Quando Eu Era Criança
Existia um tempo em que as tardes pareciam não ter fim. Eu corria descalço pelo terreiro da casa da vovó, com o sol quentinho no rosto e o cheiro de terra molhada depois da chuva enchendo meu nariz. Minha mãe chamava lá de longe: “Vem jantar!” e eu respondia correndo, sem pressa, porque sabia que sempre haveria mais tempo para tudo. Lembro das bolinhas de gude, dos desafios com os colegas do bairro, e de como cada vitória parecia uma conquista gigante. Guardávamos tesouros em caixinhas de fósforo — pedrinhas coloridas, papéis dobrados, um botão brilhante que eu achava ser ouro.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
poema sobre lembranças da infância
As manhãs de escola tinham aquele jeito especial. O lanche na mochila, dividido com o amigo do lado. O recreio apertado, as brigas que se resolviam em minutos e se transformavam em amizade pra vida toda. As cartilhas coladas, os lápis de cor gastos pela mão suada de tanto desenhar. Havia os verões intermináveis de férias, quando o mundo inteiro era um campo de aventuras. O quintal virava selva, a mangueira se tornava o barco dos navegantes, e as estrelas no céu noturno eram mapas de destinos longínquos que sonhávos alcançar.
Agora, aos poucos, essas memórias se tornam mais raras, como pássaros que voam alto demais para a gente enxergar. Mas quando fecho os olhos e deixo o vento me levar, volto a ser aquele menino correndo descalço, com o coração cheio de coisas simples que, na época, pareciam infinitas. Às vezes, um cheirinho de bolo assando, o som de uma risada longe, ou a luz do pôr do sol pintando as nuvens de laranja — e tudo volta. A infância não acaba de verdade. Ela só espera a gente lembrar de visitá-la.