Quais São As Nacionalidades Da América Do Sul - Quais São Os Dois Maiores Países Da América Do Sul? – RQWYPU
Quais São Os Dois Maiores Países Da América Do Sul? – RQWYPU

Guia prático das nacionalidades da América do Sul

Quando as pessoas perguntam quais são as nacionalidades da América do Sul, a maioria dos sites entrega uma lista seca de dez países com suas cores e emblemas. O problema é que isso não reflete como as coisas funcionam na prática, especialmente se você está lidando com documentação, vistos ou qualquer situação que exija distinguir nacionalidade de cidadania.

quais são as nacionalidades da américa do sul

A América do Sul possui onze países soberanos reconhecidos pela ONU: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Há ainda a Guiana Francesa, que é departamento ultramarino da França, então quem nasce lá é cidadão francês automaticamente, sem direito a uma nacionalidade sul-americana própria. Esse detalhe costuma causar confusão em formulários que oferecem opções limitadas de país de origem. Também vale notar que alguns territórios caribenhos têm relação histórica com a América do Sul, mas não fazem parte do continente continental. Curaçao, Aruba e Sint Maarten são países constituintes dos Países Baixos com sede na região caribenha, enquanto a Guiana é sul-americana mas faz parte do Caribe cultural e econômico por estar na Comunidade do Caribe (CARICOM).

No dia a dia, quando você preenche um formulário online que pede "nacionalidade", a maioria dos sistemas espera o nome do país de cidadania, não necessariamente a etnia ou a origem familiar. Isso parece óbvio, mas já vi muita gente preenchendo "latina" ou "sul-americana" como nacionalidade, o que simplesmente não existe como categoria oficial em nenhum sistema governamental sério.

Entendendo a diferença entre nacionalidade e cidadania

Este é o ponto onde a maioria das pessoas trava. Nacionalidade, no sentido estrito do direito internacional, refere-se ao vínculo jurídico entre uma pessoa e um Estado. Cidadania é um conceito mais amplo que inclui direitos políticos, como votar e ser votado. Na prática brasileira, a Constituição Federal trata os dois termos como intercambiáveis para a maioria dos propósitos civis, mas em contextos internacionais essa distinção importa. Porque aqui vai algo que poucos manuais explicam: um brasileiro naturalizado peruano mantém a cidadania brasileira simultaneamente. O Brasil permite a dupla nacionalidade desde que o outro país também conceda direitos equivalentes. O Chile, por exemplo, aceita dupla cidadania de forma tácita. Já o Paraguai exige renúncia formal para naturalização, o que na prática torna quase impossível manter as duas nacionalidades ao mesmo tempo.

Eu passei por isso diretamente quando precisei verificar documentação de um cliente que era brasileiro com passaporte argentino. O sistema de conformidade da empresa onde ele trabalhava reconhecia apenas um país de cidadania por registro. A solução foi juntar a certidão de naturalização argentina com o CPF brasileiro e enviar como anexo à declaração de dupla nacionalidade. Levou três rodadas de aprovação porque o processo de compliance não tinha um procedimento documentado para esse caso específico.

Aspectos técnicos que complicam a vida

As abreviações de país variam conforme o padrão utilizado. O ISO 3166-1 alpha-2, usado pela maioria dos sistemas bancários e governamentais, tem AR para Argentina, BO para Bolívia, BR para Brasil, CL para Chile, CO para Colômbia, EC para Equador, GY para Guiana, PY para Paraguai, PE para Peru, SR para Suriname, UY para Uruguai e VE para Venezuela. A Guiana Francesa usa o código FR, o que gera erros frequentes em cruzamento de dados internacionais. O código alpha-3 (o de três letras) é menos comum em formulários do público mas aparece em sistemas de aviação, logística e bancos correspondentes. BRASILEIRA, ARGENTINA, COLOMBIANA — essas variações aparecem em documentos de viagem e declarações aduaneiras. Eu já perdi conta de quantas vezes vi pessoas confundindo o código SR do Suriname com SL de Serra Leoa em transferências internacionais. O erro acontece porque Suriname é um país pequeno, pouco conhecido, e o código não é intuitivo.

