Resumo Do Filme Charlie Chaplin Tempos Modernos - Resumo do Filme "Tempos Modernos" | PDF | A Grande Depressão | Charlie ...
Resumo do Filme "Tempos Modernos" | PDF | A Grande Depressão | Charlie ...

O que realmente acontece no filme

Modern Times (1936) é o último grande trabalho mudo de Charlie Chaplin, aquele personagem icônico conhecido como O Vagabundo. O filme se passa em uma fábrica onde o ritmo da esteira rolante é tão implacável que um operário acaba sendo sugado por uma máquina enorme. A cena virou sinônimo de crítica ao trabalho industrializado, e Chaplin mostra isso sem dizer uma única palavra, só com movimentos corporais e títulos intercalados. O que muita gente não entende é que o filme não é só uma sátira engraçada. Ele tem uma camada política bem mais densa do que parece à primeira vista. Chaplin estava filiado ao Partido Comunista dos EUA na época, e isso aparece claramente nos diálogos sobre salários, greves e na figura da polícia. O personagem feminino, interpretado por Paulette Goddard, é uma órfã que trabalha num café e cai na ilegalidade por tentar comprar comida. A relação entre os dois funciona como metáfora para qualquer pessoa tentando sobreviver num sistema que já nasce contra ela.

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Em linhas gerais, o enredo acompanha O Vagabundo tentando lidar com uma série de dificuldades após ser demitido da fábrica por causa de um problema com o alimentador automático. Ele tenta trabalhar em vários empregos, termina preso por engano, encontra a garota e, no final, ambos acabam seguindo pela estrada juntos, rindo apesar das dificuldades. Chaplin fecha o filme com a ideia de que a vida continua mesmo quando tudo parece desmoronar. Eu assisti ao filme pela primeira vez quando tinha uns quinze anos, numa aula de história do cinema. Na época, não percebi quase nada das referências políticas. Só achei engraçado o cara sendo sugado pela máquina. Voltei a assistir anos depois, em casa, e percebi que a risada ia sumindo conforme a trama ficava mais séria. A sequência em que ele tenta se alimentar num restaurante automático e fica preso no mecanismo é hilária, mas logo em seguida temos cenas de fome, prisão e solidão. O contraste é proposital. Chaplin nunca foi só comediante.

Pontas que ninguém menciona

O filme é conhecido por introduzir o uso sincronizado de som pela primeira vez em parte da narrativa, mas Chaplin recusou fazer um filme totalmente falado. Ele achava que o Vagabundo não poderia ter voz, porque a identidade do personagem era construída sobre o silêncio. Esse debate entre mudo e sonoro está presente em praticamente todas as entrevistas da época. Ele tem razão, mas também comete um erro claro: a abertura com notícias faladas é um pouco tosca, e a sequência final em que O Vagabundo canta numa boate mostra que ele já estava cansado do formato. Outro ponto que passa batido é a duração. O filme tem cerca de 87 minutos, o que era bastante longo para uma comédia da época. Chaplin gastou mais de um ano produzindo, filmando em cores e usando efeitos sonoros caseiros. O resultado é algo entre o expressionismo alemão e a comédia slapstick americana. Essa mistura funciona, mas deixa a coisa meio desigual. Tem momentos que são pura genialidade visual e outros que arrastam sem motivo.

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Se você for assistir hoje, provavelmente vai notar que a trilha sonora é tão importante quanto as imagens. Charles Chaplin compôs a música original, e os temas musicais aparecem antes mesmo de qualquer diálogo. Isso era raro em 1936. A maioria dos estúdios contratava músicos profissionais. Ele fez sozinho, o que explica porque certas sequências têm um ritmo quase hipnótico.

Por que ainda importa

O filme segue sendo relevante porque o tema do trabalho desumanizante não mudou. A esteira rolante apareceu em countless vídeos no YouTube como metáfora para o corporativismo atual. A cena em que o operário é levado embora por ser incapaz de acompanhar o ritmo é exatamente o que muita gente vive hoje, só que com planilhas e métricas de produtividade. Chaplin previu isso em 1936, quando a automatização ainda era novidade. Também vale notar que o filme é um documento histórico importante sobre a Grande Depressão. A imagem dos filas de desempregados, dos mendigos e dos protestos é real. Chaplin usou atores profissionais, mas os figurinos e cenários foram inspirados em fotos de verdade. Isso dá ao filme uma textura que nenhuma produção atual consegue replicar com CGI ou set design moderno.

Se você quer ver algo parecido hoje, recomendo prestar atenção nas sequências de ação física. O desempenho de Chaplin é tecnicamente impressionante, mesmo sem efeitos especiais. Ele fazia as próprias acrobacias, quebrava o corpo inteiro em cada takes, e ainda assim mantinha a comédia pura. Isso exige uma disciplina corporal que poucos atores têm hoje em dia. O filme pode ser encontrado em várias plataformas de streaming, mas a versão mais completa é a restaurada em 4K pelo Cineteca di Bologna. A qualidade de imagem permite ver detalhes que passam despercebidos em cópias antigas. Se possível, assista com fones de ouvido ou uma boa caixa de som, porque a trilha sonora é parte essencial da experiência. Sem isso, o filme perde quase metade do impacto.