Quais Sao Os Tipos De Relevo - Mapa De Relevos Do Brasil Edulearnmodelo De Relevo De Responsabilidad
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O que você precisa saber sobre relevo na prática

A maior parte das pessoas confunde tipos de relevo com classificações escolares simples. Na verdade, o assunto é bem mais técnico quando você trabalha com geologia aplicada ou topografia no campo. Quais sao os tipos de relevo é uma pergunta que parece simples, mas a resposta depende diretamente de qual critério você está usando: origem, altitude, idade geológica ou processos de formação. Eu já perdi duas horas tentando classificar uma formação serrana no interior de Minas porque a literatura que eu tinha em mãos usava critérios diferentes do pessoal que fez o mapeamento original. A solução foi cruzar dados de latitude e longitude com levantamentos do CPRM, e confirmar se a formação era do escudo cristalino ou se pertencia a uma bacia sedimentar. Sem isso, a classificação ficava imprecisa de qualquer jeito.

Os principais tipos de relevo segundo a gênese

O critério mais usado academicamente e também o que aparece em mapas técnicos divide o relevo em três grandes grupos baseados na origem geológica: Montanhas. São formadas predominantemente por movimento de placas tectônicas. Quando duas placas colidem, a crosta é empurrada para cima e gera elevações. No Brasil, os dobramentos modernos estão praticamente extintos, então as nossas serras mais altas vêm de escudos cristalinos muito antigos que sofreram erosão extrema ao longo de milhões de anos. É um erro comum achar que Serra da Mantiqueira é montanha moderna. Não é. Ela é uma formação pré-cambriana rebaixada pela erosão.

Planícies. Entenda isso direito: planície não é sinônimo de terreno plano de verdade. Planície é qualquer área onde o aporte de sedimentos é maior que a remoção. Ou seja, você tem acúmulo de material. As planícies costeiras do Brasil são formadas por sedimentos marinhos e fluviais depositados ao longo do tempo. O problema é que essa definição causa confusão porque planícies podem estar a duzentos metros de altitude, dependendo da referencial batimétrico que você usa. Planaltos. Esse é o tipo que mais gera discussão. Planalto é uma área onde o processo de erosão predomina sobre o depósito, e geralmente está acima de duzentos metros. A confusão é que muitos mapas classificam como planalto áreas que na verdade são tabuleiros costeiros ou platôs de origem vulcânica. O critério de altitude sozinho não resolve nada sem o contexto estrutural.

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Outra classificação relevante: pelo modelo de Jurandyr Ross

Se você vai trabalhar com SIG ou precisar de classificação para projetos de engenharia, a divisão do geomorfólogo Jurandyr Ross é a que tem mais aplicação prática no Brasil. Ela reconhece trinta e cinco unidades de relevo e combina altitude, estrutura geológica e processo morfogenético. Usei essa classificação num projeto de infraestrutura no estado do Pará onde o software que estávamos usando só aceitava a nomenclatura do Ross. Tive que refazer toda a tabela de atributos dos polígonos porque o arquivo original vinha com a classificação clássica de Milton Santos, que usa apenas planalto, planície e depressão. O detalhe importante aqui é que essa classificação do Ross não funciona bem fora do território brasileiro. Se você for mapear relevo na Argentina ou na Bolívia, precisará adotar outro referencial. As unidades dele foram desenhadas especificamente para a realidade geológica sul-americana.

Depressões e o que elas realmente significam

Depressão absoluta e relativa são dois conceitos que muitas planilhas de estudo confundem. Depressão absoluta é quando uma área está abaixo do nível do mar. No Brasil isso não existe. A única depressão absoluta no território nacional seria teoricamente uma area submarina próxima ao litoral, mas isso já é domínio oceânico. Depressão relativa é o que normalmente vemos em mapas didáticos. É uma área rebaixada em relação às regiões vizinhas, mas ainda acima do nível do mar. As depressões sulista e periférica do estado de São Paulo são exemplos clássicos. Elas se formaram por erosão diferencial em bacias sedimentares, e o processo levou milhões de anos. Saber diferenciar isso importa quando você precisa estimar risco de inundação em uma obra, porque a drenagem natural dessas áreas é extremamente lenta e depende de sistemas artificiais de bombeamento.

Pitfalls comuns e uma lição cara

Um erro frequente é usar mapas de relevo em escala pequena para planejar algo em escala grande. Mapas na escala um para um milhão escondem variações topográficas importantes que só aparecem em levantamentos topográficos ou em modelos digitais de elevação com resolução superior a cinco metros. Eu já vi um projeto de terraplanagem ser completamente comprometido por isso. A equipe usou um mapa do IBGE em escala 1:1.000.000 para estimar cortes e aterros, e a diferença entre o volume previsto e o real foi de aproximadamente trinta e oito por cento. O correto seria ter usado o MDE do SRTM com resolução de trinta metros no mínimo, ou idealmente dados LiDAR. Ao contrário do que muita gente acredita, não adianta apenas baixar um modelo digital de elevação e usar como fonte final. Dados altimétricos precisam ser validados com níveis de primeira ordem quando o projeto exige precisão milimétrica. O SRTM tem um erro vertical médio de cerca de oito metros em terrenos florestados densos, o que é devastador para projetos de drenagem urbana.

Resumo objetivo sem enrolação

Os tipos de relevo se organizam principalmente por origem tectônica e por processo morfogenético. No Brasil, as formações mais relevantes são os escudos cristalinos, as bacias sedimentares e os dobramentos remanescentes. A classificação do Jurandyr Ross é a mais útil para trabalho prático, mas só se aplica ao contexto nacional. Evite usar escala cartográfica inadequada e valide sempre dados altimétricos antes de tomar decisões de engenharia. A diferença entre um levantamento bem feito e um ruim costuma ser o tamanho da correção que você terá que fazer depois.