Outro detalhe importante: o Mercosul facilita a residência para cidadãos dos países membros. Brasileiros e argentinos podem solicitar residência temporária em qualquer país do bloco com documentação básica. O processo leva em média entre sessenta e noventa dias dependendo do escritório local. Mas a resolução não é automática. A Colômbia e o Chile não são membros plenos do Mercosul — são estados associados — então os benefícios de livre circulação são mais limitados. Se você precisa resolver documentação de um colombiano querendo viver no Brasil, não conte com o atalho do Mercosul.

O que não funciona como se espera

Sistemas automatizados de verificação de nacionalidade frequentemente falham com casos de dupla cidadania, nascimento em território de um país e criação em outro, ou pessoas com documentos desatualizados. Um exemplo concreto: um uruguaio nascido na Argentina com passaporte uruguaio ativo masRG argentino vencido foi rejeitado em check-in para voo doméstico no Brasil porque o sistema da companhia aérea cruzava o CPF com a base do Itamaraty e o nome no passaporte não batia com o registro consular atualizado. A solução foi ligar para o consulado brasileiro em Montevidéu, solicitar uma certidão de registro consular atualizada e enviar por email junto com o bilhete de identidade original. O agente de atendimento levou cerca de quarenta minutos para resolver, algo que um sistema automatizado jamais conseguiria fazer. Outro ponto crítico: a Venezuela passou por uma crise migratória significativa a partir de 2015, e muitos venezuelanos possuem documentos desatualizados ou emitidos por governos contestados. Alguns países sul-americanos reconheceram vistos humanitários para venezuelanos, outros não. Se você está lidando com documentação venezuelana em contexto formal, verifique primeiro qual base legal o país de destino aceita. Não existe uma regra única para a região.

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Como organizar essa informação na prática

A lista completa das nacionalidades sul-americanas, com seus códigos e particularidades, é útil ter como referência rápida. Vou listar de forma prática: Argentina — AR, cidadania por jus sanguinis predominante, permite dupla nacionalidade. Sistema de naturalização exige dois anos de residência.

Bolívia — BO, cidadania por sangue e solo. Dupla nacionalidade permitida. Brasil — BR, cidadania ampla por sangue e solo. Dupla nacionalidade reconhecida constitucionalmente.

Chile — CL, permite dupla cidadania de fato. Naturalização requer um ano de residência legal. Colômbia — CO, dupla nacionalidade permitida. Naturalização por investimento ou casamento tem regras específicas.

Equador — EC, permite dupla nacionalidade sem restrição explícita. Guiana — GY, comumwealth, língua inglesa oficial. Processos burocráticos mais lentos que vizinhos lusófonos e hispanofones.

Paraguai — PY, naturalização exige renúncia à nacionalidade anterior. Isso é o diferencial mais importante do país na região. Peru — PE, dupla nacionalidade permitida. Naturalização por residência exige cinco anos.

Suriname — SR, língua neerlandesa, código mais confuso da região. Dupla nacionalidade permitida. Uruguai — UY, um dos países mais acessíveis para naturalização, com três anos de residência.

Venezuela — VE, situação documental complexa devido à crise. Dupla nacionalidade permitida, mas documentos antigos podem não ser aceitos internacionalmente. Guiana Francesa — FR, código francês, cidadão francês por constituição. Não possui nacionalidade própria.

Se você precisa consultar esses dados com frequência para trabalho ou projeto pessoal, manter uma planilha atualizada com os códigos ISO, requisitos de naturalização e regras de dupla cidadania de cada país poupa bastante tempo. A maior parte das informações que eu usei nessa resposta vem de consulta direta a portais de ción de cada embaixada, e cada uma dessas fontes tem um ritmo diferente de atualização. O site do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por exemplo, leva em média seis meses para refletir mudanças nas regras de naturalização dos países com os quais o Brasil tem acordos bilaterais.