Entendendo o que é e como funciona uma polia no sistema de accessory drive
A maioria das pessoas olha para o motor e não faz ideia do que é aquela peça cilíndrica com ranhura na lateral. Mas ela é um dos componentes mais críticos do sistema de accessory drive. E se você está se perguntando sobre o que que nome recebe a parte que gira junto com o virabrequim e move correias, a resposta técnica varia dependendo do contexto, mas em português chamamos de polia. Existem três tipos principais que você encontra na prática: a polia lisinha fixa no virabrequim, a polia com amortecedor de torção (TVD) e a polia idler, que só serve de guia para a correia. Cada uma tem um problema específico e cada uma falha de um jeito diferente.
Como identificar o problema na polia antes que ela te deixe na mão
O ruído é o primeiro sinal. Um zumbido agudo que aumenta com a rotação do motor, mas que some quando você solta o freio de mão e deixa o carro em neutro com o freio de serviço puxado — isso geralmente indica que a polia da alternadora ou do compressor de ar-condicionado está com o rolamento gasto. Se for um chiado intermitente que aparece só em certas RPMs, pode ser a polia do virabrequim com amortecedor interno falhando. Eu perdi dois dias inteiros caçando um chiado no motor 1.8 da Volkswagen. Troquei a correia, verifiquei a tensão, apertei todos os parafusos. Nada. Achei que fosse o tensor automático. No final, era a polia do virabrequim com o amortecedor de torção travado dentro. A correia nova durou três semanas porque eu não tinha testado a folga axial da polia com o motor desligado. Quando você pega a polia com a mão e tenta mexê-la para frente e para trás, ela não deveria ter nenhum jogo. Se tiver meio milímetro de folga, o amortecedor interno já morreu.
Polia com amortecedor (TVD): o que todo mundo esquece
A polia com amortecedor de torção (TVD) não é só uma polia com rolamento. Ela tem um mecanismo interno de molas e amortecimento que absorve as vibrações torsionais do virabrequim. Quando esse mecanismo falha, a polia trava ou fica com folga, e aí começa o problema. A correia vai vibrar, fazer barulho e desgastar prematuramente. Muitos mecânicos trocam a polia e a correia juntos, o que é correto, mas esquecem de verificar o estado do tensor automático. O tensor automático também tem curso limitado. Se você instalou uma polia TVD nova com um tensor já perto do limite final do seu curso, a tensão da correia vai ficar abaixo do especificado desde o primeiro dia. Isso causa escorregamento e aquecimento prematuro. O curso restante do tensor deve ser medido com um paquímetro ou régua antes da montagem. Na maioria dos carros modernos, o cursor deve ter pelo menos 3 milímetros de folga útil antes de atingir o limite.
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Um detalhe importante que pouca gente conhece: a polia TVD tem sentido de rotação. Alguns fabricantes marcam a polia com uma seta ou a letra "R" para indicar o lado correto. Montar do avesso pode alterar o alinhamento da correia em até 2 milímetros, o que parece pouco mas é suficiente para causar desgaste irregular nas laterais das calotas da polia e na própria correia em poucas milhares de quilômetros.
Quando a polia simplesmente não aguenta mais
Se a polia estiver fazendo um barulho metálico seco, se houver folga axial ou radial perceptível quando você segura a polia com o motor desligado, ou se o amortecedor interno estiver travado — a substituição é obrigatória. Não adianta colocar graxa ou tentar lubrificar. O rolamento interno é selado e o amortecedor é uma unidade fechada. Eu já vi casos de pessoas que insistiram em trocar só a correia quando o ruído apareceu. O resultado foi a correia rompida em menos de 5.000 quilômetros. Quando a polia do virabrequim trava, ela para de girar livremente e a correia passa escorregando sob alta tensão. O calor gerado derrete os fios de aço internos da correia e ela se rompe. Nesse cenário, você ainda pode ter o dano colateral no bloco do motor se a correia enrolar em torno de outros componentes.
Processo de substituição passo a passo
O primeiro passo é soltar o tensor automático com uma chave de boca ou catraca na medida correta, geralmente 13 ou 17 milímetros. Não force o tensor além do seu curso limite. Se ele estiver travado ou não retornar suavemente após soltar, substitua o tensor junto com a polia. O tensor gasto vai estragar a polia nova rapidamente. Remova a correia velha e inspecione as polias restantes enquanto o motor está desmontado. Passe o dedo pelas faces das polias — elas devem estar lisas e sem rebarbas. Se houver sulcos profundos ou brilho metálico irregular, substitua também essas polias. Usar polias desgastadas com correia nova reduz a vida útil da correia em cerca de 40%