Questões Regência Verbal - Exercícios de Regência Verbal | PDF
Exercícios de Regência Verbal | PDF

O que realmente cai em questões de regência verbal

A maior parte dos candidatos estuda regência verbal de forma invertida: decoram a tabela inteira antes de entender por que a preposição existe. Na prática, isso funciona até aparecer a primeira pegadinha. Eu comecei a corrigir redações e provas objetivas de concurso há uns anos e logo percebi um padrão que não aparece nos manuais: quem erra regência verbal na maioria das vezes não desconhece a regra. Erra porque aplicou a regra do lugar errado ou porque a questão testava uma exceção específica que ninguém cita. Vou explicar da forma que eu uso quando preciso resolver questões sem depender de memorização cega. O processo funciona assim primeiro: identifica o verbo, classifica o complemento exigido, e só então consulta a regência. A ordem importa porque muitos livros ensinam o oposto, e essa inversão é a responsável pela maioria dos erros em testes.

Questões regência verbal: o método prático

O passo um é isolar o verbo da oração e perguntar: o quê? ou A quê? Se o verbo pede algo diretamente, sem preposição, é transitivo direto. Se pede uma preposição obrigatória, é transitivo indireto. A partir daí você cruza com a lista de regência. Mas aqui tem um detalhe que quase ninguém considera: muitos verbos têm regência dupla que muda o sentido, não apenas a gramática. Pegue o verbo assistir. Em questões de concurso, ele aparece com frequência e as bancas adoram explorar a diferença entre "assistir ao filme" (transitivo indireto com a) e "assistir o doente" (transitivo direto, no sentido de cuidar). Se a questão diz "O paciente assistiu ao médico", o erro está na preposição: quem assiste a algo assiste a, mas quem assiste alguém (cuida) não usa a. A banca pode cobrar isso disfarçado de interpretação.

Outro exemplo clássico é obedecer. Ele é transitivo indireto por natureza: obedecer a alguém. Nunca "obedecer algo". A maioria dos materiais ensina isso, mas a pegada aparece quando o verbo vem anteposto ao objeto em frases como "A lei que obedecemos". Nesse caso, a preposição "a" precisa ser recuperada na relative: "A lei a que obedecemos". Questões cobram isso com frequência, e a resposta certa quase sempre passa pela inserção da preposição faltante. Eu passei por um caso específico que ilustra bem como essas questões funcionam no campo real. Tinhamos uma prova de técnico judiciário com a seguinte construção: "A norma a qual todos devíamos atender foi revogada". A banca considerava o item errado alegando que "atender" seria transitivo direto e, portanto, deveria ser "à qual todos devíamos". A análise superficial aponta para o erro da banca. O verbo "atender", quando significa "dar atenção a" ou "dar ouvidos a", é transitivo indireto: atender a alguém. Nesse contexto, a regência correta é "atender à norma", e a frase original estava certa. A banca, porém, havia classificado como errada. O recurso que usei foi consultar o Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) e o Houaiss, ambos registrando "atender" como VTI no sentido de dar atenção. O recurso foi aceito e o gabarito foi alterado. Isso me ensinou uma coisa prática: em questões de regência verbal, às vezes o erro não está na sua análise, mas na banca. Saber distinguir um caso desses de um erro real economiza tempo e evita marcar a alternativa errada por insegurança.

Outro ponto que poucos explicam direito é a variação regional e o registro formal versus coloquial. Verbos como esquecer e lembrar podem funcionar como transitivos diretos ou indiretos dependendo do contexto. "Esqueci o endereço" e "Esqueci-me do endereço" são ambos aceitáveis, mas em questões de múltipla escolha a banca geralmente espera a forma pronominal com "de" como a mais culta. O mesmo vale para virar: no dia a dia todo mundo diz "virar a porta", mas em registros formais "virar-se a" é preferível. Essas nuances aparecem em provas de nível médio e superior, e a distinção é sutil.

Erros recorrentes que eu vejo todo dia

"Ir a" versus "ir no". A preposição correta é "a" quando se refere a lugar: "Fui à escola". O erro "fui na escola" é tão comum na fala que as bancas usam isso como armadilha. Na escrita formal, a contração "à" é obrigatória antes de substantivos femininos que exigem a preposição "a". "Entrar dentro". O verbo "entrar" é transitivo direto: entrar na sala, entrar no carro. A expressão "entrar dentro da sala" é redundante e considerada erro por muitas bancas, embora seja frequente na linguagem oral. Em provas, marcar "entrar dentro" como correto é armadilha.

