O dia dos pais no Brasil e no mundo
A data comemorativa tem origens que se perdem em várias práticas culturais ao longo dos séculos, mas o que se consolidou hoje tem raízes bem documentadas. Nos Estados Unidos, a primeira tentativa foi organizada por Sonora Smart Dodd em 1910, em Spokane, quando ela propôs criar um dia em homenagem aos pais como contraponto ao Dia das Mães, que já existia desde 1908. Ela queria homenagear o próprio pai, John Bruce Dodd, que criara seis filhos sozinho após a morte da esposa. O Congresso americano reconheceu a data em 1966, por meio de uma declaração do presidente Lyndon B. Johnson, e em 1972 Nixon a tornou feriado nacional permanente. No Brasil, a história é diferente. A primeira proposta veio do publicitário Sylvio Bhering, que definiu o domingo seguinte ao Dia das Mães (segundo domingo de maio) como a data oficial, mas mudou tudo para o segundo domingo de agosto em 1945, sob pressão da Igreja Católica que queria afastar a celebração de influências pagãs. A data foi sancionada por decreto presidencial em 1948, mas só começou a ser amplamente celebrada na década de 1970, quando o setor varejista, especialmente as gráficas e associações de pais, viu o potencial comercial. Antes disso, praticamente ninguém no Brasil lembrava dessa data.
qual é a origem do dia dos pais
A pergunta exata que todo mundo faz, e a resposta curta é: o Brasil adotou uma data criada por motivos religiosos e econômicos, não culturais. O decreto-lei 7.594, de 24 de setembro de 1945, fixou o segundo domingo de agosto como o Dia dos Pais, mas a celebração efetivamente só ganhou força depois que o movimento sindical e empresarial dos anos 70 entrou na briga. Há registros de que a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) tenha sido um dos principais motores para popularizar a data, vendendo cartazes, brindes e incentivando empresas a oferecerem descontos nos fins de semana. Um detalhe que pouca gente sabe: antes de 1980, muitas famílias brasileiras nem sabiam que existia um Dia dos Pais. Eu já vi gente de classe média alta em São Paulo perguntando espantada se era verdade que os pais tinham data própria em agosto, enquanto em cidades menores do Nordeste a data simplesmente não existia no radar cultural até os anos 90. A comercialização foi o que realmente espalhou.
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O comércio é, sem dúvida, o motor principal da data. Giftos, flores, cartões, refeições em restaurante. Os números falam por si: segundo a ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Doces e Balas), o Dia dos Pais movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano apenas no setor de presentes e alimentação fora de casa, ficando atrás apenas do Dia das Mães e do Natal em volume de vendas. Não é à toa que as campanhas publicitárias começam a aparecer já em julho, com meses de antecedência, algo que nunca vi fazerem com qualquer outra data masculina de celebração familiar. Existe um ponto prático que muita gente perde: a data varia conforme o país. Enquanto no Brasil é agosto, em Portugal é 19 de março (São José), na Argentina é o terceiro domingo de junho, na Espanha também é 19 de março. Se você tem família em países diferentes ou viaja no exterior no dia, a confusão é certa. Já vi cliente meu, dono de uma loja de eletrônicos em Curitiba, perdendo vendas porque os fornecedores europeus não entregaram pedidos antes da data local deles, e ele tinha acabado de confirmar promoções baseadas no calendário brasileiro. A solução foi simples: mapear todas as datas comemorativas de cada mercado-alvo antes de fechar qualquer promoção, e usar um calendário de datas móveis alimentado automaticamente, em vez de confiar na memória ou em planilhas manuais.
Outro aspecto interessante é a distinção entre o dia dos pais biológicos e os pais adottivos ou cuidadores. A data, como está nas práticas comerciais e legislativas, não faz essa diferenciação formalmente — mas na vida real, muitas famílias monoparentais e arranjos familiares não tradicionais sentem que a data foi pensada para uma estrutura nuclear que já não é mais a norma. Em 2022, algumas escolas públicas de São Paulo começaram a incluir nos trabalhos de história a figura do "pai ou responsável masculino", e isso mudou a forma como algumas crianças se sentem representadas na data. Não é apenas uma questão de sensibilidade; é uma mudança real no material didático que as famílias encontram. Se você está procurando algo para baixar ou consultar, a legislação original está disponível no site da Câmara dos Deputados, no decreto-lei de 1945, e os dados de consumo da ABIA são públicos anualmente. Não existe um arquivo único com tudo juntinho, então o trabalho de reunir informações confiáveis exige visitar as fontes diretamente. Eu uso uma pasta de referência com os links das legislações, dos relatórios setoriais e das pesquisas de mercado, porque dependendo da fonte que você consulta, os números mudam bastante — uma pesquisa da CNA (Confederação Nacional do Comércio) pode um valor diferente da ABIA para o mesmo ano, e isso gera confusão quando as pessoas comparam cifras sem verificar a metodologia.
O que posso afirmar com certeza, baseada na experiência de quem trabalha com datas comemorativas há anos, é que o Dia dos Pais no Brasil não nasceu de uma tradição cultural orgânica, mas sim de uma combinação de pressão religiosa, decisão legislativa e oportunismo comercial. Nada disso torna a data menos válida ou menos importante para as famílias, mas entender como ela surgiu explica muita coisa sobre o comportamento de consumo, a ansiedade em torno dos presentes, e a pressão social que acompanha o dia. Se você quer fazer algo diferente esse ano, sabe que a data é, na essência, uma construção recente — o que significa que você tem liberdade para moldá-la como quiser, sem a culpa de não estar seguindo uma tradição centenária.