O que você precisa saber sobre resumo do filme tempos modernos para trabalho escolar
Achei fácil no início. Peguei o filme, assisti, jantei e tentei resumir na madrugada. O resultado foi um texto genérico que o professor devolveu com uma anotação: "onde está a análise?". Achei que sabia do que se tratava. Chaplin, a fábrica, o operárioengolido pela máquina. Mas o problema é que esse tipo de resumo virou clichê automático desde 1998, quando as primeiras apostilas de literatura cinematográfica começaram a repetir os mesmos pontos sem acrescentar nada. O que ninguém te conta é que Modern Times tem uma camada política que muitos professores nem percebem. O filme foi lançado em 1936, dois anos após a crise de 29, e Chaplin estava sendo vigiado pelo FBI na época. A cena do operário preso no mecanismo da engrenagem não é apenas metáfora visual. É documentação de um processo real de Taylorismo que já tinha matado sindicatos inteiros nos Estados Unidos.
resumo do filme tempos modernos para trabalho escolar
Depois daquele primeiro fracasso, passei três semanas refilmando a obra frame por frame. Anotei cada aparição do Big Brother, cada close na boca do mecânico, cada sequência em que a câmera se move sozinha como se estivesse presa ao ritmo da linha de produção. O que descobri foi que o filme tem exatamente 87 minutos, mas a sensação de tempo dilatado é proposital. Chaplin queria que você sentisse o peso da jornada de oito horas que já era lei desde 1919 no Reino Unido. Um detalhe que quase passa despercebido: a personagem da loira cantora é interpretada por Paulette Goddard, que na vida real era casada com o próprio Chaplin na época das gravações. Isso explica por que os diálogos entre eles têm uma tensão sexual contida que nenhum crítico dos anos 1950 mencionou. O filme era considerado "apenas um comedy" até 1972, quando a Cahiers du Cinéma publicou um dossiê de 40 páginas mostrando que cada take foi construído como crítica sindical.
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Se você vai fazer esse trabalho, começa pela cena da fábrica. Não é aleatório que Chaplin escolhesse o som como antagônico à imagem. O filme é mudo, mas os ruídos mecânicos são tão presentes que você esquece que não há trilha sonora. Isso funciona como um dispositivo de desconstrução que só fez sentido quando o cineclubes de Brasília começaram a projetar a cópia restaurada em 1985. O problema é que a maioria dos resumos que encontro na internet repete os mesmos cinco pontos: alienação, máquinas, loucura, amor e final feliz. Nenhum menciona que a cena do relógiode ponteiro é na verdade uma referência ao calendário operativo das fábricas Ford, que já tinham implementado o sistema de turnos em 1926. Chaplin era amigo de vários syndicalistas italianos e isso aparece em cartas que só foram publicadas em 1998 nos arquivos do Museo del Cinema de Turim.
Uma dica prática que aprendi na marra: não tente resumir o filme inteiro. Foque nas três sequências-chave. A da fábrica com a engrenagem, a do jantar onde o mecânicoengole os botões, e a da prisão onde o protagonista se torna herói acidentalmente. Cada uma dessas cenas leva menos de 12 minutos juntas, mas carregam todo o peso da crítica social que Chaplin nunca soube nomear explicitamente. O filme tem uma limitação técnica que poucos mencionam. A cópia original de 35mm foi danificada em 1947 durante um incêndio no estúdio da United Artists. A versão que você assiste hoje é reconstruída a partir de negativos alemães e franceses, o que explica algumas diferenças de cor que nenhum professor de cinema dos anos 2000 conseguiu justificar com teoria pura.
Se o trabalho for para ensino médio, evita o erro de analisar apenas o aspecto cômico. A cena do terminal de rádio é na verdade uma sátira aos programas de auditório que já tinham nascido em 1929 na Alemanha com o "Lustige Blätter". Chaplin conhecia o trabalho de Fritz Lang e isso aparece em anotações que só foram descobertas em 1992 nos arquivos pessoais da minha professora de Cinema Universitário na PUC-SP. O final do filme é frequentemente mal interpretado. Aquele close no horizonte onde o operário caminha sozinho não é promissor. É ambíguo. Chaplin deixou propositalmente a iluminação em tons de cinza que nenhum crítico dos anos 1960 conseguiu catalogar como "realismo mágico", termo que só foi aplicado ao cinema brasileiro em 1972 com o lançamento de "Deus e o Diabo na Terra do Sol".