Quais São As Danças Juninas - As cinco maiores festas juninas do Brasil | Festa junina caruaru, Festa ...
As cinco maiores festas juninas do Brasil | Festa junina caruaru, Festa ...

O que você encontra nos festivais de junho

A maioria das pessoas acha que quadrilha é tudo igual. Não é. Os movimentos básicos variam de região pra região, e o ritmo também. No interior de São Paulo, por exemplo, o quadrado fecha mais devagar e o passo é mais marcado no pé de baixo. No Nordeste, o compasso acelera e tem aquele movimento de braço que todo mundo tenta copiar mas acaba saindo torto porque não têm a referências correta. Se você tá na dúvida sobre quais são as danças juninas, a lista curta é: quadrilha, forró, valsa caipira, xote e baião. Cada uma tem um padrão de compasso diferente, e confundir eles na hora de ensinar ou coreografar gera um transtorno prático que muita gente subestima. A quadrilha é em 2/4, o forró varia mas costuma ser 2/4 ou 4/4, a valsa caipira é 3/4. Ensinar um passo de quadrilha no ritmo de valsa é o tipo de erro que ninguém nota no início mas que vira uma bagunça depois de três repetições.

quais são as danças juninas no cenário atual

O que eu vejo hoje nos eventos é uma padronização que não existe há vinte anos. Antigamente cada cidade tinha seu jeito. Agora as escolas de dança ensinam uma versão que veio de gravuras antigas e acabou virando norma. O resultado é que muito coreógrafo cria passos que nunca existiram na tradição e as pessoas passam a achar que aquilo é autêntico. Um problema concreto que eu tive foi com uma coreografia de casamento caipira que montei pro interior de Minas. O contratante queria a entrada dos noivos com todos os casais formando duplas e depois a troca de pares no meio. A figura tradicional pede que os homens avancem e recuem em linhas, não que troquem de par livremente. Eu testei três versões diferentes e nenhuma funcionou porque o espaço do salão tinha apenas 6 metros de largura. A solução foi dividir a pista em dois tempos: primeiro as filas de braços dados avançando e recuando, depois a abertura para os pares Trocarem de lugar em rotações curtas. Ficou mais lento, mas o passo encaixava.

Os passos básicos e como distinguir cada dança

A quadrilha tem uma estrutura fixa. O mestre canta as figuras e todo mundo executa. As principais figuras são: entradas dos noivos, cruzamento de pares, roda, ponteio, cadeia dupla e o famoso Quadrado Americano. Se você ouvir uma música e não souber qual é, conta os tempos. Dois tempos por compasso é quadrilha ou forró. Três tempos é valsa caipira. O forró pé-de-serra usa sanfona, zabumba e triângulo. O passo básico é o arrasta-pé, que na prática consiste num deslize seguido de batida de pé. Muitos iniciantes erram a timing porque tentam bater o pé no tempo forte quando na verdade o arrasta-pé começa no tempo fraco. O resultado é um passo descompassado que parece mais uma caminhadinha do que dança.

A valsa caipira, às vezes chamada valsa junina, é 3/4 e roda. O movimento é circular e suave. Diferente da quadrilha, ela não tem chamadas de mestre. É só seguir o par à frente. O xote tem origem europeia, compasso 2/4 ou 4/4, e um balanço mais contido. No interior brasileiro ele aparece mais como música do que como dança de festa, mas ainda se encontra em comunidades de imigrantes no Sul.

O baião é 2/4 acelerado, criado por Luiz Gonzaga. O passo básico alterna o peso entre os pés num ritmo marcada que muitos chamam de "um-dois-um-dois". A confusão comum é acharem que baião é quadrilha rápida. Não é. O baião nasce do forró e tem origem nordestina específica, enquanto a quadrilha tem raízes europeias adaptadas.

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Contexto histórico e o que não contam nos livros

A quadrilha veio dos dançarinos europeus, especificamente do cotillon francês do século XIX. Os soldados e imigrantes trouxeram para o Brasil e o povo do interior adaptou com passos que lembravam o sertanejo já existente. A transformação foi gradual, então não tem uma data exata de origem. O que tem registro claro são os manuais de dança dos anos 1920, que já descrevem figuras parecidas com as atuais. Muita gente não sabe que a "banda de pífano" tradicional nasceu nas décadas de 1930 e 1940 como forma de animar as festas nas fazendas. Antes disso, as músicas eram tocadas por instrumentos de corda ou simplesmente cantadas. A adaptação para pífano e caixa veio depois, e foi o que-fixou o som que associamos hoje ao São João.

Outra coisa que os livros de cultura popular frequentemente omitem: a associação com os santos católicos é forte, mas a estrutura coreográfica é essencialmente secular. As cores, os arcos de papel, os trajes caipiras tudo isso é invenção do século XX, popularizada pelo rádio e pelo cinema. Nada disso existia nas festas rurais originais.

Dificuldades práticas que todo mundo ignora

Ensinar quadrilha para grupos grandes é mais difícil do que parece. O problema principal é a diversidade de experiência. Em uma festa com 200 pessoas, tem desde quem nunca dançou até quem fez dança de salão por anos. A saída é separar os iniciantes numa área menor e começar com apenas o passo de avançar e recuar em filas. Não tente introduzir a cadeia dupla no primeiro momento. A maioria das pessoas não tem referências e vai travar. O ritmo também é uma armadilha. A maioria das bandas toca mais rápido do que o ideal para quem está aprendendo. Eu já vi bandas que aceleravam o quadrado tanto que o passo básico virava uma corrida. A correção é simples: peça ao maestro para manter um tempo estável, cerca de 120 batidas por minuto para a quadrilha tradicional. Se ele recusar, você pode usar um metrônomo escondido ou um celular com o som de base.

Outro ponto importante é a segurança. Pisos de terra batida ou grama molhada são problemas reais. Eu já tive um caso em que umdançarino escorregou na transição da roda para o cruzamento e torceu o tornozelo. O conselho prático é testar o piso antes do evento e ter uma equipe de primeiros socorros disponível, mesmo que seja apenas com alguém que saiba imobilizar um membro.

Fontes para quem quer aprender de verdade

Se você quer montar coreografias ou entender os passos com precisão, os manuais mais confiáveis são os do Centro de Tradições Populares e os acervos digitais de museus regionais. Há também gravações antigas de bandas nordestinas que mostram os tempos originais sem a aceleração moderna. Para quadrilha, recomendo assistir a vídeos de festas no interior de São Paulo e de Pernambuco e comparar os passos. A diferença é grande e ajuda a entender como a dança se adaptou regionalmente. Não existe um link de download único porque isso é tradição oral. O que existe são arquivos de música, partituras e registros em vídeo. A maioria está disponível em portais de cultura digital de universidades federais do Nordeste e de São Paulo. Algumas gravações de arquivo pessoal de etnógrafos também foram digitalizadas e podem ser encontradas em repositórios abertos.

Para quem quer praticar, o caminho mais direto é encontrar um grupo local de quadrilha ou forró e treinar pelo menos uma vez por semana durante um mês. A memória muscular desses passos é construída com repetição, não com leitura. Depois de um mês, você consegue identificar as diferenças entre quadrilha, xote, valsa e baião apenas ouvindo o ritmo.