Quais Sao Os Antiinflamatorios Nao Esteroides - OS RISCOS DO USO DE ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES PELO PACIENTE ...
OS RISCOS DO USO DE ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES PELO PACIENTE ...

O que são e como funcionam na prática

Antiinflamatórios não esteroides são um grupo de medicamentos que aliviam dor, febre e inflamação sem usar corticoide na composição. O nome é chato, mas a classe é enorme e todo mundo já tomou pelo menos um. O mecanismo básico é simples: eles bloqueiam as enzimas ciclooxigenase, conhecidas como COX, que transformam ácido araquidônico em prostaglandinas. Sem prostaglandinas, a sensação de dor diminui, a febre baixa e o inchaço também recua. É isso. Nada mágico. Existem dois subtipos principais que importam na prática clínica. Os seletivos para COX-2 foram desenvolvidos para tentar reduzir os efeitos gastrintestinal, mas na realidade trouxeram outros problemas cardiovasculares que acabaram sendo mais sérios. Os não seletivos inibem tanto a COX-1 quanto a COX-2. A COX-1 protege a mucosa gástrica e regula a função plaquetária, então quando você a bloqueia, sente na barra do estômago e no tempo de sangramento. Isso não é teoria, é o que acontece todo dia nos prontos-socorros.

Quais sao os antiinflamatorios nao esteroides mais comuns

Se você olhar qualquer receita ou bula, vai encontrar esses nomes regularmente: Diclofenaco — um dos mais prescritos no Brasil. Disponível em comprimido, gel e via intramuscular. Forte para dor musculoesquelética aguda. O problema é que é dos que mais machuca o estômago se usado por tempo prolongado. Eu já vi gastrite sangrante em paciente de 62 anos usando diclofenaco 75mg duas vezes ao dia por conta própria durante três semanas seguidas. A pessoa nem imaginava a relação. A correção foi suspender o medicamento, iniciar inibidor de bomba de prótons e fazer endoscopia. Levou dez dias para estabilizar.

Ipoprofeno — usado principalmente para dor dental e dores agudas de curta duração. Tem vida útil curta no organismo, o que é vantagem porque reduz o acúmulo. Desvantagem: precisa tomar com mais frequência. Se esqueceu uma dose, a dor volta rápido. Naproxeno — meio de termo entre diclofenaco e ibuprofeno. Dura mais no sangue do que ibuprofeno, então permite doses menos frequentes. Costuma ser melhor para condições inflamatórias crônicas como artrite reumatoide. O efeito sobre o estômago existe, mas parece ligeiramente menor do que o diclofenaco em estudos comparativos.

Celecoxibe — o seletivo para COX-2. É a escolha padrão quando o paciente tem risco gastrintestinal alto, como histórico de úlcera ou uso concomitante de anticoagulante. Mas custo é bem maior e o risco cardiovascular não desaparece. Pacientes com história de infarto ou AVC devem evitar. Sempre. Esse ponto é negligenciado por muitos prescrevedores que focam só no estômago. Piroxicam — antigo, barato, eficaz. Meia-vida longa de cerca de 50 horas. Isso significa que se acontecer um efeito adverso, leva dias para o efeito passar totalmente. Também é dos que mais causa retenção hídrica. Use com cautela em idosos e pacientes cardíacos.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Ketorolaco — o mais potente da classe para dor aguda intensa, mas só deve ser usado por no máximo cinco dias. O risco de insuficiência renal aguda sobe drasticamente depois desse período. É frequentemente prescrito em pronto-socorro, o que é correto, mas o erro comum é liberar o paciente com receita para continuar usando em casa. AAS (ácido acetilsalicílico) — tecnicamente é um AINE, mas na prática clínica ele é usado quase exclusivamente como antiagregante plaquetário em baixas doses, não como antiinflamatório. Quando alguém toma 100mg diários para prevenção cardiovascular, isso não tem relação direta com os outros AINEs da lista.

Tem ainda o meloxicam, que tem seletividade relativa para COX-2 em doses terapêuticas, e o nimesulida, muito prescrito no Brasil mas com alerta hepático importante. A Anvisa restringiu o uso de nimesulida para dor aguda de até 15 dias justamente por causa de casos de hepatotoxicidade. Não é o remédio que você compra sem pensar. Outro detalhe que pouco gente leva a sério: interação com diuréticos. Se o paciente usa furosemida ou hidroclorotiazida e começa um AINE, a eficácia do diurético cai. Eu vi um caso recente de descompensação cardíaca em paciente idoso que começou tomando ibuprofeno para uma dor no joelho sem conversar com o cardiolista. A dose de furosemida precisou ser ajustada depois, mas o paciente passou uma semana mal até perceber.

A questão da via de administração também muda tudo na prática. Via oral é o padrão, mas em dor aguda forte o via intramuscular ou intravenosa age mais rápido. Ketorolaco IV é útil em cólica nefrética e dor pós-operatória, mas novamente, limite de cinco dias. Gel tópico de diclofenaco funciona para artrose de joelho em estágios iniciais e é uma alternativa válida para evitar os efeitos sistêmicos, mas a penetração tecidual é limitada. Não adianta passar gel em uma articulação profundamente inflamada esperando milagre. Um aviso prático que vale mais do que qualquer bula: nunca combine dois AINEs simultaneamente. Ibuprofeno mais naproxeno, diclofenaco mais AAS em dose antiinflamatória, o que for. O risco de efeito adverso sobe de forma multiplicativa, não aditiva. Não tem nenhuma evidência de que a combinação seja mais eficaz do que. A única exceção é o AAS em baixa dose com outro AINE em situações específicas, mas aí o cardiolista precisa estar ciente porque o AAS pode interferir na ação antiplaquetária de alguns deles.

O uso prolongado exige monitoramento. Creatinina, função renal, hemograma e avaliação gastrintestinal são básicos. Idosos acima de 65 anos precisam de atenção redobrada. A proporção de danos aumenta significativamente após essa faixa etária, especialmente se houver qualquer grau de insuficiência renal prévia.