Como publicar na revista práxis educativa: um guia sem romantismo
Se você está pensando em submeter um artigo para a revista, a primeira coisa que precisa entender é que ela não é uma publicação comum de acesso aberto que devolve o manuscrito em duas semanas. É uma revista acadêmica indexada, com pares avaliadores, processo de submissão pelo Sistema de Revistas da UFPR, e prazos que dependem inteiramente da fila que você encontrar no momento do envio. Eu submeti meu primeiro trabalho lá em 2019 e o segundo em 2021. Dois anos depois, ainda estou avaliando o que valeu a pena.
Revista práxis educativa: entenda antes de escrever
A revista é produzida pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná. O foco principal é pesquisa em educação, com destaque para práticas pedagógicas, formação de professores, currículo e temas relacionados à educação básica e superior no contexto brasileiro. Ela publica artigos científicos, resenhas, ensaios e entrevistas. O idioma predominante é português, mas artigos em espanhol também são aceitos. O que poucos dizem é que o perfil temático dela mudou ao longo dos anos. Nos primeiros anos de publicação, havia mais espaço para artigos de caráter mais teórico-filosófico. Nas últimas edições, a revista tende a privilegiar pesquisas empíricas com recorte qualitativo ou quali-quantitativo, com clara inserção no campo da educação brasileira. Se você manda um artigo puramente especulativo sobre Dewey sem conexão com a realidade escolar, é provável que a banca devolva com recomendação de ressubmissão ou rejeição direta. Isso não é um julgamento de valor, é uma questão de alinhamento editorial.
O processo de submissão na prática
O envio é feito inteiramente pela plataforma SAPI/UFPR. Você cria um cadastro, seleciona o tipo de artigo, faz o upload do arquivo em PDF conforme as normas da revista e preenche todas as informações exigidas. A formatação segue o sistema ABNT, mas com particularidades próprias que a revista pede explicitamente. A capa precisa ter autor, título, resumo, palavras-chave, e também a filiação institucional completa. Um erro comum que eu vi vários colegas cometerem é enviar o artigo em modo cego quando o formulário pede autoria completa, e aí o sistema simplesmente não avança. Após a submissão, o artigo passa por uma triagem editorial que normalmente leva entre 15 e 30 dias úteis. Se passar pela triagem, vai para avaliação por pareceristas. Aqui é onde o processo pode demorar. Os avaliadores têm entre 20 e 45 dias para enviar o parecer. No meu caso, a primeira versão levou quatro meses no total, desde o envio até a notificação de que o artigo estava aprovado com revisões. Não foi rápido, mas foi transparente. Cada parecer veio com comentários específicos, citando trechos do artigo e sugerindo alterações concretas.
O problema que eu enfrentei na minha segunda submissão foi diferente. O artigo foi avaliado por dois pareceristas, ambos pediram revisões importantes, mas um deles pediu a inclusão de referências que eu já tinha citado no texto e simplesmente não tinham sido encontradas na busca que eles fizeram. Em vez de questionar, eu reelaborei o artigo inteiro tentando incorporar todas as sugestões. Depois de entregar a versão revisada, recebi a resposta de que o artigo seria aceito somente após correção formal das referências conforme o padrão ABNT. Eu tinha gasto três dias refazendo seções inteiras quando na verdade bastava ajustar a formatação. A lição que levei foi: antes de refazer conteúdo, sempre pergunte ao editor quais mudanças são substantivas versus formais.
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O que funciona e o que não funciona para publicação
Artigos que são aceitos com frequência aqui têm três características em comum. Primeiro, clareza na justificativa da pesquisa. Segundo, método descrito com densidade suficiente para reproducibilidade. Terceiro, diálogo claro com a literatura brasileira da área. Isso é particularmente importante porque a revista tem um viés deliberadamente local. Autores estrangeiros que mandam artigos sem referenciar produções brasileiras da área sofrem rejeição com mais frequência do que o aparente. Outro ponto que merece atenção é o tamanho. Artigos muito longos, acima de 25 páginas, tendem a sofrer mais pressão editorial para corte. Eu tive um manuscrito de 32 páginas que precisou ser reduzido para 22, o que significou remover quase toda a revisão teórica que eu tinha desenvolvido. A alternativa que funcionou foi transformar parte daquela revisão em um artigo separado, que depois foi aceito em outra revista. Cortar por cortar nunca é bom. Separar por argumento é estratégia.
