Resenha De Texto - Exemplo De Resenha De Artigo - FDPLEARN
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O que realmente é uma resenha e como escrever sem perder o sono

A maioria das pessoas quando recebe a tarefa de fazer uma resenha de texto pensa que precisa resumir o livro todo capítulo por capítulo. Isso está errado. A resenha é um texto argumentativo que analisa, comenta e avalia criticamente uma obra, não um sumário disfarçado de prosa acadêmica. A diferença entre um resumo e uma resenha é o que você decide deixar de fora. Eu comecei a lidar com resenhas quando ainda estava na graduação e errei feio na primeira entrega. Minha orientadora devolveu o trabalho com apenas um comentário no rodapé: "isto é um resumo, não uma resenha". Eu tinha gasto seis páginas condensando a trama de um ensaio de quatrocentas páginas. O problema não era a preguiça, era que eu não entendia a função do gênero. Uma resenha precisa ter tese própria. Você não está apenas dizendo o que o autor disse, você está opinando sobre se ele disse algo relevante, coerente ou original.

Resenha de texto: estrutura que funciona na prática

O esquema básico funciona assim. Primeiro você localiza a obra,, editorial, ano, número de páginas, ISBN se for o caso. Isso vai logo no início, costuma ser um parágrafo breve mesmo. Depois vem a apresentação do conteúdo, mas sem entrar nos mínimos detalhes. Fale do tema central, do recorte que o autor escolheu fazer, da pergunta que ele tenta responder. Em seguida, a análise crítica propriamente dita. Aqui é onde a maioria perde o foco. A crítica precisa ser fundamentada, não "achei interessante" ou "não gostei do estilo". Você aponta argumentos específicos, mostra contradições internas, compara com outros autores do campo, indica o que ficou de fora da discussão. Um detalhe que poucos professores mencionam: o tamanho importa. Uma resenha acadêmica padrão costuma ter entre oito e quinze páginas, dependendo da norma ABNT ou das exigências da revista. Resenhas para sites ou blogs podem ser bem mais curtas, às vezes cinco páginas. O importante é respeitar o limite e não tentar embutir tudo o que você leu. Menos é mais quando o espaço é restrito.

Pegadinhas que você provavelmente vai cometer

O erro mais frequente é confundir citação com análise. Colocar trechos longos do livro para provar um ponto fraco na sua argumentação. Citação em resenha deve ser mínima e sempre comentada. Se você precisa de três parágrafos só para explicar por que o autor está errado num ponto específico, talvez esteja sendo muito generoso com ele. Outro erro comum é a resenha excessivamente elogiosa, o que no jargão técnico chamamos de resenha-panfleto. Funciona assim: o autor conhece quem escreveu o livro, já tem uma amizade estabelecida, e a resenha vira um texto de homenagem em vez de análise. Isso acontece muito em eventos acadêmicos e simposios. A solução é simples, mas difícil de aplicar na prática. Separe a admiração pessoal da avaliação técnica. Se o livro tem falhas sérias, aponte-as. Leitor competente reconhece honestidade intelectual muito mais do que elogio genérico.

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Eu tive um problema específico com isso em 2019, quando precisei resenhar um livro de um colega de departamento que era também meu supervisor. Fiquei duas semanas travado, reescrevendo o texto quatro vezes porque não sabia onde traçar a linha entre crítica e cortesias profissionais. No final, eu simplesmente ignorei o lado emocional e segui um checklist rigoroso: o argumento central é coerente? As evidências sustentam a tese? Há lacunas importantes? O que a obra contribui para o campo? Se alguma resposta fosse negativa, eu anotava e transformava em parágrafo de crítica fundamentada. O resultado foi aceitável e o próprio autor reconheceu no agradecimento que a resenha era justa.

Fontes e referências: o que colocar e o que não colocar

A bibliografia de uma resenha não é a lista completa de tudo que você leu sobre o tema. São as obras realmente citadas ou diretamente dialogadas no texto. Se você mencionou Foucault numa linha só para dar peso teórico, coloque a obra específica que consultou. Se apenas teve Foucault em mente enquanto lia, não precisa citar. O excesso de referências alheias é sinal de que o resenhista ainda não dominou o material suficiente para ter voz própria sobre a obra. Algumas revistas aceitam resenhas que incluam uma breve contextualização da trajetória intelectual do autor, especialmente quando se trata de obra póstuma ou de autor com produção extensa. Nesse caso, dois ou três parágrafos bastam. Não transforme a resenha numa ficha bibliográfica ampliada.

Dica técnica que economiza tempo

Antes de começar a escrever, faça um mapa mental rápido em quinze minutos. Anote em tópicos: tese do autor, capítulos principais, pontos fortes, pontos fracos, autores com quem dialoga, autores que ficaram de fora. Esse mapa vira o esqueleto do seu texto. Quando você sentar para escrever de fato, já sabe onde quer chegar em cada seção. O processo inteiro costuma levar entre quatro e seis horas para uma resenha de doze páginas, desde que você já tenha lido a obra com atenção prévia. Ler sem anotações e depois tentar resenhar gasta pelo menos o dobro do tempo e produce resultados superficiais. Se você está resenhando um livro de mais de quinhentas páginas e tem apenas quinze páginas para o trabalho, foque nos três capítulos centrais e trate o resto de forma genérica. Não tente cobrir tudo. Cobrir tudo é a receita certa para não cobrir nada com profundidade.

Quando a resenha não serve

Existem textos que simplesmente não são bons candidatos para resenha acadêmica. Livros de consulta técnica, manuais práticos, obras com propósito claramente didático e sem ambição teórica. Nesses casos, uma resenha crítica acaba soando artificial porque o livro nunca propôs uma tese desafiadora para debater. Para esses casos, prefira uma sinopse comentada ou uma notícia de lançamento, formatos que existem especificamente para esse propósito. Forçar uma resenha analítica num manual de Excel é como tentar hacer autopsia num vegetal. O gênero resenha de texto é útil quando o livro realmente tem algo a dizer sobre o campo de conhecimento em questão. Fora disso, ele vira exercício burocrático que não beneficia ninguém. Escolha bem o material que vai resenhar antes de se comprometer com o gênero.