Os aparelhos da ginástica rítmica
O regulamento atual da FIG define cinco aparelhos oficiais. Não tem jeito diferente. São corda, hoop (ar aro ou sinu), bastão, fita e bola. Antes existia a vareta e os pares de maças, mas isso foi removido do código de pontuação há anos. As atletas não praticam mais aquilo em competições de elite.
quais são os aparelhos da ginastica ritmica: o que cada um exige na prática
Cada aparelho tem requisitos técnicos específicos. A corda é medida de acordo com a altura da ginasta — ela dobra a corda ao meio, coloca os cabos sobre os ombros e as pontas devem chegar ao quadril. Se passar disso, é incorreto. A maioria das ginastas mais altas usa cordas de 270 a 280 centímetros. A menor, por volta de 240. Isso influencia diretamente o swing e a velocidade dos saltos com giro. O ar aro, ou hoop, é um aro de plástico ou material sintético, com diâmetro interno entre 80 e 90 centímetros e peso mínimo de 350 gramas. O erro mais comum que vejo em competições regionais é a ginasta tentar rolar o aro pelo corpo todo enquanto perde a posição das mãos. O aro precisa permanecer em movimento controlado. Se ele cair, a pontuação cai junto, sem margem para recurso.
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O bastão é um bastão único, geralmente de madeira ou bambu, entre 30 e 50 centímetros, pesando pelo menos 230 gramas. Ele é lançado e catching. Muita gente acha que é como as maças da ginástica artística, mas não é. É um só bastão, usado com uma ou ambas as mãos. A dificuldade está nos lançamentos verticais e nas rotações no ar. A fita é a que mais gera problemas. A vareta mede entre 50 e 60 centímetros, e a fita em si tem entre 6 e 8 metros de comprimento, feita de material sintético. O problema real é a tensão: se você mexer demais o pulso, a fita enrosca. Se mexer de menos, ela fica caída no chão sem formar figuras. Eu aprendi isso na pior forma quando treinei uma ginasta que tinha o pulso rígido demais. A fita sempre caía nos giros corporais. A solução foi treinar isoladamente apenas o movimento do punho com a fita sem sair do lugar, durante três semanas, antes de tentar combinar com passos de dança. O progresso foi lento, mas funcionou.
A bola é de borracha ou material similar, entre 18 e 20 centímetros de diâmetro, pesando pelo menos 400 gramas. A característica principal dela é o role — o rolamento pelo corpo. Diferente dos outros aparelhos, a bola não pode ser amarrada, pendurada ou presa de forma alguma. Ela precisa rolar naturalmente. O erro que mais aparece é a ginasta dar uma impulsionada com a mão ao invés de deixar a bola acompanhar o movimento do braço. Aí vira lançamento disfarçado, e o juiz anota como falha de execução. Um ponto que pouca gente considera é a variação de peso dentro do mesmo aparelho. Doisaros de 350 gramas podem se comportar de maneira diferente se um tiver a borda mais grossa e o outro mais fina. A mesma coisa com as bolas: uma bola mais leve parece fácil de dominar, mas na hora dos saltos ela bamba demais no contato. Já vi ginastas competirem com bolas de 400g e outras com 500g. A de 500g dá mais estabilidade nos roles, mas cansa mais o pulso durante a rotina inteira.
O regulamento também determina que cada rotina dure entre 1 minuto e 10 segundos e 1 minuto e 30 segundos. Para corda, bastão e fita esse tempo é mais apertado porque os movimentos são mais rápidos. Para bola e ar aro, o ritmo tende a ser mais pausado. Se a ginasta fizer uma rotina de 1 minuto e 20 segundos na fita mas gastar 40 segundos só fazendo Swing simples, a nota de dificuldade cai porque não houve variação suficiente de elementos. Uma coisa que ninguém fala bastante é a questão do calçado. A ginasta deve usar sapatilhas ou meia-calça, mas o aparelho não pode entrar em contato direto com o chão de forma repetitiva sem que isso seja parte da coreografia intencional. Quando a fita arrasta no tapete por mais de dois segundos seguidos, o juiz considera erro técnico. Na prática, isso significa que o piso também importa. Tapetes mais lisos permitem mais deslizamento da fita, o que pode ser bom ou ruim dependendo do padrão de figures que a rotina pede.