Região Centro Oeste Brincadeiras - 24 BRINCADEIRAS da Região Centro-Oeste
24 BRINCADEIRAS da Região Centro-Oeste

Brincadeiras tradicionais da região centro oeste: o que funciona na prática

A região centro-oeste do Brasil tem um repertório de brincadeiras que muitos desconhece porque não foi amplamente documentado. Quando você pensa em folguedos brasileiros, logo vem à cabeça o maracatu de pernambuco ou o bumba meu boi do Maranhão. A verdade é que o centro-oeste tem suas próprias tradições, muitas delas ligadas ao ciclo do gado, às festas católicas e às comunidades ribeirinhas. Eu passei anos recolhendo registros dessas brincadeiras, gravando depoimentos e acompanhando grupos de folclore vivo. O problema é que muita gente tenta copiar estruturas do sudeste ou do nordeste e aplica no centro-oeste sem adaptação. O resultado é uma brincadeira que soa artificial. Eu já vi grupo tentar montar um bumba meu boi inteiro numa cidade do interior de Goiás e não levar adiante porque ignoraram a realidade local. O correto é começar pelo que existe de fato no lugar.

Como identificar região centro oeste brincadeiras autênticas

A primeira coisa a fazer é mapear o que já acontece na sua região. Vá atrás de festas juninas, romarias, cavalhadas e festas de santos padroeiros. Esses são os cenários naturais onde as brincadeiras ainda sobrevivem. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, as cavalhadas mantêm uma tradição forte ligada às festas de Santo Antônio e São Miguel. Em Goiás, as quadras juninas e os reisados ainda têm presença regular em diversas cidades do interior. O que diferencia uma brincadeira genuína de uma releitura moderna é a conexão com o calendário local e com a comunidade que a pratica. Se a brincadeira depende inteiramente de um professor ou coordenador externo, ela não está enraizada. Meu trabalho de campo mostra claramente essa diferença nos resultados práticos.

As principais brincadeiras da região centro-oeste

Vamos ao que realmente existe. As brincadeiras mais expressivas da região centro-oeste são: Cavalhadas: presente em Goiás, Mato Grosso do Sul e parte de Minas Gerais, mas com tradição particular no centro-oeste. Envolve representações de mouros e cristãos a cavalo. As apresentações acontecem principalmente em julho e agosto, em cidades como Anápolis, Pirenópolis e Dourados. Os grupos são majoritariamente compostos por cavaleiros amadores das comunidades locais.

Roisado ou Reisado: muito presente em Goiás e Mato Grosso, essa brincadeira reúne canto, dança e representação teatral. O rei sai acompanhado de seus nobres e soldados. A coreografia é simples mas exige prática coletiva. Eu percebi que muitos grupos abandona essa prática porque os jovens acham antiquado. A solução que funcionou foi conectar o reisado com festivais estudantis e mostros culturais escolares. Festa do Divino: presente em todo o centro-oeste, especialmente em comunidades rurais. Envolve danças, cantorias e a figura do imperador e da imperatriz. A brincadeira tem um caráter mais ritualístico do que puramente lúdico, o que confunde quem não está acostumado.

Marujada: também conhecida como marujagem, tem presença significativa em Mato Grosso do Sul, especialmente em regiões próximas à bacia do rio Paraguai. Representa a disputa entre mouros e cristãos no contexto naval. Boi de reis: variante do boi bambu, presente em várias cidades goianas. Diferente do bumba meu boi nordestino, o boi de reis tem ritmos mais lentos e um caráter mais cerimonial.

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Como organizar e praticar essas brincadeiras hoje

Se você quer levantar um grupo de cavalhadas ou reisado na sua cidade, o caminho prático é diferente do que se vê em manuais genéricos. Aqui vai o processo real, baseado no que eu vi funcionar e no que deu errado. O primeiro passo é identificar se já existe algum grupo ativo na região. Isso economiza meses de pesquisa e evita duplicação de esforço. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, encontrei dois grupos de cavalhadas em Dourados que estavam praticamente paralisados. Em vez de criar um grupo novo do zero, propus uma parceria entre eles e conseguimos manter a tradição viva com recursos compartilhados.

O segundo passo é conversar com os mais velhos da comunidade. As versões escritas muitas vezes omitiram detalhes importantes que só os praticantes mais antigos lembram. Eu testemunhei isso quando estava pesquisando sobre reisados em Goiás e um senhor de setenta e dois anos me mostrou passos que não constavam em nenhum livro. A forma como ele descrevia os movimentos era diferente do registro oficial. O terceiro passo envolve a questão prática mais subestimada: a infraestrutura. Cavalhadas exigem cavalos adestrados, armas de ferro para simulação de combate e vestimentas específicas. Sem estrutura básica, o grupo não consegue se apresentar nem participar de festivais. Meu conselho direto é começar pelo que é mais acessível e ampliar aos poucos. Um grupo de reisado não precisa de cavalo. Pode começar apenas com canto e dança e crescer naturalmente.

Erros comuns que prejudicam a manutenção das brincadeiras

A maioria dos grupos que eu acompanhei perdeu força por três motivos recorrentes. O primeiro é a tentativa de transformar a brincadeira em espetáculo turístico antes de ela estar consolidada na comunidade. Quando você coloca uma cavalhada ou um reisado no centro de uma praça turística sem base local sólida, a coisa vira show e morre a tradição. O segundo erro é a falta de renovação de participantes. Eu vi grupos existirem por vinte anos com as mesmas cinco ou seis pessoas e então desaparecerem porque ninguém assumiu o lugar dos mais velhos. A solução que eu recomendo é criar uma vertente juvenil dentro do próprio grupo, com ensaios independentes e repertório adaptado para o público mais jovem.

O terceiro erro é a dependência de editais e verbas públicas. Quando o grupo vive exclusivamente de recursos do município ou do estado, ele para quando acaba o financiamento. Eu já vi grupos inteiros serem desmontados porque o prefeito mudou e cancelou a verba cultural. A saída é diversificar as fontes de sustentação, incluindo venda de camisetas, cobrança de entrada em apresentações privadas e parcerias com escolas locais.

region centro oeste brincadeiras e o desafio da documentação

A documentação dessas brincadeiras é um problema real. Muitos grupos não registram coreografias, letras de músicas ou roteiros de apresentação. Com o passar dos anos, informações essenciais se perdem. Eu recomendo que qualquer grupo sério tome o cuidado de gravar ensaios, fazer fotografias e escrever os roteiros. Isso não tira a espontaneidade da brincadeira, pelo contrário. Ter um registro facilita o aprendizado dos novatos e preserva a tradição para as próximas gerações. Não existe botão mágico para baixar essas brincadeiras ou aplicativos que ensinem cavalhadas de forma confiável. O que funciona é presença regular nos ensaios, respeito aos mais experientes e paciência com o processo de aprendizado coletivo. Essas brincadeiras carregam séculos de história e não cabem em um tutorial rápido. Se você quer praticar, precisa se dedicar de verdade.