. Na prática, funciona de forma muito irregular. Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão participam ativamente. Outros países são membros nominalmente mas participam pouco. A União Económica Eurasiática, fundada em 2015, é um projeto mais profundo liderado pela Rússia que inclui Cazaquistão, Bielorrússia, Quirguistão e a própria Rússia. A Armênia também entrou, mas a Ucrânia nunca foi parte significativa e o Cazaquistão mantém uma postura equilibrada entre a CEI e a OCDE.

Se você está pesquisando sobre esses países para negócios, viagens ou estudo, o conselho mais prático que posso dar é: não generalize. Tratar o Cazaquistão como se fosse a Ucrânia, ou tratar a Geórgia como se fosse o Turquemenistão, é o erro mais comum e o que mais causa problemas. Cada um desses quinze países tem trajetórias completamente diferentes desde 1991, e as diferenças são mais importantes do que as semelhanças.