A qualidade das figuras e tabelas também conta mais do que muitos autores imaginam. Se você coloca gráficos feitos no Excel sem formatação adequada, com legendas incompletas ou eixos desproporcionais, o avaliador pode ler isso como descuido metodológico. Eu aprendi isso na pior maneira possível, com um gráfico de barras que distorcia visualmente a diferença entre dois grupos porque o eixo Y não começava em zero. Correção simples, mas o estrago na percepção foi grande.
Questões técnicas que ninguém conta
Um detalhe operacional importante: a revista exige que os arquivos sejam enviados em PDF, mas também solicita que o manuscrito esteja em formato editável no momento da revisão. Na prática, isso significa que você precisa manter uma cópia do Word ou do LaTeX organizada o tempo todo, pronta para enviar quando pedir. Muitos autores esquecem disso e perdem dias tentando reconstruir um documento que foi formatado meses antes. Outro ponto técnico é a numeração das referências. A ABNT permite numeração seqüencial ou sistema autor-data. A revista escolheu o sistema autor-data, mas dentro desse sistema há variações de como tratar duas obras do mesmo autor no mesmo ano. Se você não souber lidar com isso, os pareceristas vão apontar e você vai ter que reformatear tudo de novo. Use um gerenciador de referências como Zotero ou Mendeley, configure o estilo ABNT autor-data e revise manualmente cada entrada. Automatização sem verificação humana gera erro sistemático.
Limitações reais que você precisa considerar
Não existe mistério aqui. A revista tem um período de processamento que pode variar de três a oito meses dependendo da carga de trabalhos na fila. Ela não oferece serviço de tradução. Ela não faz revisões gramaticais antes da avaliação por pares. Se seu português estiver impreciso, a banca pode sugerir correção linguística como condição para aceitação, e isso vai atrasar tudo. Além disso, a revista não é indexada em bases internacionais de grande porte, o que significa que se seu objetivo é contar pontos para avaliação de produtividade em programas estrangeiros ou para concursos que valorizam CAPES A1 internacional, esse não é o veículo ideal. Dentro do contexto brasileiro, porém, ela tem relevância reconhecida peloQualis Capes, o que garante peso em avaliações institucionais nacionais. Outra limitação prática é a política de publicação de artigos de alunos de iniciação científica. A revista não tem seção específica para esse formato. Trabalhos de IC são aceitos, mas precisam seguir o mesmo rigor de um artigo completo, o que na prática significa que o orientador precisa estar envolvido desde o início, não apenas na etapa final. Eu vi colegas tentarem submeter trabalhos de IC como se fossem artigos normais e receberem retornos pedindo a inclusão de fundamentação teórica e discussão ampliada. A solução foi simplesmente transformar o trabalho de IC em um artigo completo antes de submeter.
Download e acesso
Os arquivos da revista estão disponíveis gratuitamente no portal da Editora UFPR, no endereço padrão do sistema de revistas da universidade. Você pode baixar o modelo de submissão, as normas para autores e todas as edições publicadas anteriormente. O acesso é aberto e não requer cadastro. A única informação que você precisa ter é o título completo do artigo que procura, o número da edição ou o ano de publicação. Tudo o resto está disponível publicamente. O que eu posso garantir com base na minha experiência é que publicar nessa revista exige paciência, domínio das normas e honestidade sobre o que seu trabalho realmente é. Não adianta disfarçar um estudo de caso como pesquisa qualitativa se ele não tem os requisitos metodológicos. Não adianta enviar um artigo teórico sem diálogo com a literatura brasileira. E não adianta esperar velocidade se o sistema editorial da universidade federal está sobrecarregado. O processo é lento, mas costuma ser justo. O que define se seu artigo vai longe não é a sorte, é a preparação técnica de quem escreve.