Parceiros Da Educação - Expositores - Bett Brasil | Transformando a Educação
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O que é o programa e como funciona na prática

Parceiros da educação é uma plataforma ligada ao Itaú Social que conecta empresas interessadas em investir socialmente com escolas públicas que precisam de apoio para melhorar a gestão e os resultados de aprendizagem. O modelo é baseado em parcerias de médio e longo prazo entre o setor privado e unidades escolares de rede pública.

Como acessar parceiros da educação

O acesso acontece pelo site oficial da iniciativa. A inscrição das escolas é feita pela própria rede de ensino, geralmente por meio da secretaria municipal ou estadual de educação que encaminha as propostas. As empresas entram como parceiras e assinam o termo de cooperação com a escola selecionada. A Plataforma Parceiros da Educação funciona como um ambiente digital onde as partes registram cronogramas, metas, acompanhamentos e a prestação de contas. Ela também disponibiliza material de apoio para a formação dos conselhos escolares e orientações sobre planejamento estratégico aplicadas ao contexto escolar público.

O que menos gente entende é que o processo não é apenas uma doação. A empresa precisa se comprometer com acompanhamento contínuo. Já vi várias que desistiram depois de três meses porque não tinham espaço interno para designar alguém responsável pelo monitoramento das atividades na escola. Isso gera um problema sério: a escola fica no vácuo e o conselho perdie o rumo.

Passo a passo para criar uma parceria

1. Identificar a escola — A escola precisa estar em uma rede que tenha vínculo com o programa. O ideal é verificar junto à secretaria de educação da sua cidade se há vagas abertas para novas parcerias. Isso varia conforme a região e o ano letivo. 2. Preparar o diagnóstico — Antes de qualquer coisa, a escola precisa ter dados claros sobre seus indicadores: IDEB, evasão, fluxo, desempenho por disciplina, situação do conselho escolar. Sem isso, a proposta perde credibilidade. Já passei por uma situação em que uma escola abriu o módulo na plataforma sem ter nenhum documento organizado. Levamos seis semanas só para recuperar a informação básica e montar o plano de ação. A solução foi pedir à secretaria que enviasse um extrato oficial dos dados, em vez de depender de planilhas soltas que os coordenadores enviavam pelo WhatsApp.

3. Definir as metas com a empresa — As metas precisam ser mensuráveis e realistas. Coisas como "melhorar o IDEV" sem definir ano base, meta numérica e indicadores intermediários são inúteis. Use sempre indicadores de processo além de resultado, como frequência do conselho, realização de formações, cumprimento do cronograma de intervenções pedagógicas. 4. Registrar tudo na plataforma — O acompanhamento deve ser feito lá dentro. Anotações em papel ou e-mail não contam. Cada atividade, cada reunião, cada decisão precisa ter registro com data e responsável. Isso facilita a prestação de contas e também serve para corrigir a rota rapidamente quando algo sai do plano.

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5. Manter a comunicação estruturada — Recomendo organizar reuniões quinzenais com pauta fixa: o que foi executado, o que está atrasado, quais são os próximos passos. Sem pauta, a reunião vira conversa genérica e nada avança.

Pegadinhas comuns que quebram parcerias

A principal é a falta de clareza sobre papéis. Empresa acha que só repassa recurso. Escola acha que a empresa vai resolver tudo. Conselho escolar fica na mão sem saber o que fazer. O programa prevê isso com a formação dos membros do conselho, mas na prática muitas escolas só descobrem a existência do conselho quando chega a visita da empresa, e aí não há ninguém preparado para participar de forma efetiva. Outro ponto é o descompasso de expectativas sobre o prazo. Parceria educacional eficiente leva pelo menos dois anos letivos para mostrar mudanças consistentes nos indicadores. Empresas que esperam resultado no primeiro semestre costumam frustrar e descontinuar o investimento. Eu já vi uma parceria ser encerrada porque a diretora queria ver melhoria no IDEV em um ano, e a empresa achava que dois anos era muito tempo. Terminou em burocracia e resmungo.

Também é comum que a rotatividade de gestores na escola estrague o andamento. Mudou a diretora, mudou o coordenador pedagógico, e todo o histórico construído fica no arquivo morto. A plataforma guarda os registros, mas o conhecimento tácito não. Sempre que há mudança de gestão, o primeiro passo deve ser uma reunião de transição com toda a documentação à mão, algo que poucas escolas fazem de verdade.

Dicas que realmente funcionam

Use o conselho escolar como ponte, não como ornamento. O conselho precisa participar ativamente do planejamento e do monitoramento, senão vira entidade decorativa e a parceria perde sustentabilidade política dentro da escola. Mantenha um repositório simples e acessível para todos os documentos. Eu costumava usar uma pasta no Google Drive organizada por mês e tipo de documento: atas, relatórios, certificados de formação, comprovantes de atividades. Qualquer pessoa nova na equipe consegue encontrar o que precisa em menos de dois minutos. Isso evita muito trabalho quando a secretaria pede um relatório de prestação de contas.

Não subestime a parte humana. Relacionamento importa tanto quanto planejamento. Almoço mensal com a equipe da escola e da empresa, troca de mensagens informais sobre o dia a dia, reconhecimento público do trabalho dos voluntários — tudo isso parece bobagem, mas faz diferença real na aderência das atividades e na permanência das pessoas envolvidas. O sistema Parceiros da Educação tem limitações técnicas que vale mencionar. A interface pode ficar lenta em períodos de pico, como no início e no final de cada bimestre quando todas as escolas tentam atualizar os relatórios ao mesmo tempo. Não adianta insisitir em fazer atualizações massivas de uma vez. Distribua as entregas ao longo da semana. E em casos raros, a plataforma pode sincronizar mal arquivos enviados em formatos fora do padrão. Sempre use PDF ou XLSX padrão, evite arquivos compactados ou com formatação personalizada.

Se a sua realidade for muito específica e a plataforma não conseguir atender, existe a possibilidade de usar o próprio material didático oferecido pelo programa fora do ambiente digital, organizando internamente com planilhas ou ferramentas próprias. Não é o ideal, mas funciona quando a infra da escola não permite uso regular da plataforma.