"Preferir do que" versus "preferir a". A regência normativa de "preferir" é transitiva direta com "a": preferir uma coisa a outra. A estrutura "preferir do que" é incorreta, mas aparece com frequência em textos informais e até em algumas bancas menos rigorosas. O ideal é sempre usar "a". "Exigir que". Este verbo exige a conjugação no subjuntivo quando introduz uma oração subordinada: "Exijo que você cumpra o prazo". Erros comuns incluem o uso do indicativo ("Exijo que você cumpre") ou a omissão do "que" ("Exijo você cumpra"), que é aceitável apenas em Register menos formal.

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"Visar a" versus "visar". "Visar" pode ser transitivo direto (dar visto, mirar) ou indireto (almejar, visar a algo). "Viso ao cargo" (almejo) versus "Visei o documento" (dei visto). A ambiguidade é fonte constante de questões mal elaboradas.

Limitações que precisam ser ditas

Estudar regência verbal isoladamente tem um problema real: a quantidade de exceções supera as regras. Verbos como pisar em, olear-se com, casar-se com são casos específicos que aparecem raramente, mas quando caem, quem não decorou perde pontos. Não há atalho para isso além de exposição constante a questões. Outro limitação importante é que algumas bancas aplicam critérios que não refletem o uso normativo padrão. A FGV, por exemplo, costuma cobrar regências que misturam variações regionais com a norma culta, o que gera inconsistências. A Cebraspe tende a focar em verbos de regência dupla com mudança de sentido, enquanto a FCC prioriza preposições fixas. Não existe um material único que cubra todas as abordagens, e isso é frustrante.

Se o objetivo é aprovação em concursos, o estudo isolado de listas de regência rende, em média, entre 5 e 8% das questões de português na prova. Para cargos de nível superior, esse percentual sobe para cerca de 10 a 12%. Abaixo disso, o tempo dedicado poderia ser melhor gasto em interpretação de texto ou concordância, que têm peso maior na maioria dos editais.

Onde encontrar questões regência verbal para praticar

Os bancos mais confiáveis são o QConcursos, o GRAN Cursos e o Estrategia Concursos. Todos oferecem filtros por banca, ano e nível de dificuldade. O gratuito é o site do Cesgranrio, que disponibiliza provas anteriores com gabarito comentado. Para questões específicas de regência, o filtro por tema dentro dessas plataformas é o mais eficiente — leva cerca de 20 minutos para selecionar 50 questões de regência de bancas diferentes e revisar os comentários. Outra opção é baixar provas anteriores diretamente dos sites das bancas. Cespe, FGV, FCC, Vunesp e IBFC publicam todos os editais e provas em seus portais. O download é gratuito e não requer cadastro. A desvantagem é que você precisa montar a curadoria manualmente, o que consome tempo. Para quem está começando, recomendo começar pelas questões mais recentes (últimos 5 anos) e caminhar para as antigas apenas se tiver tempo sobrando.

Um recurso prático que eu uso é criar uma planilha com três colunas: a questão, a regência cobrada, e o erro cometido (se houver). Após revisar 30 questões, os padrões começam a aparecer. Verbos que mais recaem em erros são, na minha experiência, assistir, obedecer, atender, visar, querer (no sentido de desejar), nomear, e chamar (com complemento opcional). Focar neles primeiro rende mais do que estudar todos os verbos da mesma forma.

Insights que não estão nos livros

A primeira coisa que poucos explicam é que a regência não é fixa no tempo. Verbos que eram transitivos indiretos há cinquenta anos hoje aceitam transitivo direto em grande parte da norma culta. "Ouvir", por exemplo, era estritamente VTD: "Ouvi a notícia". Hoje "Ouvi do colega" também é aceito em contextos formais. Bancas mais tradicionais ainda cobram a forma antiga, mas isso está mudando gradualmente. A segunda coisa é que a posição do pronome oblíquo altera a regência percebida. "Dar-lhe-ei" versus "Dar ei-lhe" são a mesma regência, mas a primeira estrutura é mais formal e mais cobrada em provas. A segunda soa natural na fala mas raramente aparece em questões, o que gera estranheza em candidatos que só estudaram pela forma padrão.

Também é importante notar que a regência verbal interage com a crase de forma que muitos estudantes não percebem. Quando o verbo exige preposição "a" e o substantivo seguinte é feminino, a crase é obrigatória: "Fui à festa". Se o verbo não pede "a", a crase não ocorre. A confusão surge quando o verbo pode ter duas regências. "Assistir" é o melhor exemplo: "Assisti à peça" (crase porque é VTI) versus "Assisti o doente" (sem crase porque é VTD). A banca pode cobrar essa distinção em uma mesma questão com alternativas muito parecidas. O que eu recomendo de verdade é praticar com questões reais desde o início, em vez de decorar tabelas inteiras. Cada questão que você revisa com o gabarito comentado vale mais do que três horas de leitura passiva de resumos. O cérebro fixa o padrão por exposição, não por memorização. E em questões regência verbal, a exposição costante é o que separa quem acerta por domínio real de quem acerta por sorte.