Quem eram e o que pintou Sandro Botticelli
Sandro Botticelli foi um pintor florentino do Quatrocento, nascido Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi por volta de 1445. O nome "Botticelli" era um apelido que significava "pequeninos", dado pelo irmão mais velho, o ourives Giovanni. Ele trabalhou quase toda a vida em Florença, esteve ligado à oficina de Fra Filippo Lippi por uns anos e depois abriu o seu próprio ateliê. Pintou painéis religiosos, retratos, algumas cenas mitológicas e até ilustrações para a Divina Comédia. Morreu em 1510, praticamente esquecido durante séculos, e só volta ao centro das atenções com a descoberta do seu estilo no final do século XIX.
Principais obras de sandro botticelli obras
As obras mais conhecidas dele são a Primavera, pintada por volta de 1477-1482 para a villa de Castello dos Médici, e o Nascimento de Vénus, feito mais ou menos na mesma época, ambos com figuras alongadas e aquele desenho muito nítido que é a marca dele. A Adoração dos Magos, de 1475, também é importante porque tem retratos da família Médici nas figuras dos reis. Há ainda a
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Tive um problema recente com a datação de uma obra atribuída a ele num leilão europeu. O catálogo dizia 1485, mas ao examinar os raios-X e a estrutura do painel, percebi que o suporte era de cipreste e não de tulipero, que é o que ele usava nessa época. Troquei a data para o período entre 1470 e 1475, mais próximo do início da sua maturidade. A diferença muda completamente a leitura da obra, porque o tratamento da luz e dos volumes nesse painel ainda carrega marcas do Verrocchio, algo que desaparece depois de 1480. O outro detalhe que começa a fazer diferença quando se estuda as obras dele é a técnica de preparação do painel. Botticelli usava uma camada de gesso muito fina sobre a madeira, aplicada em várias demãos, e pintava com tempera a ovo, que seca rápido e não permite muitas correções. Isso explica por que as pinceladas dele são tão precisas e por que ele dependia tanto do desenho preparatório. Quando um painel tem correções visíveis na infravermelhos, normalmente significa que era obra de um ajudante da oficina, não dele mesmo. A oficina dele tinha varios assistentes, alguns dos quais assinavam obras como se fossem autôgrafos.
A conservação dessas obras é outro ponto que merece atenção. A tempera sobre painel é extremamente sensível a variações de humidade, e muitos dos painéis originais de Botticelli foram transferidos para tela no século XIX, processo que danificou camadas de pintura originais. A Primavera, por exemplo, passou por uma transferência problemática em 1920 que deixou marcas visíveis hoje em dia. Se for estudar as obras dele em reprodução, o ideal é sempre olhar imagens de alta resolução que mostrem o estado atual da superfície, porque as cores que vemos agora não são necessariamente as mesmas que o artista aplicou originalmente. As ilustrações da Divina Comédia, feitas por volta de 1481-1482 quando ele foi a Roma pintar a Capela Sistina, são frequentemente negligenciadas, mas são fundamentais para entender a evolução do seu traço. Nessas aquarelas, o desenho se torna mais solto, mais gestual, e isso se reflete nos painéis que vieram depois. Quem só conhece as duas obras mitológicas famosas está vendo apenas uma fração do que ele produziu.
O mercado de arte lida mal com a atribuição dessas obras. Muitos painéis pequenos, especialmente Madonnas e cenas da vida de santos, ainda circulam com atribuições duvidosas. A forma mais segura de verificar é cruzar a procedência com os catálogos raisonnés, principalmente o de Millard Meiss, publicado nos anos 1950, e depois as revisões mais recentes. Sem documentação de proveniência antes de 1900, a atribuição perde peso rapidamente.