Quem São As 7 Yabás - Oração a todas as Yabás!
Oração a todas as Yabás!

As Oyás, Oxuns e outras forças do panteão femenino

Quem são as 7 yabás? É uma pergunta que aparece bastante nos fóruns, mas a resposta depende muito de qual tradição você está olhando — Candomblé ketu, nagô, ou a santeria lucumí cubana. Cada uma organiza essas entidades de forma diferente, e é comum encontrar listas contraditórias quando se pesquisa sem contextualizar.

Quem são as 7 yabás na tradição mais difundida

Na maioria das casas de candomblé e nas correntes de origem nagô-ketu, as yabás são as oxumarê ou ialorixás principais que compõem o grupo das divindades femininas mais veneradas. A lista costuma incluir: Iemanjá — a mãe de todos os orixás, senhora do mar. No Brasil é amplamente reconhecida, especialmente nas celebrações de 31 de dezembro. Sua energia é de proteção, fertilidade e acolhimento.

Oxum — dona das águas doces, do ouro, da beleza e da prosperidade. É uma das mais procuradas em pedidos financeiros e amorosos. Cada Oxum tem seu assentamento particular, e isso gera confusão: existem pelo menos sete Oxuns distintas em algumas tradições, cada uma com um rio específico. Iansã — orixá dos ventos, raios e tempestades, também associada à guerra e à liberdade. É a mulher de Ogum na maioria dos mitos. Seu manejo exige respeito porque sua energia é imprevisível e pode destabilizar quem não está preparado.

Nanã Buruçun — a mais antiga das yabás, associada às águas paradas, ao lodo e ao nascimento. Representa a sabedoria primitiva e o retorno à terra. Em muitas casas, Nanã é quem inicia os filhos mais velhos ou aqueles com caminhos mais difíceis. Obá — orixá guerreira, companheira de Xangô. É forte, direta e não aceita desrespeito. Obá é frequentemente negligenciada em discussões populares sobre as "sete", mas está presente na maioria doselistas tradicionais.

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Oxumarê — embora em algumas tradições seja associado a gênero fluido ou masculino, em certos ramos do candomblé baiano Oxumarê é contado entre as yabás por sua ligação com o arco-íris, a transformação e a dualidade. Iansã ou Yansa aparece como sétima em várias listas, mas aqui entra a primeira armadilha: Iansã e Yansa são a mesma entidade, apenas com variação ortográfica entre a grafia iorubana e a adaptação brasileira. Confundir isso com divindades diferentes é um erro comum de iniciantes.

Por que existem versões diferentes da lista?

O problema é histórico. O tráfico negreiro trouxe grupos distintos de africanos para o Brasil — iorubás, fon, eguns — e cada um trouxe sua própria organização do panteão. Quando as religiões se sincretizaram, as categorias se misturaram. O candomblé de caboclo, por exemplo, às vezes inclui entidades indígenas na contagem das yabás, enquanto no candomblé geledê as emphasis são completamente outras. Na santeria cubana, as "7 garis" (que seriam o equivalente feminino) também variam conforme a línea de signo e o ogún de cada iniciado. A lista padrão costuma ser Iemanjá, Oxum, Yemayá, Oyá, Ochún, Osain e Baba Cuí, mas dependendo da casa pode-se trocar alguma delas por Babalú Ayé ou outra divindade.

A armadilha que ninguém conta

A maior dificuldade prática ao estudar as yabás não é decorar nomes. É entender que cada uma delas se manifesta de forma diferente conforme o fundamento, o ano de iniciação e o barco doaxé. Eu já vi alguém tentar aplicar o mesmo tipo de oferenda para Oxum em duas casas distintas e receber respostas completamente opostas — numa casa a Oxum era doce e acolhedora, noutra era severa e exigente. A diferença estava no fundamento: uma era Oxum Ogunte, outra era Oxum Nakô. O nome é o mesmo, a entidade é outra. Outro ponto que pouco se fala: as yabás não são apenas "deusas femininas". Elas têm dinâmicas de poder entre si. Iemanjá é a mãe, mas Oxum frequentemente disputa espaço de prestígio com ela. Iansã desafia a autoridade de Obá. Essas dinâmicas aparecem nos mitos e se refletem no comportamento dos filhos-de-santo. Ignorar isso e tratar todas as yabás como um bloco homogêneo é um erro que custa caro em termos de respeito e de resultados nos rituais.

Como trabalhar com esse conhecimento na prática

Se o seu objetivo é estudo sério, o caminho mais direto é consultar as obras de Pierre Verger, especialmente Estudo sobre o Candomblé e Os orixás, juntamente com os textos de César Spears e José Beniste. Evite fontes de redes sociais — a quantidade de informação errada circulando sobre as yabás é enorme, e a maioria dos posts não tem nenhum lastro etnográfico. Se você já tem iniciação, converse com sua ialorixá antes de fazer qualquer alteração nos seus assentamentos. A lista das "7 yabás" é um conceito didático, não um dogma religioso. Cada casa tem sua própria hierarquia e seus próprios fundamentos, e nenhuma lista genérica substitui o conhecimento transmission oral da sua linha de axé.

Para quem está começando agora, o recomendado é focar em uma ou duas yabás inicialmente, entender a fundo os mitos, as cores, os alimentos, os metais e os dias de cada uma, antes de tentar mapear todo o panteão. O resto vem com o tempo e com o acompanhamento certo.