Principais Conectivos Para Redação - Lista de conectivos para redação - Norma Culta
Lista de conectivos para redação - Norma Culta

Como usar conectivos de verdade em redações

A maioria dos estudantes trata os conectivos como um menu de opções: escolhe um, coloca no início do parágrafo e torce para que soe inteligente. O problema é que a correção de redação não avalia se você memorizou uma lista. Ela avalia se o texto flui e se as ideias se sustentam logicamente. Conectivo errado no lugar errado quebra a argumentação inteira, não só a pontuação.

principais conectivos para redação: o que realmente funciona

Vou listar os conectivos que aparecem com mais frequência em bancas como ENEM, vestibulares e concursos, mas antes disso preciso falar de um erro que cometi na correção de provas — e que vejo todos os anos. Aluno usa "portanto" para introduzir uma conclusão que na verdade é uma simples reiteração do que já foi dito. O corretor entende que não houve avanço argumentativo. A nota cai não por falta de conectivo, mas por uso vazio do conectivo. O "portanto" exige pré-requisito. Você precisa ter construído uma cadeia de raciocínio anterior para que a conclusão seja legítima. Sem isso, ele é apenas ruído.

Dito isso, aqui estão os conectivos organizados por função, não por categoria abstrata: Adição e soma: "e", "não só... mas também", "acrescenta-se que", "além disso". Use "além disso" quando você quer acrescentar um argumento novo que fortalece a tese. Não use como sinônimo de "e". O "e" é para coisas do mesmo peso. O "além disso" sinaliza que o que vem depois tem relevância extra.

Contraposição e oposição: "mas", "porém", "contudo", "entretanto", "no entanto", "não obstante", "embora", "conquanto". Aqui há um detalhe que poucos percebem. "Embora" e "conquanto" introduzem orações subordinadas adverbiais concessivas. Eles não funcionam no início de parágrafo isoladamente. Você precisa ligá-los a uma oração principal. Escrever "Embora seja importante, a educação..." está correto. Escrever "Embora seja importante. A educação..." é erro grave de pontuação e sintaxe. Causalidade: "porque", "pois", "já que", "uma vez que", "visto que", "devido a", "em razão de". O "porque" no início de frase é aceitável em registros informais, mas em redação formal prefira "pois" ou "já que". O "visto que" é mais preciso porque implica uma causa já reconhecida, não uma opinião. Se você quer apresentar um argumento contestável, use "porque". Se quer algo que o leitor já aceita como dado, use "visto que".

Conclusão: "portanto", "logo", "assim", "desse modo", "diante disso", "face a isso". Lembre-se: conectivo de conclusão não serve para terminar parágrafo. Ele precisa de um antecedente argumentativo. Se o parágrafo anterior não apresentou dados, exemplos ou raciocínio suficiente, o "portanto" vai soar fabricado. O corretor nota quando a conclusão surge do nada. Exemplificação: "por exemplo", "como", "nomeadamente", "sobretudo", "em especial". Cuidado com "como". Ele pode ser usado de duas formas: para exemplificar ("Como mostra o dados...") ou para estabelecer comparação ("Como os romanos, os brasileiros..."). A ambiguidade é comum e gera incompreensão. Se o sentido não ficou claro na primeira leitura, reescreva.

A prática real: onde os conectivos falham

O conectivo mais problemático que vejo em redações é "contudo". Ele é formal demais para muitos contextos e, ao mesmo tempo, subutilizado. Quando aparece, geralmente está sendo usado como sinônimo de "mas". Isso não está errado gramaticalmente, mas empobrece o texto. O "contudo" carrega um peso argumentativo maior que o "mas". Ele sinaliza que o autor está ciente da objeção e mesmo assim persiste na tese. Se você vai usá-lo, precisa ter construído essa objeção antes. Um caso específico que me marcou: em uma correção de simulado, um aluno escreveu "A desigualdade social aumenta. Contudo, o governo investe em cultura." Não havia nenhum argumento anterior que estabelecesse a contradição entre investimento cultural e desigualdade. O "contudo" ficou solto, sem terreno lógico para pisar. A frase seguinte precisava explicar por que o investimento em cultura, naquele contexto específico, não reduzia a desigualdade. Sem isso, o conectivo é decorativo.

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O workaround que recomendo é simples: antes de colocar qualquer conectivo de oposição, pergunte-se "eu apresentei claramente o lado oposto?" Se não, o conectivo não tem função. Troque por um conector de adição ou reformule o parágrafo para incluir a contra-argumentação.

Conectivos que quase ninguém usa (e deveriam)

"Nesse sentido" é um conector de encadeamento argumentativo que funciona muito bem para retomar um raciocínio anterior e direcioná-lo para uma implicação. Diferente de "portanto", ele não exige conclusão lógica perfeita. Ele apenas diz: "considerando o que foi dito até agora, vamos na direção X". É mais seguro porque não sobrecarrega o texto com pretensões de conclusividade. "Sob esse prisma" segue a mesma lógica. É útil quando você quer mudar de ângulo sem romper a coerência. Muitos alunos acham que soa pretensioso, mas em redações formais a formalidade é exigida. O risco real não é o registro, é o uso repetitivo. Use uma vez por texto, no máximo.

Outro conector subestimado: "em virtude de". Ele funciona como "devido a", mas permite maior flexibilidade sintática. Pode introduzir uma oração ou um substantivo. "Em virtude da corrupção sistêmica" é mais fluido que "Devido à corrupção sistêmica" em muitos contextos de ligação entre períodos.

O erro mais comum na hora de organizar os parágrafos

Estudantes costumam decidir qual conectivo usar antes de escrever o argumento. Isso é inverter a ordem correta. O conectivo deve nascer da estrutura do parágrafo, não o contrário. Você primeiro constrói a ideia, identifica qual relação lógica ela tem com o parágrafo anterior, e só então seleciona o conectivo apropriado. Quando você faz o caminho inverso, acaba forçando um conector que não se encaixa e o texto fica mecânico. Na prática, isso significa revisar cada parágrafo após escrevê-lo. Leia o último período do parágrafo anterior e o primeiro do atual. Se a relação não estiver clara, ajuste o conectivo ou, melhor ainda, reescreva as frases para que a relação se torne óbvia sem depender de um conector externo.

A diferença entre uma redação nota alta e uma mediana frequentemente está nessa revisão. Não é sobre usar conectivos difíceis. É sobre usar os certos nos lugares certos, com antecedência argumentativa construída corretamente.

Resumo do que funciona e do que não funciona

Conectivos de conclusão exigem raciocínio prévio construído. Conectivos de oposição exigem que a objeção tenha sido apresentada. Conectivos causais exigem clareza sobre o que é causa e o que é efeito. Não háatalho. O conectivo é ferramenta, não decoração. O uso excessivo de "portanto", "logo" e "assim" no mesmo texto é sinal de que o autor não confiou na força dos argumentos para chegar à conclusão. Se a conclusão precisa de um conectivo para existir, o argumento anterior foi fraco. Reforce o argumento antes de recorrer ao conector.

Para quem quer praticar, o exercício mais eficaz é pegar uma redação nota 1000 e identificar cada conectivo, qual função ele cumpre e se poderia ser substituído por outro sem prejuízo. A maioria das substituições não funciona. Isso ensina mais do que qualquer lista decorada.