Regencia Verbal Exemplos - Regência verbal: o que é, exemplos e lista dos principais verbos ...
Regência verbal: o que é, exemplos e lista dos principais verbos ...

Regência verbal no dia a dia

A regência verbal trata da relação de subordinação entre o verbo e os termos que o complementam — objeto direto, objeto indireto, complemento nominal e adjunto adverbial. A questão prática é que muitos verbos em português mudam de sentido ou exigem preposições específicas dependendo do uso. Errar a regência soa natural na fala informal, mas em textos formais, concursos e redações isso gera ponto de corte. Não existe uma lógica universal para decorar todas as regências. O que funciona é agrupar os verbos por comportamento e revisar os casos problemáticos com frequência. Eu mantenho uma lista própria que atualizo conforme encontro dúvidas reais em revisões de texto e correções de redação. O que costuma aparecer com mais frequência em materiais didáticos são exemplos básicos como aspirar no sentido de "desejar" (exige "a": aspirar ao cargo) versus aspirar no sentido de "sugar" (objeto direto: aspirar o ar). Essa dualidade é a armadilha mais comum.

Regencia verbal exemplos práticos

Aqui vão os casos que mais geram dúvida e como resolvê-los na prática: Assistir — no sentido de "ver, presenciar", exige a preposição "a" quando o complemento é coisa ou pessoa. Exemplo: assistir ao filme, assistir ao jogo. Na linguagem coloquial, muita gente fala "assisti o filme", e em contextos informais isso é aceitável. Em provas, porém, a regência normativa cobra a preposição. No sentido de "prestar assistência", o verbo é transitivo direto: assistir o paciente, assistir os moradores.

Impor — sempre exige "a" para o agente da imposição: impor respeito a todos, impor regras aos funcionários. A construção com "contra" existe mas tem sentido diferente. "Impor uma multa contra o infrator" soa estranho porque "impor" já carrega a ideia de decisão unilateral; o mais natural é "impor uma multa ao infrator". Visar — outro verbo que muda completamente. No sentido de "mirar, apontar", é transitivo direto: visar o alvo. No sentido de "almejar, querer atingir", exige "a": visar ao cargo, visar à promoção. Na prática, o erro mais frequente é usar objeto direto onde a preposição é obrigatória. Quando você vai escrever "visar uma posição", verifique primeiro se o sentido é físico ou figurado.

Pagar e dever — ambos permitem dupla regência: "pagar a dívida" e "pagar a dívida" funcionam, mas "dever" com objeto indireto é mais formal: "devem-se salários aos funcionários". A forma contraída "devo-lhe" já indica regência indireta e é invariável na concordância com sujeito plural: "os salários que lhes devo". Um detalhe que muitos esquecem: quando o verbo é seguido de pronome oblíquo tônico ("a ele", "a ela"), a regência fica clara sem ambiguidade. Esperar — pode ser transitivo direto ou indireto sem mudança de sentido em português brasileiro contemporâneo: esperar o ônibus e esperar pelo ônibus. A variação é aceita em ambos os registros. Já em provas de norma culta, o "pelo" é frequentemente preferido quando o complemento é pessoa.

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Entrar — o mais simples e o mais erradiamado. Sempre exige "em": entrar na sala, entrar no carro. Não existe "entrou o carro" no sentido literal. Se alguém escreve "entrou no escritório às nove horas", a regência está correta. Se não tem preposição, o verbo está sendo usado como intransitivo com sujeito próprio, o que é outra construção gramatical. Lembrar e esquecer — os dois funcionam com e sem preposição em português brasileiro: "lembrei o nome" e "lembrei do nome", "esqueci o assunto" e "esqueci do assunto". A diferença é sutil e não altera o sentido. Em contextos formais, o uso sem preposição é ligeiramente mais adequado para objeto de coisa, e com preposição para objeto de pessoa ou ideia abstrata.

Obedecer e desobedecer — exigem "a" obrigatoriamente: obedecer a alguém, desobedecer às regras. O erro "obedeci o chefe" é gravíssimo em qualquer registro formal. Uma regra prática: se o verbo pede algo que vem precedido de "a", a crase aparece quando há feminino definido: obedeceu à diretora, desobedeceu às normas.

Um problema real que encontrei em revisão

Numa revisão de manual técnico, o autor usou "regretar" seguido de objeto direto. O verbo "lamentar" exige objeto direto, mas "regretar" não existe em português — era um neologismo por analogia com o espanhol. A correção simples foi trocar por "lamentar". O ponto é que muitos erros de regência vêm de palavras que não existem ou foram criadas por transferência de padrão de outra língua. Sempre verifique se o verbo que está usando é real antes de ajustar a regência. Outro caso recorrente: a construção "haver" como auxiliar em voz passiva. "Houveram muitos acidentes" está errado porque "haver" no sentido de existência é impessoal. O correto é "houve muitos acidentes". Esse erro aparece com frequência em relatórios corporativos porque o autor tenta concordar o verbo com o sujeito, mas "acidentes" aqui é objeto da existência, não sujeito da oração.

Como organizar seus exemplos para estudo

Criar flashcards com o verbo, a regência correta, um exemplo correto e um exemplo errado ajuda bastante. Eu uso essa técnica há anos e recomendo para quem precisa dominar regência para provas ou produção textual. A lista abaixo resume os verbos com regência mais cobrada em concursos e redações:

Uma observação importante: essa tabela é um guia, não uma lei absoluta. O português brasileiro evoluiu, e muitas regências que eram rígidas na norma culta antiga agora têm variantes aceitas. O que muda é o registro — formal ou informal. Em contextos acadêmicos, jurídicos e editoriais, ainda se mantém a regência tradicional como padrão. Em textos jornalísticos, publicitários e conversacionais, as flexibilizações são normais. Se você quer praticar, a melhor abordagem é ler textos formais (editoriais, artigos acadêmicos, legislação) e anotar os verbos que aparecem com preposição. A exposição repetida ao uso correto é o que realmente fixa a regência. Tentar decorar listas isoladamente funciona para concursos de curto prazo, mas não sustenta o uso a longo prazo. O conhecimento de regência se consolida com leitura ativa e prática de produção textual.