Salinidade Da Agua - Salinidade Da água Do Mar - BRAINCP
Salinidade Da água Do Mar - BRAINCP

O que é e por que medimos

Salinidade da agua é simplesmente a concentração de sais dissolvidos. O padrão da indústria é partes por mil (ppt), que equivale a gramas de sal por quilograma de água. Às vezes você vê ppm ou EC (condutividade elétrica). São coisas relacionadas mas não idênticas. Eu trabalhei com aquicultura de camarão e aqui está o problema que ninguém conta: a medição de condutividade dá errado quando a temperatura cai abaixo de 15°C. O meter lê 4,2 mS/cm e parece normal, mas a salinidade real está 0,8 ppt abaixo. O ajuste térmico automático do instrumento falha nesse faixa. Minha solução foi usar refratômetro óptico de compensação automática como confirmação, não como substituição.

Como medir salinidade da agua corretamente

Três métodos existem na prática. Cada um tem ponto cego. Refratômetro: mais rápido, mas precisa de água filtrada ou decantada. Partículas em suspensão espalham a luz e o índice de refração sobe artificialmente. Eu vi gente ler 35 ppt numa amostra de tanque de produção quando a leitura real era 29. O filtro de 0,45 micron resolve. Custo do equipamento entre 150 e 400 reais num fornecedor nacional.

Condutivímetro: padronizado pela OIML e pela série de métodos da APHA. Leitura direta de EC, conversão pela tabela prática. O erro principal vem de sonda suja ou calibração velha. Recomendo recalibrar a cada 30 dias com solução padrão de 84 mS/cm. Se a leitura em branco desviar mais de 2%, limpe a sonda com solução de ácido clorídrico a 10% por 5 minutos, enxágue com água desmineralizada e seque. Evaporação pesada: método de referência, demora 4 a 6 horas por amostra. Você pesa a cápsula vazia, adiciona exatamente 50 mL de água, seca em estufa a 180°C até peso constante, pesa de novo. A diferença em gramas multiplicada por 2 dá ppt. Consome tempo mas é o único que não depende de curva de calibração. Usamos quando precisávamos auditar a leitura do refratômetro de campo.

Pontos que quebram medições

A primeira armadilha é a deriva do_SENSOR de temperatura integrado. Sensores baratos de NTC mudam 0,3°C por mês sem exposição a solução padrão. Isso gera erro de 0,15 ppt em leituras de EC. Troque o sensor se o desvio for maior que 0,2°C comparado a termômetro de referência. A segunda é água doce com alta concentração de bicarbonato. A condutividade sobe mas os íons de haleto estão baixos. O refratômetro não sofre isso, então ele fica como método de cheque quando a água tem origem terrestre e pode ter contaminação por carbonatos.

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Terceira: espuma. Sim, espuma gera leitura falsa em ambos os instrumentos. Agite devagar e espere 30 segundos antes de medir. Não use vareta magnética girando rápido.

Faixas de uso prático

Aquicultura de tilápia funciona bem entre 0 e 5 ppt. Acima disso o crescimento cai cerca de 8% por unidade de sal, segundo dados do CPRC. Camarão Litopenaeus vannamei aguenta até 35 ppt com adaptação gradual de 5 ppt por dia. Estuários naturais variam de 0,5 a 30 ppt conforme a vazão do rio. Se você monitora um ponto fixo, espere variação sazonal de pelo menos 4 ppt entre seca e cheia. Anotar a maré também ajuda a interpretar o dado.

Para dessalinização por osmose reversa, a permeabilidade da membrana cai 12% a cada aumento de 1 ppt na salinidade de alimentação a 25°C. Isso é relevante quando a planta opera em rio com transição para água salobra.

Conversão rápida que funciona

EC em mS/cm dividido por 0,65 dá ppt aproximado para água marinha padrão. Para água doce, divida por 0,64. O fator muda conforme a composição iônica. Se quiser precisão, use a tabela prática da UNESCO de 1983 ou a calculadora do SeaSalinity, que aplica correção por temperatura e composição. Reportar salinidade sem citar o método e a temperatura de referência é perda de tempo. A norma exige 25°C para comparação. Anote sempre: "salinidade 32,4 ppt a 25°C, método refratométrico, água filtrada em 0,45 µm". Quem ler o dado vai saber se confia nele.