Quantas Veias Jugulares Temos - O que você sabe sobre as jugulares? Veja 4 curiosidades a respeito ...
O que você sabe sobre as jugulares? Veja 4 curiosidades a respeito ...

As veias jugulares: o que você realmente precisa saber

Vamos direto. As pessoas geralmente ficam confusas porque ouviu que tem uma jugular, outra jugular, e aí aparecem nomes como interna, externa, anterior e posterior. O corpo humano não é simples assim, mas também não é tão complicado quanto dizem. No padrão anatômico, temos quatro veias jugulares principais em cada pessoa: duas jugulares internas e duas jugulares externas. A jugular interna corre logo abaixo do músculo esternocleidomastoideo, mais profunda. A externa fica mais superficial, atravessando o plano superficial do pescoço. Ambas drenam sangue venoso da cabeça e do crânio de volta ao coração.

A jugular interna é a mais relevante clinicamente. É a que serve como referência para cateterização central, medição de pressão venosa central, punções e procedimentos intervencionistas. Quando um médico fala em "acessar a jugular", quase sempre está se referindo à interna. A externa tem utilidade em circunstâncias mais específicas, como acesso de emergência quando as veias profundas são inacessíveis, mas ela é mais tortuosa e tem mais válvulas, o que complica a passagem de cateteres.

Quantas veias jugulares temos

A resposta curta é quatro, considerando as principais. Porém, existem variações anatômicas que precisam ser mencionadas. A jugular posterior existe em alguns indivíduos, corre mais atrás no pescoço e geralmente é menor. Não está presente em todos os corpos. Também há variações onde a jugular externa pode ser extremamente hipoplásica ou até ausente de um dos lados, algo que eu vi em autópsias durante a faculdade e que pode confundir quem está aprendendo ultrassonografia vascular. O sangue drena das duas jugulares internas para as veias brâquiocefálicas, que se unem formando a veia cava superior. Esse sistema tem válvulas em vários pontos. As válvulas impedem o refluxo, mas também dificultam a progressão de cateteres se você não souber a anatomia correta de inserção. Eu já perdi tempo tentando avançar um cateter de 7 Francs por via jugular interna esquerda porque não estava orientando suficientemente o paciente com a cabeça em rotação e flexão para comprimir as estruturas adjacentes e abrir o caminho.

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Outro detalhe que muita gente ignora: a jugular interna direita e a esquerda não são simétricas. A direita segue um trajeto mais retilíneo até a veia cava superior, enquanto a esquerda faz uma curvatura mais pronunciada ao passar sobre a primeira costela e o arco da aorta. Isso significa que o acesso pela jugular direita é geralmente mais fácil e seguro. Se você está estudando para provas de residência ou preparando material para treinamento clínico, memorize essa diferença. Ela aparece com frequência em questões práticas. Há ainda a relação com a artéria carótida comum. A jugular interna está posicionada lateralmente à carótida no seu triângulo vascular. Durante a punção guiada por ultrassom, o erro mais comum de iniciantes é confundir as duas estruturas porque ambas aparecem como tubos anecóicos na tela. A diferença prática é que a artéria carótida pulsa e tem parede mais espessa e ecosica. O ultrassom em modo Doppler resolve isso em segundos, mas muitas vezes o operador não ativa a função achando que já sabe o que está vendo. Eu já vi punções arteriais acidentais acontecerem por esse tipo de pressuposição.

Outra coisa que pouca gente explica direito: a relação entre a jugular e a veia subclávia. Juntas, elas formam a veia brâquiocefálica. A junção delas cria o ângulo venoso, também chamado de ângulo de Pirogoff, que é um marco importante para localização de acesso vascular. Esse ângulo varia conforme a posição do paciente e o nível de volume intravascular. Um paciente hipovolêmico pode ter esse ângulo praticamente fechado, tornando o acesso muito mais difícil mesmo quando a veia parece visível no ultrassom. Se você está buscando informações para estudos acadêmicos ou para aplicação clínica, o essencial é compreender que o número de veias jugulares varia conforme a fonte que consulta. Livros mais antigos podem citar apenas duas. Textos mais atualizados descrevem pelo menos quatro estruturas distintas. O que não muda é a relevância clínica da jugular interna, especialmente a direita. Ela é a via de acesso mais utilizada para cateteres centrais, bombas de infusão e monitorização hemodinâmica em pacientes críticoss.

Uma limitação importante que preciso mencionar: a jugular não é uma via infalível. Pacientes com histórico de cirurgia cervical, radioterapia de cabeça e pescoço, doença renal crônica em diálise com fístulas prévias, ou trombose venosa profunda documentada podem ter as veias jugulares parcialmente ou completamente obstruídas. Nesses casos, o ultrassom prévio de mapeamento venoso é obrigatório antes de qualquer tentativa de punção. Tentar acessar sem confirmar a recanalização aumenta significativamente o risco de complicações, incluindo pneumotórax e hematoma retrofaringeano. Em resumo, o conhecimento anatômico dessas estruturas é fundamental para qualquer profissional que working com acesso vascular. Não basta saber o número. É preciso entender o trajeto, as variações, as relações com estruturas vizinhas e as limitações que cada via apresenta. O corpo humano oferece opções, mas nem todas estão disponíveis para cada paciente em cada momento.