Resto De Placenta - PREVENCIN DE LA MORBIMORTALIDAD POR HEMORRAGIA OBSTTRICA FACULTAD
PREVENCIN DE LA MORBIMORTALIDAD POR HEMORRAGIA OBSTTRICA FACULTAD

O que é resto de placenta e por que isso aparece nos exames

Um resto de placenta é tecido placentário que ficou retido na cavidade uterina depois do parto. Pode ser um lóbulo que rompeu durante a expulsão, um fragmento de membrana ou até uma parte do cório que não saiu junto com a criança e a placenta inteira. O diagnóstico geralmente é feito por ultrassom transvaginal quando se vê uma imagem ecogênica dentro do útero, associado a sangramento prolongado ou coágulos. Na prática clínica, a suspeita surge quando a mulher continua perdendo sangue além do esperado no pós-parto imediato. O médico pede um ultrassom e aí aparece a imagem dentro da cavidade endometrial. Às vezes o quadro é discreto, outras vezes o sangramento é intenso o suficiente para exigir intervenção rápida.

Como identificar e tratar resto de placenta

O primeiro passo é confirmar o diagnóstico com ultrassom. O padrão-ouro é a dopplerização, porque os fragmentos placentários retidos geralmente apresentam fluxo vascular próprio, o que diferencia de coágulos organizados ou material decidual residual. Se o ecografista não fizer o Doppler, você pode não conseguir distinguir adequadamente. O tratamento depende de dois fatores: o tamanho do fragmento e o grau de vascularização. Fragmentos pequenos, abaixo de 2 cm, sem sinal de fluxo no Doppler, muitas vezes podem ser acompanhados. A placenta tem capacidade de rejeitar o material ao longo de algumas semanas, e o sangramento vai caindo progressivamente. Já fragmentos maiores ou vascularizados precisam de remoção.

A abordagem mais comum hoje é a histeroscopia cirúrgica. Diferente da curetagem cega tradicional, a histeroscopia permite ver exatamente o que está sendo removido. Isso é importante porque a curetagem cega em útero pós-parto carrega risco de perfuração, que é mais frágil nessa fase, e também de aderências subsequentes. Na minha experiência, já vi casos em que a curetagem clássica foi feita duas vezes sem sucesso porque o fragmento estava recoberto por decídua e o instrumental não identificava a textura correta do tecido. A histeroscopia resolve isso em uma única sessão na maioria das vezes. Existe ainda a opção medicamentosa com misoprostol para estimular a contração uterina e auxiliar a expulsão do material. Isso funciona melhor em casos selecionados, quando o fragmento é pequeno e próximo do colo. Não adianta esperar muito: se após 48 horas não houver evolução, você já sabe que precisa ir para a intervenção.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Tem um detalhe que muitos não consideram: o tempo. Restos de placenta diagnosticados tardiamente, mais de 30 dias após o parto, tendem a estar mais organizados e aderidos, o que dificulta tanto a remoção quanto a resposta ao tratamento conservador. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhores as taxas de resolução com manejo menos invasivo.

Cuidados necessários no acompanhamento pós-diagnóstico

Se o médico optou pelo acompanhamento clínico, a mulher precisa retornar nas primeiras duas semanas para reavaliação com ultrassom de controle. Sangramento que aumenta de volume, febre ou odor fétido são sinais de infecção secundária, conhecida como endometrite, e exigem antibioticoterapia imediata junto com reconsideração da conduta. Infecção associada a resto placentário pode evoluir rapidamente para sepse se não for tratada a tempo. Já em casos operatórios, a recuperação pós-histeroscopia é geralmente rápida. Alta no mesmo dia ou no dia seguinte, com dores tipo cólica menstrual por alguns dias. O sangramento residual deve diminuir gradualmente. Se persistir por mais de três semanas ou voltar a intensificar, retorno para reavaliação.

O principal problema que eu vejo na prática é a subestimação dos sintomas. Muita mulher acha que sangrar por semanas após o parto é normal. Não é. O lochiamento normal declina progressivamente e tende a terminar entre 4 e 6 semanas. Sangramento intermitente, com fases de melhora e piora, ou coágulos recorrentes, merece sempre investigação. Também é importante saber que mulheres com resto de placenta têm maior risco de hemorragia secundária no pós-parto tardio, entre a segunda e a décima primeira semana. Isso significa que mesmo que o quadro pareça estável inicialmente, o acompanhamento rigoroso é necessário. Se houver indicação de cirurgia, o procedimento tem taxa de sucesso acima de 90% quando realizado por profissional com experiência em histeroscopia operacional, mas em centros onde apenas curetagem é disponível, as taxas de procedimento incompleto sobem significativamente, chegando a cerca de 25 a 30 por cento em algumas séries.